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terça-feira, abril 20, 2004

SOJA TRANSGÊNICA NO RS

A Delegacia Federal da Agricultura coletou 108 amostras de soja na primeira semana de fiscalização sobre o registro e rotulagem de produtos geneticamente modificados comercializados no Rio Grande do Sul, entre os dias 12 e 16 deste mês. Nas 36 empresas processadoras, armazenadoras, cooperativas e indústrias de rações animais e alimentos visitadas foram detectados pelo menos dez casos suspeitos de irregularidades, informou ontem o delegado Francisco Signor.
Também foram fiscalizados 84 produtores, e entre eles, segundo o delegado, a ocorrência de problemas pode ser bem maior. Os fiscais da delegacia recolheram para análise a soja que não estava identificada como transgênica e mesmo produto com identificação, mas que eles julgaram necessário verificar se o produtor havia assinado o Termo de Ajustamento e Conduta (TAC) exigido pelo Ministério da Agricultura nesta safra 2003/04.
De acordo com Signor, em alguns casos os fiscais verificaram que a soja entrava na indústria registrada na nota fiscal como transgênica e depois saía processada sem a identificação. Noutras vezes, a situação era inversa: entrava como convencional e saía como transgênica. "Aí quebram-se os elos da cadeia de produção", afirmou o delegado.
Até agora ninguém foi multado no Estado. "Ainda não temos os laudos na mão e não queremos cometer injustiças", explicou. Em caso de irregularidade comprovada, a multa pode chegar a R$ 16,1 mil por ocorrência mais 15% por tonelada comercializada. As amostras estão sendo analisadas nos laboratórios do próprio ministério, em Porto Alegre, e da Embrapa, em Passo Fundo. Os primeiros resultados devem sair em duas semanas.
De acordo com informações de Francisco Signor, a soja transgênica que chega nas indústrias deve claramente ser identificada na nota fiscal. O mesmo ocorre quando o farelo é comercializado a granel para as fábricas de rações e depois, na venda ao consumidor, é necessária a rotulagem nas embalagens, explicou.
Segundo o delegado, dez equipes estão percorrendo as indústrias, as armazenadoras e as lavouras de soja. Nas fábricas de embutidos que utilizam proteína vegetal, os fiscais acompanham a produção. A intenção, afirmou Signor, é garantir que os consumidores possam comprar os produtos seguros de que a regulamentação da rotulagem está sendo comprida. A fiscalização prosseguirá até o fim da colheita.

