A MILÍCIA BOLIVARIANA DO PT

A MILÍCIA BOLIVARIANA DO PT
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Ofereci meus ombros. Como escada ele subiu. Abri o caminho para ele passar. Na hora da porrada a cara era a minha. Fui seu irmão seu amigo e companheiro... Um dia encontrou comigo. Me deu um beijo. Virou as costas e partiu. Lembrei de Jesus e as 30 moedas"
Poema do mensaleiro João Paulo Cunha que revela a mágoa em relação ao ex-presidente LULArápio.
"Anos atrás recebi do então governador de Brasília Cristovam Buarque o ‘premio manuel bonfim’, atribuído ao meu livro "Chatô, o rei do Brasil". Já pedi à Marília para localizar a placa de prata. Vou devolver. de golpista não quero nada. Nem prêmio".

Escritor Petralha Fernando Morais

“Que pena que nossos gênios estejam tão obtusos. E tão viciados no aparelhamento. O PT corrompeu mais do que a política, corrompeu a inteligência e o caráter. E aos poucos vão mostrando que a volta da Dilma por mais dois anos, com essa gente, vai embrutecer o País e seguir se apropriando do Estado. Pior que não tem juiz Moro para este tipo de roubo: da inteligência e do caráter. Ele não falou em devolver os dez mil que recebeu do prêmio. Na época eram dez mil dólares. Nem o que ele fazia no governo do Quercia".

Senador Cristovam Buarque

+ LIDAS NA SEMANA

sábado, março 21, 2015

J. R. Guzzo: A pior subversão






Por J. R. Guzzo na Veja



Foi marcado para 15 de março, nessa jornada nacional de protesto contra um governo que rompeu relações com os governados, com a razão e com a realidade, um encontro entre o Brasil e a seguinte pergunta: se você não utilizar a liberdade de expressão para criticar o governo do seu país, então para que raios ela serve? Há um bom tempo, ou desde sempre, os atuais donos do poder no Brasil se esforçam dia e noite para impor à população uma tramoia perversa. A liberdade, dizem, só serve quando é usada para concordar com eles, ou para tratar de algum assunto que não os incomode; quando alguém se vale do direito de livre expressão para discordar do ex-presidente Lula, da presidente Dilma Rousseff e do PT, está praticando um delito.


Essa liberdade domesticada, inofensiva e sujeita à aprovação prévia das autoridades, que o governo quer empurrar à força para cima do país, não é liberdade nenhuma – não serve para nada, a não ser para ele mesmo. As manifestações de 15 de março estão destinadas a esclarecer quais são os direitos que estão atualmente em vigor – os que só podem ser exercidos mediante autorização do Palácio do Planalto e do Instituto Lula, ou os que são garantidos pela Constituição brasileira para todo cidadão que se manifesta dentro da lei.


É melhor deixar em paz os números relativos ao tamanho das demonstrações – mais ou menos pessoas na rua não alteram em nada o fato de que o Brasil vive as primeiras manifestações genuinamente populares desde o movimento das Diretas Já, há mais de trinta anos, e de que o governo está se mostrando perfeitamente incapaz de dar uma resposta decente a isso. Este é o fato real – os descontentes existem, e diante deles a trindade Lula-Dilma-PT tem provado a cada dia, pelo que diz e pelo que faz, que não consegue entender como funciona uma democracia.


O alicerce do raciocínio que levam a público, e em cima do qual vão amontoando todas as suas reações, é o seguinte: a manifestação de discordância é perigosa. É um pensamento ruim. Sempre que um governo dá a si próprio o direito de silenciar quem se opõe a ele, só tem um caminho pela frente: ir tomando decisões cada vez mais repressivas, pois o ato de repressão praticado hoje só poderá ficar de pé se for sustentado pelo ato de repressão praticado amanhã. É a receita das tiranias.


É claro que o atual governo brasileiro não tem meios práticos para criar uma ditadura no Brasil; Lula e seus dependentes sabem que não tem. Mas, ao persistirem na sua estratégia atual, estão dividindo cada vez mais o país em dois lados, e tratando como inimigo o lado que discorda. Tenta-se vender, no fim das contas, a falsificação da virtude. As forças que controlam o governo insistem em dizer que são as únicas representantes do bem no Brasil, por terem ganhado as quatro últimas eleições presidenciais; quem se opõe a elas, portanto, é o mal. Ganhar quatro eleições seguidas é enorme. Quantos regimes, pelo mundo afora, podem apresentar um desempenho igual? Mas Lula, Dilma e o PT agem como se isso lhes tivesse dado aprovação eterna, e como se o povo já tivesse decidido que eles devem ficar lá para sempre – qualquer outra possibilidade é considerada um ataque à vontade popular, e qualquer tentativa de alternância do poder recebe o carimbo de “subversão”. Afirmam sem parar que os descontentes, a começar pelos que se acham no direito de ir a manifestações de rua, são “golpistas” que babam de raiva. Comportam-se como a ditadura, que via em toda expressão de desacordo uma conspiração de “comunistas”.


É difícil achar um conjunto de provas que atestem tão claramente essa opção totalitária como as declarações que o PT faz em público, com o suporte de sua máquina de propaganda remunerada ou voluntária. O esforço mais repetido nessa catequese é o sequestro da palavra “popular”. Ela só tem validade, segundo Lula, quando é aplicada a quem está a favor. As manifestações do dia 15, por exemplo, não são “populares”; são coisa privativa de gente rica, ou de um ou outro boçal que não sabe o que é bom para ele próprio. O panelaço do domingo anterior, armado livremente pela internet nas 24 horas precedentes, foi descrito como uma brincadeira desses mesmos ricos no terraço de seus apartamentos de luxo – inclusive em São Bernardo, Vila Velha e outros notórios redutos da alta burguesia. (A propósito: ressuscitou-se a palavra “burguês”, em desuso desde os anos 60 do século passado.) O governo nega a possibilidade de que exista fora da classe “AAA” algum brasileiro indignado com a corrupção. Também não admite que um cidadão do povo possa ter valores morais; moralidade, na filosofia do PT, é apenas “moralismo”, um vício que só ocorre nas mais altas esferas da sociedade. Os 51 milhões de eleitores que votaram em Aécio Neves e contra Dilma, na última eleição presidencial, não fazem parte da população do Brasil.


Nada disso altera em um grama o que acontece no mundo das realidades. Pouco depois do panelaço das elites, a presidente viu-se enxotada por um temporal de vaias do percurso que deveria seguir durante sua visita a uma exposição em São Paulo; a cada dia fica mais complicado para Dilma andar a pé em lugares públicos do país que governa. Lula, então, parece incapacitado para exercer o direito de ir e vir. Suas aparições continuam restritas a recintos fechados e ambientes onde dá para vetar a entrada do público em geral. Ali, na segurança de plateias formadas apenas por militantes, faz discursos carregados de ameaças, insultos e rancor contra “eles” – todos os que querem dizer em voz alta que não concordam com o seu catecismo. Na última delas, num ato em “defesa da Petrobras” no Rio de Janeiro, prometeu pôr “o exército do MST” na rua. Foi ouvido, pouco depois, quando mulheres “sem terra” e com o rosto coberto por lenços invadiram um centro de pesquisas para destruir mudas de eucalipto; chegaram lá a bordo de quinze ônibus fretados por uma organização que vive de dinheiro público. É uma situação curiosa: como nem Dilma nem Lula podem sair à rua, ambos acham que ninguém mais pode. Não adianta a presidente dizer que admite o direito de manifestação, quando todos os que estão no seu bonde atacam diariamente quem quer se manifestar contra ela. Adianta menos ainda fazer advertências contra a possível “violência” dos protestos quando não foi capaz de dizer uma única palavra para condenar a selvageria que o MST acaba de praticar.