Embrapa ganha Prêmio Péter Murányi 2004

Os ganhadores do Prêmio Péter Murányi 2004 Alimentação são Francisco José Lima Aragão e Josias Corrêa de Faria, pesquisadores da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária, vinculada ao Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, pelo trabalho 'Obtenção de feijoeiro resistente ao vírus do mosaico dourado', indicado pela Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia (Brasília-DF). A entrega foi em São Paulo, em 15 de abril, no Moinho Eventos.
Os pesquisadores da Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia e Arroz e Feijão (Santo Antônio de Goiás, GO) descobriram novas técnicas com potencial de aumento rápido da produção de feijão, uma alternativa para equacionar a fome e aumentar a renda dos produtores. O plantio de feijão resistente a pragas como o mosaico dourado é estratégico para o Brasil porque permitirá um ganho mínimo de 20% na produção brasileira.
O trabalho para modificação genética do feijão iniciou-se em 1991. O mosaico dourado é uma virose extremamente destruidora desde a década de 60. A solução atual não mudou o quadro de destruição e pode causar perdas de produção de 40 a 100%, explicou Aragão durante a solenidade.
O próximo passo será estender o projeto para outras aplicações, entre elas o feijão de corda, café e cana-de-açúcar. A obtenção de uma planta de feijão resistente a vírus mostra que temos uma tecnologia eficiente para obter resistência a viroses do mesmo grupo ou de diferentes espécies e mesmo de outras doenças, enfatiza Aragão.
Em 12 de março o Ibama autorizou o início dos testes em campo e em 15 de março o Ministério da Agricultura concedeu a última licença para o início dos testes de biossegurança.
Aragão e Josias, no momento da entrega do prêmio, agradeceram a todos que contribuíram para o sucesso da pesquisa, dizendo que é preciso que as pessoas se livrem do medo do novo nas áreas de ciência e tecnologia e que o país possa cada vez mais usufruir dos resultados das pesquisas geradas pelos investimentos públicos.
Destacaram também a importância da parceria entre unidades de pesquisa de uma mesma instituição. Foi um trabalho em conjunto, realizado com sucesso.
O Prêmio foi criado pelo empresário Péter Murányi para incentivar e reconhecer os pesquisadores de qualquer parte do mundo na busca de soluções para a melhoria da qualidade de vida das populações situadas abaixo do paralelo 20 de latitude norte, especialmente o Brasil. É o terceiro ano do prêmio. Em 2003, o tema foi desenvolvimento científico e tecnológico. Em 2002 foi a vez da saúde.
Os trabalhos devem ser indicados por universidades, centros de pesquisa e instituições ligadas ao tema. Não há inscrições diretas. Primeiramente, são avaliados por especialistas. No segundo momento, os três melhores são submetidos ao júri composto pelo Conselho Superior da Fundação, pela Comissão Técnica e Científica e por renomados representantes da sociedade. Neste ano, participaram 75 instituições brasileiras, 6 argentinas, 4 chilenas, 3 peruanas e 1 paraguaia.
O prêmio é composto de um diploma de reconhecimento público, um troféu, uma medalha e uma importância em moeda corrente fixada pelo Conselho Superior.

Cristina Tordin
Embrapa Meio Ambiente
Contatos: (19) 3867.8700 - cris@cnpma.embrapa.br

MA investe na pesquisa do biodiesel de babaçu

O Maranhão está incrementando as pesquisas de combustíveis alternativos ao óleo diesel

Segundo o diretor-presidente da Fundação de Amparo a Pesquisa e ao Desenvolvimento Científico e Tecnológico do estado, Edson Nascimento, o interesse volta-se para o babaçu e a soja. Professores e membros do Grupo de Combustível Alternativo (GCA), Henrique Cardias e Fernando Carvalho Silva trabalham para agregar novos pesquisadores e formar parcerias para incentivar a implementação do biodiesel no estado.
O Programa Biodiesel, que será implantado ainda este ano no Maranhão, tem levado os governos estaduais a desenvolver projetos a partir de uma planta oleoginosa de cada região. No Pará, é o dendê; no Piauí, Ceará e Rio Grande do Norte, a mamona; no Sul e no Sudeste, a soja. Edson Nascimento diz que o Maranhão possui os maiores estandes de babaçuais do Brasil. Grande parte da população rural se dedica à coleta de coco e à produção do biodiesel, o que poderá fomentar o sistema de produção agro-extrativista, gerando milhares de empregos e melhorando a qualidade de vida das populações urbana e rural, acredita. O projeto será implantado inicialmente na Baixada Maranhense.
Nascimento também informou que o Fundo Setorial de Energia aprovou recentemente recursos de R$ 700 mil para o estado, que serão aplicados na planta piloto. A Fapema também tem mantido bolsistas que estão trabalhando para viabilizar a conclusão do projeto, e promovido a ida ao Maranhão de técnicos e pesquisadores para a preparação de projetos veiculados ao programa biodiesel.
O babaçu fornece 68 subprodutos. O fruto é usado no fabrico de óleo, carvão, leite, ração para gado e artesanato. As folhas são usadas para cobrir casas, na fabricação de cestos e esteiras e fornecem celulose. A partir do babaçu também são extraídas substâncias para a produção de detergentes, sabão, margarina, cosméticos e asfalto.