A recusa das forças do governo em aceitar que a população se exprima livremente em público não poderia ser mais óbvia, também, quando acusam os manifestantes de ser os costumeiros “golpistas” deste país. Tornou-se a última moda, nessa toada, dizer que quem discorda está querendo inventar um “terceiro turno” para as eleições do ano passado. Quem, até agora, sugeriu anular a eleição de Dilma? Ou será que o PT está querendo que, uma vez encerrada a votação, fique proibida qualquer crítica ao vencedor? Um disparate com idênticos teores de falência mental é a tese, especialmente exótica, segundo a qual quem se manifesta a favor do impeachment de Dilma está propondo um “golpe militar”. Como é mesmo? Qualquer cidadão brasileiro tem o pleno direito de falar a favor do impeachment; na verdade, pelo que está escrito na lei, tem até o direito de assinar ele mesmo um pedido legal de deposição do presidente da República. (O PT, ainda outro dia, chefiou a campanha que levou ao impeachment de Fernando Collor. No governo seguinte, defendeu abertamente o “Fora FHC”; só sossegou quando Lula foi enfim eleito.)


É realmente extraordinário que diferenças de opinião possam levar ao ódio. Mas é justamente isso que Lula, Dilma e o PT estão construindo no momento. Estimulam um Brasil onde as pessoas desprezem umas às outras, ignorem a tolerância e obedeçam a quem manda. Essa é a pior subversão.

Percival Puggina: Vigaristas a serviço da roubalheira petista





Do bandoleiro Stédile ao ex-frade Leonardo Boff, passando pelo próprio Lula, todos deturpam a realidade em nome de suas toscas concepções ideológicas. Como diz Percival Puggina, em artigo publicado no ZH, o diabo não é bom conselheiro:


Pelo menos dois milhões e meio de pessoas saíram às ruas no dia 15 de março. Diziam, em essência, quatro coisas: Fora Dilma! Fora PT! Chega de corrupção! E a que estava escrita na camiseta que eu usava: Impeachment! A desaprovação da presidente, em março, segundo levantamento da Datafolha, chegou a 62%. Em fevereiro, o mesmo instituto dizia que para 52% dos brasileiros Dilma é falsa, para 47% é desonesta e para 46%, mentirosa. Nada surpreendente quando esses números se referem a quem disse que "a gente faz o diabo em época de eleição".

Num sistema de governo bem concebido, do tipo parlamentarista, tal situação levaria ao voto de desconfiança. O governo cairia. No presidencialismo, tem-se o que está aí: uma crise institucional. Então, era preciso contra-atacar. Qual o conselho do diabo numa hora dessas? "Diz que teus opositores não gostam de pobre!", recomendaria o Maligno. Foi o que fez Lula, num discurso à porta do hospital onde a Petrobras, por culpa dele e de seus companheiros, respira por meio de aparelhos.

Disse o ex-presidente: “O que estamos vendo é a criminalização da ascensão social de uma parte da sociedade brasileira. (...) A elite não se conforma com a ascensão social dos pobres que está acontecendo neste país”. Por toda parte, o realejo da mistificação, da enganação, da sordidez intelectual passou a ser acionado por gente que se faz de séria. Colunistas chapa-branca, artistas subsidiados pelo governo, intelectuais psicologicamente enfermos se alternam na manivela do realejo, a repetir essa tese.

O líder do MST, João Pedro (quebra-quebra) Stédile, falando ao lado de Dilma no RS, enquanto eu escrevia este artigo, rodou a manivela: "A classe média não aceita assinar a carteira da sua empregada doméstica. A classe média não aceita que o filho de um agricultor esteja na universidade. A classe média não aceita que os negros andem de avião. A classe média não aceita que o povo tenha um pouco mais de dinheiro”. Suponho que na opinião dele, os patrocinadores do MST são santos cujas meias deveriam ser guardadas para fazer relíquias, apesar de esfolarem a nação e encherem os próprios bolsos e os bolsos dos ricos. Quão tolo é preciso ser para se deixar convencer de que o povo sai às ruas porque pobres e pretos andam de avião e não por estar sob um governo que se dedicou a fazer o diabo? Como pode a mente humana entrar em convulsões e a alma afundar em indignidades de tais proporções?

Leonardo Boff, foi outro. Perdeu boa parte de sua fé católica, mas não a fé em Lula, a cujo alto clero não se constrange de pertencer. Dia 16, em Montevidéu, declarou: "No Brasil há uma raiva generalizada contra o PT, que é mais induzida pelos meios de comunicação, mas não é ódio contra o PT, é ódio contra os 40 milhões (de pobres) que foram incluídos e que ocupam os espaços que eram reservados às classes poderosas". É assim que o petismo age. Deve haver um lugar bem quente no inferno para quem se dedica a esse tipo de vigarice intelectual.

Vigarice, sim. E tripla vigarice. Primeiro, porque transmite a ideia equivocada de que o PT acabou com a pobreza, quando o partido está empobrecendo a todos, a cada dia que passa. Segundo, porque a nada o petismo serviu mais do que à prosperidade material de sua alta nomenklatura e a dos muitos novos bilionários que, há 12 anos, servem e se servem do petismo. Terceiro, porque só o PT se beneficia da pobreza dos pobres, aos quais submete por dependência.O desenvolvimento econômico e social harmônico é generoso. A ascensão dos pobres, quando ocorre de fato e não por doação ou endividamento, beneficia a todos. Isso até o diabo sabe.

Felipe Moura Brasil: Em 3 frentes contra o PT, oposição pede investigação de Dilma e do Mais Médicos e punição de Thomas Traumann




Destaco três medidas da oposição para o leitor passar o fim de semana feliz.

Espero que todas sejam vitoriosas.

1) Ação contra Thomas Traumann pelo financiamento de blogs sujos do PT

A coluna Radar, aqui de VEJA.com, informa que o PSDB vai entrar com uma ação de improbidade administrativa contra o ministro Thomas Traumann, o Traumann do Brasil, porque no seu relatório interno fica provado que o governo usa “verbas publicitárias para abastecer o seu exército de blogueiros” na guerra suja da internet.

Escrevi dois posts sobre o relatório: aqui e aqui. Como eu disse no segundo, citando o autor: Adeus, Traumann. “Os robôs foram desligados” e você também.


Rubens Bueno (PPS), Mendonça Filho (DEM), o ministro relator Teori Zavascki (STF), Raul Jungmann (PPS) e Bruno Araújo (PSDB). Também participaram da reunião de quarta-feira, no Supremo, Carlos Sampaio (PSDB) e Arthur Maia (SD)

2) Pedido de investigação de Dilma Rousseff

O ministro Teori Zavaski, relator da Operação Lava Jato no Supremo Tribunal Federal (STF), ficou de pedir ao procurador-geral da República, Rodrigo Janot, que se pronuncie sobre o agravo regimental impetrado por Raul Jungmann, do PPS, para que a presidente Dilma Rouseff seja investigada pelos desvios de dinheiro da Petrobras.