Fonte: Gazeta Mercantil

Justiça libera produtos da Monsanto no Paraná

Na última quarta-feira (14), a juíza Elisabeth Nogueira Calmon de Passos, da 3ª Vara da Fazenda Pública de Curitiba (PR), concedeu liminar à Monsanto que suspende a fiscalização no Paraná do comércio de agrotóxicos produzidos pela empresa. Mais de 200 toneladas de agrotóxicos interditadas na última semana começaram a ser liberadas para venda na quinta-feira (15). Os produtos estavam sob os cuidados dos distribuidores.
A Secretaria Estadual da Agricultura determinou no dia 5 de abril de 2004 a interdição e a suspensão do cadastro estadual de cinco produtos das indústrias Monsanto e Basf - Roundup WG, Transorb e Original (da Monsanto) e Dormex e Poast (da Basf). De acordo com a Secretaria, as bulas dos produtos não orientam suficientemente os agricultores em casos de acidentes. Eles estariam colocando sua saúde em risco ao utilizarem os produtos. "Existem contradições entre as bulas aprovadas pelo Ministério da Saúde e as que acompanham os produtos vendidos no mercado", disse o secretário Orlando Pessuti.
O comércio foi liberado sem que o problema fosse resolvido. "Estamos obedecendo à decisão judicial" disse o chefe da Seção de Fiscalização do Comércio de Agrotóxicos, Alvir Jacob. Ele acredita que o problema das bulas ainda será discutido. A Monsanto alega que os produtos atendem todas as exigências do Ministério da Agricultura.
A Procuradorias Geral da Estado confirma que vai recorrer da decisão da Justiça. Os argumentos jurídicos do governo do Estado não estão sendo divulgados. O comércio dos produtos da Basf continua proibido. A fabricante informa que recebeu notificação sobre falta de informação e contradições nas bulas no último dia 13 e que ainda estuda uma reação.

Fonte: Gazeta do Povo

segunda-feira, abril 19, 2004

Ouro Fino apresenta nova estrutura na Agrishow

Empresa amplia atuação e investe no mercado de sementes e cuidados domésticos

A Ouro Fino, empresa 100% brasileira que atua no segmento de medicamentos para saúde animal, passa agora a ser o “Grupo Ouro Fino” e foi reestruturada em cinco unidades de negócios: Ouro Fino Saúde Animal, Ouro Fino Animal Health, Ouro Fino Bem-Estar Animal (Pet), Ouro Fino AgroSciences e Ouro Fino Cuidados Domésticos. A novidade será apresentada na Agrishow 2004 (Feira Internacional de Tecnologia Agrícola em Ação), entre os dias 26 de abril e 1º de maio, em Ribeirão Preto.
A reestruturação é resultado da política de dinamismo e agilidade adotada pela empresa de Ribeirão Preto. Com as novas unidades, a Ouro Fino amplia seu foco de atuação e passa a investir com força em mercados promissores, como o de sementes forrageiras e o de produtos para cuidados domésticos.

As novas unidades
A Ouro Fino Saúde Animal é a unidade que representa a maior parte do faturamento do Grupo. É a responsável pelo segmento que a empresa iniciou no mercado há 17 anos, a área conhecida como “Grandes Animais”, que atua no desenvolvimento e comercialização de produtos veterinários para bovinos, eqüinos, ovinos, caprinos, aves e suínos.
De acordo com o diretor comercial da Ouro Fino Saúde Animal, Carlos Henrique Henrique, a unidade espera este ano um crescimento de 30%. Para atingir esse desempenho vai lançar cerca de 25 produtos até o final do ano e consolidar um dos produtos de destaque em 2003, o carrapaticida Colosso, que foi o responsável por grande parte das vendas em saúde animal. “Nosso objetivo é um aumento de 50% de venda do Colosso neste ano e um bom desempenho da unidade no mercado com a linha de nutrição para aves e suínos, que iremos lançar”, explica.

Tecnologia em sementes
O mercado de sementes forrageiras, utilizadas em pastagem, é um novo segmento no qual a Ouro Fino resolveu investir. Para isso, criou a Ouro Fino AgroSciences, que começou a se estruturar em janeiro do ano passado para atender tanto o mercado interno quanto o externo, de acordo com o gerente técnico da unidade, Ailton Aparecido Ongilio.
Segundo dados do Ministério da Agricultura, o volume comercializado de sementes forrageiras no Brasil chega a 98 mil toneladas/ano. Já as empresas brasileiras exportam atualmente cerca de 5,8 mil toneladas/ano.“Esse é um mercado em expansão, especialmente o internacional, e o potencial da Ouro Fino é grande, com produtos competitivos, de qualidade e tecnologia avançada”, diz Ongilio.
Por ser um segmento em que a alta tecnologia em todo o processo produtivo é essencial, a Ouro Fino AgroSciences também vem investindo fortemente em parcerias. Uma delas é com a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa). Outra parceria é com a Unipasto, uma associação de 43 empresas do segmento que investem nas pesquisas feitas com a Embrapa. O objetivo desta parceria é a exclusividade de novas variedades de sementes.

Fim das pragas
A Ouro Fino Cuidados Domésticos está no mercado desde agosto de 2003 e comercializa produtos que visam, especialmente, controlar as pragas domésticas, como ratos, baratas, formigas e moscas. A unidade, no entanto, também tem produtos voltados ao segmento profissional.
O gerente da unidade, Davi Serrão Mitt, diz que esse é um mercado sazonal, com pico de vendas entre setembro e março, ou seja, em épocas de clima mais quente. “Essa particularidade exige da empresa a elaboração de estratégias de negócios nos outros períodos do ano”, explica.
Um dos lançamentos da linha Cuidados Domésticos é o Colosso Formicida Gel, produto que será um aliado no controle das formigas caseiras, um problema que afeta o ambiente doméstico e que pode trazer danos à saúde das pessoas. O produto vai revolucionar o mercado de formicidas, pois foi desenvolvido a partir do comportamento do inseto e dos problemas encontrados no ambiente doméstico.
Para este ano, a unidade prevê o lançamento de aproximadamente 15 produtos, como gel baraticida, inseticida líquido e aerosol para pulverização de cozinhas, isca granulada para jardinagem, isca mosquicida, entre outros.

Pet em alta
A Ouro Fino Bem-Estar Animal (Pet) é outra unidade que teve uma importante participação nos resultados de 2003. Segundo o diretor, Luis Claudio Sinelli, a linha Pet representou 10% do faturamento da empresa e a intenção é que, em 2004, o crescimento seja de 70% em relação a 2003. A unidade vai lançar dez produtos neste ano e, com uma estratégia comercial e de marketing agressiva, pretende entrar em segmentos importantes do mercado Pet.
O mercado Pet brasileiro movimenta anualmente cerca de R$ 130 milhões e tem crescido 18% em média nos últimos anos. Atuando desde 2000 com a linha Pet, a Ouro Fino já obteve 4% de participação neste mercado e a idéia é que este índice chegue a 6% nos próximos anos.

Mercado externo
Outra aposta importante da Ouro Fino é a exportação. A empresa é uma das que mais exporta. A potencialidade desse mercado será ainda mais explorada nos próximos anos pela unidade Ouro Fino Animal Health. De acordo com o diretor, José Adolfo Trevelin, o mercado externo representou 12,5% do faturamento da empresa em 2003 e a expectativa é que este índice chegue a 15% neste ano.
Hoje, a empresa exporta para 24 países da América Central, África e Oriente Médio. A expectativa é consolidar o mercado africano em 2004 e, posteriormente, buscar novas oportunidades nos Estados Unidos, Europa e Austrália.