O PPS pede, com base em sólida jurisprudência e apoio de PSDB, DEM e SD, que Zavaski reconsidere sua decisão de não investigar a presidente, dada em atendimento ao pedido de Janot.

O procurador-geral poderá encontrar argumentos jurídicos para impedir a investigação, como expliquei em detalhes aqui.

Mas duas revelações recentes poderão pesar em sua decisão:

a) Pedro Barusco afirmou na CPI da Petrobras que a campanha presidencial recebeu 300 mil dólares da SBM, vindos do exterior (ver item 5: aqui);

b) O vice-presidente da Camargo Corrêa admitiu o pagamento de uma propina de 10 milhões de reais para as campanhas do PT, inclusive a de Dilma (ver item 1: aqui).

3) Pedido de investigação do programa “Mais Médicos”

O senador Ronaldo Caiado (DEM-GO) entrou nesta sexta-feira (20) com uma representação no Ministério Público Federal contra o ministro da Saúde, Arthur Chioro, pelas ilegalidades cometidas no “Mais Médicos”. Uma das provas citadas no documento refere-se à gravação veiculada no Jornal da Band na terça (17) e repercutida com vídeo aqui no blog, na qual integrantes do governo e da OPAS acertam detalhes do termo de cooperação para mascarar a finalidade central do programa de financiar a ditadura cubana.

Caiado solicita investigação da responsabilidade de gestores envolvidos na formatação e execução do programa e ressarcimento aos cofres públicos de recursos utilizados indevidamente. O senador inclui também na representação os assessores do Ministério da Saúde, a coordenadora do Mais Médicos na OPAS, Maria Alice Fortunato, e o assessor internacional da Presidência da República, Marco Aurélio Garcia, como pessoas a serem investigadas. Mas não para aí:

“Pedimos que se investigue se parte desses recursos repassados a Cuba, que já somam R$ 1,8 bilhão, retornaram ao país como caixa 2 de campanha”, acrescentou Caiado.

Na quinta-feira, a Comissão de Relações Exteriores e Defesa Nacional (CRE) já havia aprovado requerimento para convidar Chioro e seus comparsas para esclarecer esse episódio.



Felipe Moura Brasil
http://www.veja.com/felipemourabrasil

JOSIAS DE SOUZA: Em crise, PT perdeu o recato, o discurso e a rua





Quando estourou o mensalão, o PT simulou desconforto. Chegou mesmo a encenar o expurgo do então tesoureiro Delúbio Soares dos seus quadros. Hoje, no auge do petrolão, o partido não consegue exibir nem mesmo um mal-estar fingido. Perdeu inteiramente o recato.

Quando a cúpula do PT foi parar na cadeia, o partido fez pose de vítima injustiçada. Hoje, com o tesoureiro João Vaccari Neto denunciado pela Procuradoria e o mito José Dirceu devolvido às manchetes policiais, a legenda finge-se de morta. O PT perdeu o discurso.

No primeiro mandato de Lula, quando a oposição ensaiou um coro de impeachment, o PT ameaçou convulsionar o asfalto. Há uma semana, o meio-fio rosnou para o petismo e pediu a saída de Dilma. O PT perdeu o monopólio da rua.

No comando do poder federal desde 2003, o PT atravessa a mais grave crise de sua curta existência de 35 anos. A legenda chega ao seu 5º Congresso, marcado para junho, de ponta-cabeça.

Considerando-se a pauta do Congresso —da “atualidade do socialismo petista” até “a economia política pós-neoliberal”— o PT está perdido. Não é que o partido não tenha farejado uma solução para o seu problema. Em verdade, o PT ainda não enxergou nem o problema.

O PT assiste à hemorragia da recém-instalada segunda administração de Dilma Rousseff com a passividade de quem se julga capaz de ressuscitar com Lula em 2018. Erro primário. Sem Dilma, pode não haver Lula daqui a três anos e nove meses.

Pregoeiro do “nós-contra-eles”, o PT testemunha o crescimento do “quase-todos-contra-nós”. Acusa os adversários de estimularem o ódio contra o PT. Mas esquece de levar em conta que o antipetismo é uma reação ao ódio destilado pelo PT.

O manual anticrise do PT está com o prazo de validade vencido. Qualquer um que não reze pelo catecismo da legenda é um lacaio da elite branca de olhos azuis. Mas a crise moral e a ruína política que fazem a caveira do PT não carregam as digitais da oposição. Com a imagem e as práticas estilhaçadas, o PT afunda sozinho.

MERVAL PEREIRA: "Em busca de apoio político, a presidente Dilma deu mais um passo em falso ontem ao ir ao encontro do líder do MST José Pedro Stédile, aquele cujo exército Lula ameaçou convocar"




Por Merval Pereira


Em busca de apoio político, a presidente Dilma deu mais um passo em falso ontem ao ir ao encontro do líder do MST José Pedro Stédile, aquele cujo exército Lula ameaçou convocar caso a situação política o exija.

Diante do incômodo que a expressão causou entre os cidadãos comuns, e, sobretudo, entre os militares, que fizeram chegar ao ministro da Defesa Jacques Wagner o desconforto com a alegada metáfora, fora de hora por belicosa e por colocar-se em contraponto ao Exército brasileiro, a presidente Dilma não poderia ter lugar mais polêmico para ir do que o assentamento Lanceiros Negros, em Eldorado do Sul, no Rio Grande do Sul, sua terra.

E ainda por cima ouviu de Stédile, mais que conselhos, orientações de como deve governar. É bem verdade que a chamou de “quase uma santa”, e prometeu defendê-la dos “golpistas” que falam em impeachment. Mas para tal deu sua receita: disse que nenhum ministro deve “se sentir superior ao povo”, e recomendou que eles sejam “mais humildes” para ouvir “o povo, as nossas organizações, para saber onde tem problema”.

“Por que o seu (Joaquim) Levy não vem discutir conosco? Não é só cortar e cortar”. Stédile chegou a propor a Dilma que chame o povo “para baixar a taxa de juros”. Também criticou a “classe média reacionária” que foi às ruas no dia 15 de março para protestar contra o governo, e anunciou uma manifestação do MST no dia 7 de abril para defender o governo.

Aproveitou para conclamar a presidente da República para sair do Palácio do Planalto e ir também para as ruas. Como da outra vez, dias antes de uma manifestação que já está sendo convocada contra o governo Dilma para o dia 12 de abril. Se havia dúvidas sobre a viabilidade dessa manifestação entre os que a organizam pelas redes sociais, a marcha do MST deve indicar que ela se torna necessária.

Dilma, em entrevista depois dos atos do MST, defendeu o direito de Stédile dizer o que acha, e preferiu criticar os que se manifestaram contra ela nas ruas do país. “Tem gente no Brasil que aposta no quanto pior, melhor. São os chamados pescadores de águas turvas. O que querem não me interessa. O fato é que apostam contra o Brasil. Você não pode apostar contra o seu país”.

Esse naturalmente é mais um equívoco de Dilma, em busca de apoio fora do jogo político tradicional, mesmo que tenha afirmado que não concorda com tudo o que Stédile disse. Essa é mais uma característica dessa crise: a presidente da República é minoritária dentro de seu campo político.

Ela depende do PMDB, do PT, do ex-presidente Lula, e até mesmo do MST, se levarmos em conta que foi atrás dele num momento especialmente delicado da vida nacional, quando as ruas passaram a ser o palco da ação política a favor e contra seu governo e o PT.

A manifestação dos chamados “movimentos sociais” – MST, CUT, UNE - na sexta-feira que antecedeu o grande protesto que colocou mais de 2 milhões de pessoas nas ruas do país contra o governo Dilma, revelou uma fragilização desses movimentos que frustrou o objetivo de demonstrar força contra a “elite de mierda”, como Stédile se referiu à oposição em comício recente na Venezuela em favor de Maduro.

Nada disso impedirá, e ao contrário aumentará a pressão, para uma reforma ministerial desejada, por razões distintas, por todas as forças que fazem parte do grupo político que a sustenta. Dilma terá que resistir entrincheirada no Palácio do Planalto onde acolhe um grupo de apoiadores minoritários entre as diversas facções do PT.

A reforma que a esquerda petista quer não é a mesma do PMDB, e o que o MST quer não combina com o que o governo pretende para o agronegócio brasileiro. Neste momento, o arroubo de negar uma reforma ministerial mais ampla é mais uma tentativa de firmar sua liderança, e deixar de ser vista como um fantoche do Lula.

Mas é uma tentativa que tem pouca chance de vingar, pois ela não tem força política para esse tipo de arroubo. Corre o risco de queimar a língua mais cedo do que se pensa.

Humberto de Luna Freire Filho: O Day After






Artigo no Alerta Total – www.alertatotal.net
Por Humberto de Luna Freire Filho


Guardei com muito carinho o vídeo do espetáculo circense oferecido ao "respeitável público" no último dia 18 pelo nosso Congresso Nacional. Um espetáculo de baixaria proporcionado por dois nobres representantes da podre, aética e imoral atual política brasileira e que, sem dúvidas, consolida ainda mais a degradação do Poder Legislativo, formado em sua maioria por incompetentes, corruptos e ladrões do erário, que se vendem à melhor oferta. Tenho vários amigos e parentes nos EUA e na Europa, e, após pensar bem e pedir a todos muitas desculpas, achei por bem lhes enviar o vídeo pornográfico. Afinal eles estão morando fora do país, mas também são brasileiros.


O espetáculo protagonizado no dia dezoito teve representantes das duas mais corruptas facções do governo: o Executivo e o Legislativo. O do Executivo, até então ministro da Educação, o senhor Cid Gomes. Segundo o protagonista do Legislativo, ele não tem educação. Acrescento eu, lhe faltam também moral, ética e honestidade. Essa figura, há poucos dias, declarou que havia de 300 a 400 "achacadores" no Congresso. É o sujo falando do mal lavado. Pergunto, que moral tem esse elemento para falar alto após ter contratado uma artista, Ivete Sangalo, por R$ 650.000,00 reais para um show na inauguração de um hospital público no interior do estado do Ceará? E mais, quando aluga um jato, reúne toda a sua família e parte para explorar a Europa por conta dos cofres públicos?


Na outra ponta do espetáculo, o representante do Legislativo, nada mais nada menos do que o presidente da Câmara dos Deputado, imaginem só, o terceiro homem na linha sucessória para ocupar o cargo de Presidente da República, e que está atolado até o pescoço na operação Lava-Jato que investiga a podridão na Petrobras. Confesso com toda a sinceridade que, se eu fosse deputado, pediria perdão aos meus eleitores e renunciaria. Jamais me adaptaria a esse ambiente de total corrupção, mal caratismo e pouca vergonha. Moral tem que estar acima de tudo e esse predicado, naquele antro, passou longe.


As manifestações do dia 15 passado pediam o Impeachment da dona Dilma. Não deixa de ser um ato constitucional. O problema será o "day after". É verdade que tudo o que aí está tem que ser mudado. Porém ficam as seguintes perguntas: em primeiro lugar, se nada muda, continuaríamos por mais quatro anos com os desmandos dessa anta que nos governa? Em segundo lugar, se a presidente e seu vice forem afastados, assumiria o presidente da Câmara? Ele é o terceiro na linha sucessória, mas está com pé direito no portão da Papuda. O quarto na linha sucessória é o presidente do Senado, um indivíduo mais podre do que o terceiro, e que já não está há mais de oito anos apodrecendo na cadeia porque o Brasil realmente não é um pais sério. Aqui só vai para a cadeia PPP - preto, pobre e puta; se tiver dinheiro passa na Papuda só para conhecer, depois vai para casa gastar o dinheiro roubado e rir da nossa cara. Agora, dá para imaginar quem seria o quinto na linha sucessória? O atual presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), o senhor Ricardo Lewandowski.


Esse ministro dispensa comentários, já é conhecido de todos pela sua coragem, imparcialidade e independência com relação ao poder Executivo. Nunca visitou o Palácio do Planalto; afinal não deve muito à criatura, preferia ficar lá por São Bernardo do Campo e receber ordens do criador (ao qual ele deve muito), sobre como deveria agir na condução da ação Penal 470, mais conhecida como mensalão. Em vista de tudo isso, tomei uma decisão; não vou mais pedir o Impeachment da presidente, vou pedir muitos anos de vida para ela de preferência à frente do governo.


"Viva a presidenta" e que sobreviva o Brasil, mesmo com a troca da bandeira para vermelho, já que as nossas FFAA dormem em berço esplêndido e fazem vista grossa à nossa Constituição, a qual tem a obrigação de garantir e defender juntamente com a nossa integridade territorial. 


Nossas fronteiras Norte estão apagadas; Roraima tornou-se terra de ninguém. Falo com conhecimento de causa, porque lá estive e até paguei pedágio para índio porque, segundo eles, lá é terra do povo indígena. Dentro das nossas fronteiras, eu só reconheço um povo, o povo brasileiro. A fronteira do Brasil com a Colômbia tornou-se o maior entreposto de venda de drogas do mundo, além de entrada de armas de grosso calibre para alimentar milícias, leia-se MST. Enquanto isso, o governo faz vista grossa e desarma o cidadão de bem. A fronteira do Acre com a Bolívia é zona livre para a entrada de haitianos, que vem engrossar o "exército" do coronel Stédile que atende ordens do general Lula.


Onde está nossa polícia aduaneira? há poucos meses, desembarcou em São Paulo um bando de milicianos da Venezuela para fazer manifestação junto ao MST, na cidade de Guararema. Onde estava o Itamaraty? Dormindo ou conivente quando o Ministro de Comunidades e Movimentos Sociais da Venezuela, um tal de Elias Jaua, invadiu nosso território e foi ao Rio Grande do Sul firmar acordo de cooperação com o Movimento dos Sem Terra (MST)?. Uma instituição que na verdade nunca existiu, não passa de uma leva de bandidos comandada por um não menos bandido, que acaba de passar uma semana na Venezuela convocando bolivarianos de toda a América do Sul para lutarem contra o Brasil caso a presidente caia. Essa "coisa" deveria, ao voltar ao país, ser preso e julgado por crime de lesa-pátria 


O Brasil hoje vive uma situação bem mais ameaçadora para a sua democracia do que em 1964. Hoje, a esquerda radical já está no governo e extremamente organizada. Uma verdadeira Máfia com raízes profundas nos Três Poderes da República, capaz de fazer inveja a todos os mafiosos vivos e também aos mortos. Aparelhou o Estado com 75.000 cargos de confiança, dados a incompetentes e corruptos, mas leais ao partido e municiados com altos salários. Abarrotou os cofres com dinheiro roubado das empresas estatais, hoje deficitárias, Petrobras, BNDES, Banco do Brasil e abriu conta em paraísos fiscais.