Assessoria de Imprensa
Com Texto – Comunicação e Marketing
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Produtor do Nordeste em busca de tecnologias

O desenvolvimento de quatro novas variedades de cana foram homologadas terça-feira, durante o 8 Seminário Regional da Cana-de-açúcar, que se realiza no Recife. Cerca de 500 empresários, responsáveis pela produção e moagem de 53 milhões de toneladas de cana-de-açúcar participam do encontro. As novas variedades são resultado de pesquisas em oito universidades integradas a uma rede acadêmica, que buscam novas tecnologias para o setor.
O presidente regional da Sociedade dos Técnicos Açucareiros e Alcooleiros do Brasil, STAB, Djalma Euzébio, disse que o evento tem por objetivo promover novas tecnologias. As variedades de cana ganharam uma classificação numérica e foram batizadas com a sigla RB ( República do Brasil ). Desde já, estão disponíveis para o plantio no Nordeste onde a safra do período setembro 2004 a março 2005 está estimada em mais de 55 milhões de toneladas. Além dos temas relativos ao cultivo, também são difundidas informações sobre tecnologia da automação desenvolvidas para o setor sucroalcooleiro.
O gerente de extração e manutenção, coordenador de automação do grupo Nova América, Carlos Donizeti Morbi, afirmou que os processos automatizados estão se tornando mais freqüentes no setor. Exemplo disso é o recente contrato fechado pela empresa por R$ 3 milhões com a GE Fanuc, empresa do grupo General Electric Co, fornecedora de soluções de automação industrial para controles de automação (PLC) e softwares de supervisão para quatro empresas do grupo: as usinas de açúcar Nova América e Maracaí, a indústria de suco, Guacho, e o terminal portuário de açúcar, Teaçu.
"Escolhemos a GE Fanuc porque atende às exigências para a proposta comercial, o conhecimento da tecnologia, além de ser a melhor opção que integra hardware e software, disponível no mercado", comenta o executivo. Além disso, o Grupo Nova América estará padronizando processos e substituindo os produtos concorrentes por soluções da GE Fanuc.
Morbi conta que algumas operações manuais foram abandonadas. Com isso, procura-se evitar erros humanos, mantendo o processo produtivo mais constante, com menos oscilações e mais eficiente", disse Morbi. Na unidade de Maracaí, onde é realizada a produção de álcool anidro (que é misturado com a gasolina) e hidratado (utilizado no carro movido a álcool), a partir de agora todos os controles estarão integrados.
Na Centrifugação do açúcar, o principal objetivo foi padronizar os PLCs, pois antes existiam vários tipos de controladores, de diferentes fabricantes, que dificultavam a programação, alterações e atualizações. "Estamos automatizando oito máquinas, onde entra a massa do açúcar e o produto final é o açúcar cristal.
O engenheiro de aplicações para a América Latina da GE Fanuc, Christian Vieira, explica: "com a solução combinada de PLC e software GE Fanuc, a integração se amplia ainda mais, permitindo a integração da base de dados, integração de ambientes de programação e supervisão, alta performance, entre outros benefícios".
O grupo Nova América atua em diversos segmentos, desde o cultivo de cana-de-açúcar, grãos e frutas, criação de gado leiteiro e de corte à produção de açúcar, álcool e derivados, sucos e chás dentro de altos padrões tecnológicos, além de possuir empresas coligadas que atuam no setor de informática, na área bancária e financeira e um terminal portuário automatizado no Porto de Santos.