Fez sociedade com uma dúzia de grandes empresas que atuam em setores estratégicos da economia e que pertencem ou são dirigidas por empresários corruptos com a finalidade de manter um constante fluxo de caixa para o partido. Calou a boca dos remediados através de falsos programas de inclusão social. Esmaga a classe média com altos impostos e tenta segregá-la, criando castas de minorias privilegiadas que tentam ditar normas para as maiorias, jogando brasileiros contra brasileiros. Calou a imprensa com a propaganda oficial superfaturada. Sucateou e tenta desmoralizar as FFAA nomeando para ministro da Defesa gente do naipe de Celso Amorim, que desmoralizou o Itamaraty, e, na atual gestão, nomeou para Defesa um bêbado incapaz de defender a própria casa.



Humberto de Luna Freire Filho é Médico.

Coronel da PM manda um recado para a PresidANTA Dilma

Aécio Neves: "Quem governa o Brasil é o Renan e o Cunha"



Principal nome da oposição, o presidente nacional do PSDB diz que Dilma Rousseff perdeu o controle do governo e que o PT defende apenas os interesses do partido e não dos brasileiros


No final da campanha eleitoral do ano passado, quando esteve perto de derrotar a presidente Dilma Rousseff, o senador Aécio Neves se mostrava orgulhoso por ter reencontrado multidões nas ruas, sensação que não tinha desde a mobilização das Diretas Já, em 1984. No dia 15 de março, Aécio acompanhou o gigantesco protesto contra Dilma da janela de seu apartamento no Rio – e surpreendeu-se mais uma vez com a força popular. “O que aumenta o distanciamento entre a sociedade e a presidente é a sensação do engodo”, afirma Aécio, referindo-se às medidas tomadas pelo governo que contrariam o discurso de campanha de Dilma.


"O governo Dilma Rousseff terminou antes de começar. A cada dia,
as denúncias de corrupção chegam mais próximas da cúpula do PT"


Presidente nacional do PSDB e principal nome da oposição, o senador mineiro acompanha com atenção os confrontos entre o Palácio do Planalto e o Congresso Nacional. “A presidente ainda não sabe, mas hoje quem governa o Brasil é o Renan Calheiros e o Eduardo Cunha”, afirma Aécio, referindo-se aos presidentes do Senado e da Câmara, respectivamente. Nesta entrevista, o parlamentar diz que ainda não há elementos para o impeachment, mas é mordaz na avaliação do trabalho de Dilma: “Este governo terminou antes de começar.”

Istoé - Multidões protestam contra o governo, as investigações da Lava Jato trazem novas revelações todos os dias e o ministro da Educação, Cid Gomes, foi demitido depois de dizer que mais de 300 parlamentares são achacadores. O que está acontecendo com o Brasil?

Aécio Neves - Este governo terminou antes de começar. O Brasil hoje tem um interventor na economia (o ministro da Fazenda, Joaquim Levy), de quem a presidente Dilma é dependente. Ele cumpre uma agenda que não é aquela proposta pela presidente da República durante a campanha. Do ponto de vista político-administrativo, nós vivemos no parlamentarismo. A presidente não sabe ainda, mas quem governa o Brasil hoje é Renan Calheiros, na presidência do Senado, e Eduardo Cunha, na Câmara dos Deputados. E olha que esses são personagens que vivem um momento delicado. Enquanto isso, os indicadores econômicos se deterioram, as denúncias de corrupção cada vez chegam mais próximas da cúpula do PT e dos beneficiários dessa grande organização criminosa, como nomeia a Polícia Federal, que se instalou na Petrobras e sabe-se lá onde mais.

Istoé - Qual é a saída para a crise?

Aécio Neves - O que aumenta o distanciamento entre a sociedade e a presidente é a sensação de engodo. A mentira que conduziu a campanha da presidente Dilma, agora mostrada em todas as suas cores à população, aumenta o sentimento de indignação que já tinha razões objetivas para existir com a corrupção, o desacerto na economia, o aumento nas contas de luz e nos combustíveis. Sempre que teve que optar entre o Brasil e o PT, o partido ficou com o PT. 

Istoé - O senhor tem exemplos disso?

Aécio Neves - Vou citar quatro exemplos. Foi assim na eleição de Tancredo Neves para presidente, que pôs fim ao ciclo autoritário. O PT expulsou os parlamentares que votaram em Tancredo. Depois, o PT se negou a apoiar a Constituição de 1988 (o partido se recusou a participar da homologação coletiva da Constituição). No governo de Itamar Franco, de conciliação nacional, o PT afastou Luíza Erundina por ter aceitado ser ministra. Por último, no Plano Real, o PT atrapalhou como pôde. 


Istoé - O senhor defende o impeachment da presidente Dilma?

Aécio Neves - Essa não é a agenda do PSDB. O impeachment precisa de alguns componentes que ainda não se colocaram. Mas não podemos tapar o sol com a peneira. Essa não é uma palavra proibida. O impeachment é uma previsão constitucional e setores da sociedade falam abertamente nisso. Não dá para acreditar que o governo quer enfrentar a corrupção se aceita que o tesoureiro do partido da presidente, investigado pelo Ministério Público, com indícios graves de recebimento de propina, continue no cargo. O Brasil e o governo vivem uma crise de credibilidade. 

Istoé - Qual é o papel de Eduardo Cunha neste cenário de crise?

Aécio Neves - Eduardo inegavelmente assumiu uma liderança na Câmara dos Deputados, expressa na suja eleição em primeiro turno. Mas eu o vejo, ainda, apesar de todos esses percalços, como um líder do PMDB, um partido aliado do governo. O PMDB participa de forma muito expressiva do governo. Nós temos de fazer nosso papel e a oposição o tem feito de forma extremamente competente e vigorosa. 

Istoé - Como se explica a demissão do ministro Cid Gomes?

Aécio Neves - Esse é um fato inédito e mostra, claramente, o descontrole do governo. Depois do enfrentamento público, pessoal, com o presidente da Câmara dos Deputados , o ministro obviamente perdeu as condições de ficar no governo. O que fica disso é a sensação de que não há governo, que o descontrole é absoluto. Mas houve outro fato extremamente grave nesta semana no governo.

Istoé - Qual?

Aécio Neves - O documento, vazado de dentro do Palácio do Planalto, que atesta que o governo cometeu crime durante a eleição. Confirma que robôs financiados pelo governo foram usados para fazer campanha para a presidente Dilma. É a velha dificuldade do PT de separar o que é público, do que é partidário e do que é privado. Mostra que os critérios de distribuição de verba pública levam em conta, em grande parte, a vinculação ideológica e política. O documento é atribuído ao ministro Thomas Traumann (da Secretaria de Comunicação Social). Ele será convocado para vir ao Senado e à Câmara. Ao mesmo tempo, estamos entrando com um ação pública contra o ministro e uma ação de improbidade administrativa na procuradoria da República do Distrito Federal. 

Istoé - Qual será a agenda do PSDB nos próximos meses?

Aécio Neves - Queremos avançar em alguns temas da reforma política no Congresso. Posso antecipar algumas: fim da reeleição, com mandatos coincidentes de cinco anos para todos os cargos majoritários; cláusula de barreira, para que os partidos voltem a ter conexão com setores da sociedade e não sejam apenas legendas a serviço de interesses menores. Não é razoável que nós tenhamos no Congresso 28 partidos funcionando. Defendemos também o voto distrital misto que, na visão do PSDB, parece ser o caminho mais adequado para aproximarmos um pouco mais a sociedade dos seus representantes. 

Istoé - Quer dizer que a agenda prioritária do PSDB será a reforma política?

Aécio Neves - Claro que não. Temos também a agenda anticorrupção. Nesse aspecto, o governo requenta propostas, apresenta projetos que tramitam no Congresso, algumas até já em fase final de aprovação. Ontem (quarta-feira, 18), apresentamos na Câmara dos Deputados uma proposta que cassa o registro dos partidos políticos que, comprovadamente, tenham recebido dinheiro de corrupção em seu caixa partidário ou nas campanhas eleitorais. Estou falando inclusive de caixa 1 com dinheiro ilícito. Hoje existe essa possibilidade para partidos que recebem dinheiro do exterior. Eu gostaria que o primeiro apoio a essa proposta fosse do PT.


Istoé - O PT anunciou que vai pedir ao STF a abertura de uma investigação contra o senhor, com base nas investigações da Lava Jato, sobre desvio de dinheiro de Furnas. Qual é sua opinião sobre isso?

Aécio Neves - Abram todas as investigações. Ninguém no Brasil foi tão investigado como eu, que sou adversário frontal do PT. Eu recebi um atestado de idoneidade de todos os órgãos públicos. Na verdade, isso é uma ação de um deputado estadual de Minas Gerais (Rogério Correia, do PT) que busca um pouco de publicidade para a sua atuação. 

Istoé - O senador Antonio Anastasia (PSDB-MG), que pertence ao seu grupo político, também está na lista de investigados. Qual é a dimensão desse problema para o PSDB?

Aécio Neves - É uma grande injustiça. Eu tenho absoluta convicção que o senador Anastasia será o primeiro inocentado. A investigação em relação a ele é a única que não vem das delações premiadas. Tem como base o depoimento de um ex-policial federal que disse ter entregue dinheiro para alguém em Minas Gerais que se parecia com uma fotografia do Anastasia. Imagina, ele não era apenas um candidato, já era governador de Minas Gerais. A história é tão sem pé nem cabeça que não se sustenta. Já há uma afirmação do advogado de quem seria o “mandante” desse dinheiro, de que jamais enviou dinheiro para o Anastasia. 

Istoé - Alguns setores do PT dizem que o ministro da Fazenda, Joaquim Levy, é “tucano”. O que o senhor acha da atual política econômica?

Aécio Neves - Joaquim Levy é um homem de bem. Agora, o ajuste fiscal proposto por ele, que se sustenta no aumento da carga tributária e na supressão de direitos trabalhistas, não seria o ajuste do PSDB. Na verdade, não se mexeu até agora na questão estrutural. Não se discutiu, por exemplo, a profissionalização das agências reguladoras, para que elas sejam realmente instrumentos do Estado, estimuladoras do investimento privado. Tivemos uma redução de 8% no investimento privado no último ano. Fevereiro foi o pior mês em geração de empregos com carteira assinada dos últimos quinze anos. A inflação já beira os 8%. Onde está o governo?

REINALDO AZEVEDO: Documento da Secom em que governo assume o uso dos blogs sujos para a “guerrilha” e em quem se propõem ilegalidades na área de comunicação


PSDB entra com representação contra ministro por causa de documento aloprado



Carlos Sampaio (SP), líder do PSDB na Câmara, entrou com uma representação no Ministério Público Federal contra Thomas Traumann, ministro da Comunicação Social. O partido o acusa de improbidade administrativa por usar a Secom (Secretaria de Comunicação) para a promoção pessoal e eleitoral da presidente. A confissão está num documento que traz a chancela do órgão, revelado pelo Estadão. Já escrevi a respeito.

No texto que veio a público (íntegra aqui), a Secom admite que usa blogueiros como “soldados”, que “disparam” com “munição” fornecida pelo governo. Fica a óbvia sugestão de que se trata de uma parceria comercial. É asqueroso. O documento vai além: defende que a publicidade federal se concentre em São Paulo, casada à imagem do prefeito Fernando Haddad.

Isso contribuiria para diminuir a sua rejeição, o que seria bom para Dilma. O autor do texto diz ainda que é preciso submeter a uma mesma orientação as páginas de Dilma na Internet (inclusive uma administrada pelo PT), a “Voz do Brasil” e a “Agência Brasil”, que são órgãos do Estado brasileiro, não do governo.

A representação apresentada pelo PSDB considera:
“Nesse mesmo documento, aparecem análises sobre as estratégias das campanhas da presidente Dilma de 2010 e 2014, além de propostas para ‘virar o jogo’ eleitoral, dividindo responsabilidades, exclusivas da Pasta, com pessoas alheias à administração pública, como o PT, o Instituto Lula e blogueiros”. Diz Sampaio: “Pelo que se extrai do referido documento, em nenhum momento as ações da Secom visavam beneficiar o cidadão brasileiro, mas sim fazer com que a presidente Dilma se viabilizasse politicamente e eleitoralmente”.

O texto da Secom deixou perplexos até alguns governistas. Traumann está nos EUA e não comentou o vazamento do documento. Ele é apontado como candidato à vaga do lulista Wilson Santarosa, que foi demitido da gerência de Comunicação Institucional da Petrobras. Pois é… Se o homem, naquele texto, apontou “caos político” no Brasil, a gente pode imaginar o que diria da estatal nestes dias.

Vamos ver. A questão obviamente não está neste ou naqueles nomes apenas. O que interessa é o procedimento. Se Traumann sair da Secom — e não vejo como possa ficar depois de revelar as práticas que estão em curso —, isso não quer dizer que vá necessariamente melhorar. Depende de quem será escolhido.

Enquanto a verba de publicidade for usada para beneficiar amigos e punir os indiferentes; enquanto o governo recorrer à mão de obra de aluguel para promover a baixaria nos blogs e nas redes sociais, bem, será dispensável demonstrar que crimes estarão sendo cometidos por lá.


LEIA A ÍNTEGRA DO TEXTO
Onde estamos
A comunicação é o mordomo das crises. Em qualquer caos político, há sempre um que aponte “a culpa é da comunicação”. Desta vez, não há dúvidas de que a comunicação foi errada e errática. Mas a crise é maior do que isso. As forças políticas que elegeram Lula e Dilma são minoritárias nas redes socais desde os movimentos de 2013. Isso por uma singularidade clara do mundo digital: o Facebook, o twitter, o G+, etc., são espaços privilegiados para o ataque, a zombaria e a propagação de palavras de ordem. É um espaço onde o convencimento, o diálogo, a troca de ideias até existe, mas é lenta e geralmente se prega para convertidos.
Parece contraditório, mas o panelaço do dia 8 e as marchas deste dia 15 mostram que as redes sociais não estão perdidas para Dilma e Lula. No dia 8, até uma hora depois do pronunciamento, houve mais tuítes a favor a Presidenta do que contra. No domingo, houve uma disputa equilibrada até a PM falar em um milhão na Paulista, desmobilizando todo o regimento pró­governo. Óbvio que esse movimento virtual não altera as derrotas políticas do panelaço e das pessoas nas ruas, mas mostram que nem tudo está perdido.
Ironicamente, hoje são os eleitores de Dilma e Lula que estão acomodados brigando com o celular na mão, enquanto a oposição bate panela, distribui mensagens pelo Whatsapp e veste camisa verde­-amarela. Dá para recuperar as redes, mas é preciso, antes, recuperar as ruas.