Fonte: Gazeta Mercantil

Banco do Brasil libera verba para camarão

Dentro de dez dias, o Banco do Brasil (BB) deve anunciar uma nova modalidade de crédito para produtores de camarão. O presidente da Associação Brasileira de Criadores de Camarão (ABCC), Itamar Rocha, apresentou ao banco um perfil da cadeia produtiva do setor e pleiteou a criação de uma linha de crédito para financiar produtos elaborados. Pelos cálculos da ABCC, seria necessário um crédito rotativo da ordem de US$ 100 milhões para encampar a estratégia.
Atualmente, a carcinicultura conta com linhas de financiamento para investimento e custeio, mantidas pelo Banco do Nordeste (BNB). "Com o financiamento para comercialização e estoque poderemos atender a toda a cadeia produtiva", frisa Rocha. O presidente da ABCC lembra que o principal gargalo do setor está na ponta do processo produtivo, depois que o camarão é congelado. "Existe uma enorme pressão para que o produto seja rapidamente comercializado depois da despesca, em função da pequena capacidade de estocagem e da falta de alternativas de agregação de valor ao camarão", explica.

Crédito adequado
Na avaliação do analista da Diretoria de Agronegócios do BB, Mauro Vaz, o banco vai estudar a cadeia produtiva do setor para avaliar quais seriam as modalidades de crédito mais adequadas. "Acreditamos que a Cédula de Produto Rural (CPR) ou o financiamento à estocagem podem atender satisfatoriamente ao setor, mas não descartamos a possibilidade de apresentar alternativas de financiamento", observa.
Vaz explica que a CPR é um título cambial, negociável no mercado e que permite ao produtor rural obter recursos para desenvolver sua produção ou empreendimento, com comercialização antecipada ou não. "A CPR Física, por exemplo, pode permitir ao carcinicultor planejar melhor suas atividades e vender antecipadamente parcela de sua produção", observa o analista, sugerindo que a CPR pode ser emitida num prazo de até quatro meses antes da despesca.
No ano passado, o Banco do Brasil emprestou cerca de R$ 1,5 bilhões a título de CPR. Desde que foi criada, em 1994, a cédula registra R$ 5 bilhões em negócios realizados. Foram quase 100 mil CPRs avalizadas pelo BB, envolvendo uma média de 200 produtos agropecuários. Os produtores de café, soja e gado foram os que mais demandaram esse tipo de crédito, respondendo por 83% do total de financiamentos.
Diferentemente da CPR, o crédito para estocagem seria dirigido às processadoras de camarão. Vaz lembra que essa modalidade já é operada com sucesso entre setores como bovinocultura, suinocultura, avicultura e produção de grãos. A taxa de juros aplicada às operações é TR mais 17% ao ano. O analista diz que o limite de crédito vai depender da capacidade de endividamento de cada cliente.
Itamar Rocha frisa que o Brasil precisa se alinhar à tendência internacional de oferecer produtos elaborados. Mas, para isso, é preciso ter condições de estocar a produção para depois beneficiá-la. Hoje o Brasil se limita a exportar camarão sem cabeça para os Estados Unidos e com cabeça para a Europa, amargando o pior preço pago pelo quilo do produto no mundo. No ano passado, enquanto a média paga pelos Estados Unidos aos exportadores do crustáceo foi de US$ 7,53/kg, o Brasil conseguiu apenas US$ 4,46.
"Não podemos continuar vendendo o camarão como commodity. Na Tailândia, por exemplo, 70% das exportações do crustáceo são de produtos elaborados. E existe mercado para isso. Tanto que os Estados Unidos – maiores consumidores mundiais de camarão – importaram 504,5 mil toneladas no ano passado, das quais 60% foram de produtos processados", compara.

Crédito bancário
No início do ano, Banco do Nordeste (BNB) atendeu a uma antiga reivindicação dos carcinicultores, disponibilizando uma linha de crédito de custeio isolado para o setor. O Banco do Nordeste estreou nessa modalidade de crédito disposto a destinar cerca de 20% dos recursos do Fundo Constitucional do Nordeste (FNE) para capital de giro no setor produtivo da região como um todo.
Em 2004, o BNB conta com R$ 4,5 bilhões em carteira para financiar o setor produtivo. O crédito para custeio financia a compra de insumos e matéria-prima.


Fonte: Gazeta Mercantil

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