Como chegamos até aqui

A campanha presidencial de 2010 foi a primeira na qual a comunicação digital teve um papel relevante no resultado das urnas. O uso de vídeos montados sobre aborto e fechamento de igrejas evangélicas marcou um novo patamar da baixaria na disputa política brasileira. A campanha digital Dilma/2010 foi mais de resistência e de combate a boatos do que de convencimento. Os blogues não geraram conteúdo, mas foram fundamentais na propagação de reportagens da grande imprensa como caso Paulo Preto e da bolinha de papel.
O início do primeiro governo Dilma, no entanto, foi de rompimento com a militância digital. A defesa ferrenha dos direitos autorais pelo Ministério da Cultura e o fim do diálogo com os blogues pela Secom geraram um isolamento do governo federal com as redes que só foi plenamente restabelecido durante a campanha eleitoral de 2014. Em 2015, o erro de 2011 foi repetido. Pesquisa feita pela FGV no dia do segundo turno de 2014, com base em amostra de mais de 600 mil tuítes, mostrava as redes sociais brasileiras divididas, com leve vantagem para o campo pró­Dilma.
A partir de novembro, as redes sociais pró-­Dilma foram murchando até serem quase extintas. Principal vetor de propagação do projeto dilmista nas redes, o site Muda Mais acabou. Os robôs que atuaram na campanha foram desligados e a movimentação dos candidatos do PT foi encerrada.
Mas o movimento mais impressionante ocorreu entre os militantes, os apoiadores da candidatura de Dilma. Pesquisa da FGV mostrou que, a partir do final de novembro _ com o anúncio de Joaquim Levy para o Ministério da Fazenda e as primeiras medidas do ajuste_ a militância orgânica dilmista começou a parar de defender o governo. Houve um soluço pró­-Dilma nas redes no dia da posse, mas a pesquisa da FGV é afirmativa: houve um descolamento entre o governo e a sua militância.
A ausência de agendas públicas da presidenta da eleição ao carnaval, a mudança nas regras do seguro desemprego e pensão por morte, o desastrado anúncio de cortes do FIES, o aumento nos preços da gasolina e energia elétrica e o massacre nas TVs com as denúncias de corrupção na Petrobras geraram entre os dilmistas um sentimento de “abandono” e “traição”. Constata-­se hoje nas redes uma mágoa dos eleitores de Dilma, registradas em frases como “votamos nela e a política econômica é do Aécio”, “não tinha como ela não saber dessa corrupção toda na Petrobras”, “ela disse que a vaca não ia tossir, mas tossiu”, “ela mexeu nos direitos dos trabalhadores”, “na hora de pedir voto ela aparecia e agora sumiu”, “ela disse que ia segurar a conta de luz e soltou” etc…
As páginas dos deputados e senadores do PT pararam de defender o governo. Hoje, por exemplo, a página do deputado Jean Wyllys, do PSol, tem um peso na defesa do governo maior que quase toda a bancada federal. É sintomático que a principal página do Facebook pró­Dilma não oficial, a Dilma Bolada, começou a perder fãs em fevereiro, o que pode significar uma situação de quebra de imagem. Apenas as páginas oficiais Portal Brasil/Blog do Planalto/ Facebook da Dilma e o site do PT seguem defendendo o governo, mas suas mensagens não conseguem ser reverberadas fora da sua corrente de seguidores. Ou seja, o governo e o PT passaram a só falar para si mesmo.
A tática do PSDB foi exatamente a oposta. Cerca de 50 robôs usados na campanha de Aécio continuaram a operar mesmo depois da derrota de outubro. Isso significou um fluxo contínuo de material anti­Dilma, alimentando os aecistas e insistindo na tese do maior escândalo de corrupção da história, do envolvimento pessoal de Dilma e Lula com a corrupção na Petrobras e na tese do estelionato eleitoral. Tudo com suporte avassalador da mídia tradicional. Simultaneamente, a partir do final de janeiro, as páginas mais radicais contra o governo passaram a trabalhar com invejável profissionalismo, com uso de robôs e redes de Whatsapp. Desde janeiro, a página no Facebook do grupo Revoltados Online teve o engajamento de 16 milhões de pessoas nos últimos três meses. O Vem Pra Rua chegou a 4 milhões. Para comparar: no mesmo período as páginas do Facebook Dilma Rousseff e PT foram compartilhadas por 3 milhões de pessoas. Em estimativas iniciais, a manutenção dos robôs do PSDB, a geração de conteúdo nos sites pró­impeachment e o pagamento pelo envio de Whatsapp significaram um gasto de quase R$ 10 milhões entre novembro e março.
Deu resultado. Em fevereiro as mensagens/textos/vídeos oposicionistas conseguiram a capacidade de atingir 80 milhões de brasileiros. As páginas do Planalto mais as do PT, 22 milhões. Ou seja, se fosse uma partida de futebol estamos entrando em campo perdendo de 8 a 2.
De um lado, Dilma e Lula são acusados pela corrupção na Petrobras e por todos os males que afetam o País. Do outro, a militância se sente acuada pelas acusações e desmotivada por não compreender o ajuste na economia. Não é uma goleada. É uma derrota por WO.
Como virar o jogo?
Como virar o jogo
Não será fácil virar o jogo. Pesquisa telefônica SECOM/ Ibope mostra que 32% dos entrevistados mudaram de opinião sobre o governo negativamente nos últimos seis meses. Esse movimento é mais perceptível entre os moradores do interior (35%), pessoas com renda familiar entre 2 a 5 SM (36%) e que avaliam o governo como regular (37%). As principais razões para essa mudança são: os escândalos de corrupção (31%), aumento da inflação (28%) e o fato de o governo “não cumprir o que promete” (16%).
As responsabilidades da comunicação oficial do governo federal e as do PT/Instituto Lula/bancada/blogueiros são distintas. As ações das páginas do governo e das forças políticas que apoiam Dilma precisam ser muito melhor coordenadas e com missões claras. É natural que o governo (este ou qualquer outro) tenha uma comunicação mais conservadora, centrada na divulgação de conteúdos e dados oficiais. A guerrilha política precisa ter munição vinda de dentro do governo, mas ser disparada por soldados fora dele.
Essa coordenação por si só não vai mudar o humor do eleitor dilmista. Mas como mostraram as ações conjuntas no dia 8 e no dia 15, são um início.
O pronunciamento de 8 de março foi extremamente criticado por ser longo e sem substância. As principais críticas ao pronunciamento foram: “fala muito e não diz nada”, “discurso longo e sem propósito”, “não transmite confiança nem entusiasmo”, “não assume responsabilidade por nada”. O pedido de paciência foi o que mais irritou aqueles que um dia já apoiaram Dilma nas redes. Houve um grande número de posts com a mensagem ‘já perdi a paciência!’. A fala dos ministros Rossetto e Cardozo no domingo à noite foram recebidas com panelaço antes que eles falassem a primeira sílaba.
Isso não significa que o público não aguarde respostas curtas e objetivas para perguntas de três grandes temas: corrupção na Petrobras, inflação/crise econômica; e o “estelionato eleitoral”. São perguntas como: “a gasolina subiu porque Dilma, Lula e o PT roubaram na Petrobras?” “Dilma falou uma coisa na campanha e está fazendo outra?”; “a vaca tossiu, ela está mexendo nos direitos dos trabalhadores?”, “ela mentiu ao dizer que o Aécio é que ia aumentar a gasolina e a luz?”, “por que ela sempre culpa a crise internacional e não assume que errou?”, “por que ela deixou a inflação explodir?”, “o que ela está fazendo para acabar com a corrupção na Petrobras?”, “a campanha dela recebeu dinheiro do esquema lava jato?”, “como ela pode falar em Pátria Educadora e cortar o FIES?”, etc… Sem responder claramente a essas perguntas não há como a militância se sentir respeitada de novo e, de novo, defender o governo. É preciso aceitar a mágoa desses eleitores, reconquistá-­los.
Óbvio que essa reconquista não é apenas um trabalho de comunicação. Não adianta falar que a inflação está sob controle quando o eleitor vê o preço da gasolina subir 20% de novembro para cá ou a sua conta de luz saltar em 33%. O dado oficial IPCA conta menos do que ele sente no bolso. Assim, como um senador tucano na lista da Lava Jato não altera o fato de que o grosso do escândalo ocorreu na gestão do PT. A entrevista presidencial desde dia 16 foi um excelente início. Ao falar com firmeza sobre o seu compromisso com a democracia, explicar de forma fácil a necessidade do ajuste fiscal e assumir falhas como a da condução do Fies, a Presidente deu um rumo novo na comunicação do governo. Não pode parar.
É preciso que a PR fale mais, explique, se exponha mais, seja nos quebra-­queixos pós-­evento, seja respondendo ouvintes da Voz do Brasil (20 milhões de ouvintes), seja com a mídia tradicional (TV aberta, de preferência), seja com a volta das entrevistas por Facebook. Não importa quantos panelaços eles façam. É preciso consolidar o núcleo de comunicação estatal, juntando numa mesma coordenação a Voz do Brasil, as páginas de sites, twitter e Facebook de todos os ministérios, o Facebook da Dilma e a Agência Brasil.
A publicidade oficial em 2015 deve ser focada em São Paulo, reforçando as parcerias com a Prefeitura. Não há como recuperar a imagem do governo Dilma em São Paulo sem ajudar a levantar a popularidade do Haddad. Há uma relação direta entre um e outro. Dizem que passado o terremoto de Lisboa, o rei Dom José perguntou ao marquês de Alorna o que podia ser feito. Ele respondeu: “Sepultar os mortos, cuidar dos vivos e fechar os portos”.
Sepultar os mortos significa que não adianta ficar reclamando e discutindo como teria sido se o terremoto não tivesse ocorrido. Cuidar dos vivos é que, depois de enterrar o passado, temos que cuidar do que sobrou, dar foco ao presente. Fechar os portos, evitar o pânico entre os nossos, impedir o salve­-se quem puder, a fuga em massa. Significa que não podemos deixar que ocorra um novo tremor enquanto estamos cuidando dos vivos e salvando o que restou.
Fonte: Reinaldo Azevedo

Reinaldo Azevedo: Dilma chama um movimento que pratica crimes de “democrático” e trata como criminosos os que saem às ruas para cobrar decência





A presidente Dilma Rousseff foi nesta sexta a um assentamento do MST (Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra), em Eldorado do Sul, na região metropolitana de Porto Alegre, para participar da abertura da colheita de arroz ecológico. E ouviu uma aulinha de política do professor João Pedro Stédile.

O professor João Pedro Stédile é aquele que prometeu pôr seu “exército” a serviço da preservação do mandato de Dilma. O professor João Pedro Stédile é aquele que, há poucos dias, saudou um ato de terrorismo praticado por seus soldados mulheres, que invadiram um laboratório de pesquisas e destruíram mudas de eucalipto transgênico. O professor João Pedro Stédile é aquele que promove, com alguma frequência, bloqueio de estradas e que lidera, do gabinete, a indústria de invasão de propriedades rurais.

Se alguém ainda não entendeu, escrevo de outro modo, por meio de indagações. Se Dilma pode ir a um evento de um grupo cujos membros cometem crimes em penca — e o fazem de modo que não possam ser responsabilizados por isso —, com que outras forças criminosas também poderia se encontrar para demonstrar que gosta do diálogo? Se trabalhadores ditos “sem terra” têm licença para depredar laboratórios, que tipo de crimes seriam tolerados de trabalhadores com terra, presidente?

É, senhoras e senhores! Dilma não foi ao evento apenas para prestigiar o MST. Teve de ouvir um pito de Stédile, que cobrou humildade dos ministros. Mais do que isso: reivindicou que Joaquim Levy vá discutir as medidas fiscais com o MST. Acusou ainda o ajuste em curso de prejudicar programas sociais. Falou por 19 minutos. Dilma discursou por 33. Defendeu as medidas na área econômica, afirmou que não pode governar com os olhos de um “movimento social” e negou que os mais pobres estejam sendo prejudicados. A presidente, em suma, se justificava diante de Sua Excelência João Pedro Stédile.

Retrato, até aqui, como diria a poeta Cecília Meireles, “o patético momento” de Dilma. A coisa iria piorar muito, caminhando para o grotesco. Em entrevista depois da solenidade, afirmou a presidente:
“Acho absolutamente democrática a crítica dele. Agora, entre a crítica ser democrática e a gente aceitar a crítica, tem uma pequena distância”.

A presidente já tinha percorrido uma boa parte da trilha do erro. Poderia ter parado por aí. Mas, quando se é Dilma, sempre se dá mais um passo depois de chegar ao limite. Resolveu atacar a oposição, aqueles que seriam partidários do “quanto pior, melhor”. Mandou bala: “Tem gente no Brasil que aposta no quanto pior, melhor. São os chamados pescadores de águas turvas. O que querem não me interessa. O fato é que apostam contra o Brasil. Você não pode apostar contra o seu país”.

Dilma tem, agora, a obrigação de dizer quem aposta no quanto pior, melhor. Dilma tem agora a obrigação de dizer quem aposta contra o Brasil. Dilma tem agora a obrigação de dizer quem é o pescador de águas turvas.

Eu vou dizer por que o governo está perdido. Se a presidente tivesse ido à Avenida Paulista no domingo — ou a qualquer outra das mais de 200 cidades onde houve protesto —, não teria conseguido discursar. Nesta sexta, no assentamento do MST, ela foi aplaudida. Nas ruas, estavam pessoas comuns, que trabalham, que arrecadam impostos, que não praticam crimes, que não recorrem à violência. No assentamento do MST, os invasores contumazes de propriedade alheia e defensores de atos terroristas contra laboratórios de pesquisa. Não obstante, Dilma associa os que protestam ao “quanto pior, melhor” e deixa claro que não se interessa por aquilo que querem. Mas chama Stédile e sua turma de democratas.

Em larga medida, e ainda voltarei a este ponto em outros textos, Dilma lembra certo presidente chamado João Goulart: é fraca, atrapalhada, mal cercada e permite que o baguncismo se infiltre no governo. Felizmente, é outro o espírito do tempo, sem a crispação ideológica daqueles dias. E outra também é a consciência das Forças Armadas. Não querem ser governo e, por determinação constitucional, são garantidoras últimas da legalidade e na normalidade constitucional. Mais: ainda que os companheiros tenham tentado, não conseguiram quebrar as pernas das instituições.

O Brasil seguirá na trilha democrática, qualquer que seja o desfecho da gestão Dilma. Não porque eles queiram. Mas porque nós queremos.

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