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quarta-feira, setembro 10, 2014

DEFESANET: MOVIMENTAÇÃO CUBANA NO BRASIL E NA VENEZUELA DESPERTA SUSPEITAS



Oficiais brasileiros encontram (e fotografam) um “agente de Saúde” cubano empenhado, no sertão nordestino, em propaganda castrista, e autoridades colombianas detectam a presença de militares cubanos na fronteira da Venezuela com a Colômbia


Por Roberto Lopes para DefesaNet


Quem é Jesus Velásquez?

Algumas semanas atrás, militares das Forças Armadas encontraram, por acaso, o cubano Jesus Velásquez, um suposto “agente de Saúde” do Programa “Mais Médicos”, entregue a um fervoroso proselitismo castrista numa loja maçônica do interior da Paraíba.

Velásquez – ou seja qual for o seu nome verdadeiro – não deveria estar ali. Ele fora designado para atender a população carente de um município do sertão de Pernambuco. Ao ser confrontado com o fato de que estava diante de representantes do Ministério da Defesa do Brasil, empalideceu.

Os militares o fotografaram exaustivamente, o interrogaram e, mais tarde, relataram o caso para os seus superiores e para a Superintendência da Polícia Federal em João Pessoa.

No Ministério da Defesa e no Ministério das Relações Exteriores, em Brasília, nunca houve dúvidas de que Havana despacharia informantes e ativistas do Partido Comunista de Cuba misturados à alegre troupe de médicos e assemelhados contratada pelo Ministério da Saúde para interiorizar a assistência médica no país.

Nota DefesaNet

A revista Veja produziu um infográfico, com a distribuição dos participantes dos Mais Médicos
Mapa do Mais Médicos: Um excelente trabalho com as seguintes informações:
  • População
  • Eleitorado
  • Partido do Prefeito
  • Número de mais médicos e distribuição por todos os municípios do país.
Caro Leitor, cruze as informações como áreas de fronteira, áreas urbanas e municípios com instalações estratégicas (infraestrutura e militares), e terá interessantes informações.




Mas há outros casos de cubanos secretamente interessados pelo Brasil.

Em outubro passado, o conselheiro político da Embaixada de Cuba em La Paz, Manuel Alfonso Rode, abordou o adido da Polícia Federal brasileira na Bolívia, Carlos Rogério Ferreira Cota, com um demorado questionário. Rode – que sequer podia ser considerado um amigo de Cota no corpo diplomático – queria saber se Brasília estava assumindo o lugar de Washington na assessoria ao governo de Evo Morales para a luta contra o narcotráfico, e de que forma se desincumbiria da tarefa – e ainda, por que o regime implantado pelo falecido coronel Hugo Chávez era tão impopular na imprensa brasileira.

Os cubanos se esforçam por transformar o território boliviano em posto de observação (espionagem) da realidade sul-americana, mas sua presença aí é vigiada e controlada de perto pelo Exército de Morales – muito menos comprometido com Havana do que o presidente venezuelano Nicolás Maduro, um ex-motorneiro de metrô que é castrista de coração.

Diplomatas e militares de Cuba sentem-se, não há dúvida, muito mais à vontade em sua trincheira chavista. E só não circulam em completa liberdade porque a estadia deles ainda está um pouco longe de ser tolerada por todos os principais oficiais do Ministério do Poder Popular para a Defesa da Venezuela.

Fronteira

De qualquer forma, equipes colombianas que operam equipamentos de guerra eletrônica – especialmente os de escuta das comunicações militares que cruzam os céus venezuelanos – colhem, de forma crescente, sinais da movimentação de militares cubanos nos fundos do território da Venezuela – ou, em outras palavras, perto das fronteiras desse país com o Brasil e com a Colômbia.

Os representantes do castrismo integram as tripulações de aviões e helicópteros das Forças Armadas da Venezuela, e, não raro, visitam por terra áreas remotas, envergando uniformes da Guarda Nacional e da Milícia local.

A tarefa dos cubanos é, aparentemente, executar levantamentos de áreas geográficas consideradas estratégicas.

Informações que circulam na sede do Comando Sul dos Estados Unidos, no estado americano da Flórida, dão conta de que os cubanos criaram ao menos quatro perímetros de atuação junto à sensível fronteira colombo-venezuelana – o mais importante deles em Guasdualito, cidade de pouco mais de 100 mil habitantes bem no centro da divisa entre os dois países.

Guasdualito sedia o Teatro de Operações Nº 1 do Comando Estratégico Operacional da Força Armada Nacional Bolivariana, e também a 92ª Brigada (92 Brigada de Caribes) do Exército local.

Aí, um destacamento de Havana proporciona instrução à soldadesca venezuelana no manuseio de equipamentos bélicos de procedência russa (inclusive minas terrestres).

Os militares de Cuba também estão empenhados no adestramento da tropa de infantaria blindada venezuelana em Yaracuy, localidade que integra a chamada Región Estratégica de Defensa Integral Central, mais conhecida como Redi-Central. Recentemente, as guarnições venezuelanas dessa área receberam blindados sobre rodas russos do tipo BTR-80.
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LUCIANO AYAN: Qual é o desafio realista para Aécio Neves chegar no segundo turno?




Hoje fui questionado a respeito da minha afirmação a respeito da sobrevivência de Aécio nesta eleição. Minha resposta novamente foi afirmativa: “Sim, ele está vivo”. Como tenho dito, isso é ainda mais verdadeiro após a divulgação do escândalo do Petrolão e a recente desconstrução de Marina feita pelo PT.

Em relação a esta última, parece que o PT realmente lançou um “overkill” contra ela e as diversas contradições da candidata começaram a aparecer: a relação com o Itaú, os programas copiados, as mudanças de posição, os problemas com o jatinho, e, agora, o caso da doação do “fantasma” de Eduardo Campos de 2,5 milhões para o PSB. Para piorar, a comoção com a morte de Eduardo parece ter passado.

Grande mérito do serviço fica com o PT, mas as pesquisas que começam a ser divulgadas amanhã devem mostrar uma queda de Marina. E, pasmem, até uma ligeira queda de Aécio Neves. E uma melhoria na posição de Dilma. Mas vamos ver.

Diante desse quadro, o que Aécio deve fazer para tentar ganhar esta eleição?

Para início de conversa, abandonar os planos mirabolantes (como dizer “daqui duas semanas eu supero a Marina”, o que, como já sabemos, não deu certo), e partir para um planejamento por fases, onde a cada semana deve ser possível avaliar o sucesso ou não dos resultados.

Para isso, deve ser feita uma projeção em torno do que é possível. E, atenção, não digam que “isso não vai acontecer”, pois o plano não é um determinador do futuro, mas das metas que devem ser atingidas em torno de um resultado. Olhem para as metas semanais que é muito melhor, mais realista e com isso evitamos perder o foco.

Neste plano, excluo Dilma (que deve ficar sempre entre 30% e 35% até o final do primeiro turno), e considerei metas possíveis para Aécio em uma competição direta com Marina pelo lugar no segundo turno.

Eis as projeções:
11/09 – Marina 30% – Aecio 14%
18/09 – Marina 27% – Aecio 17%
25/09 – Marina 24% – Aecio 20%
02/10 – Marina 21% – Aecio 23%

O que estou dizendo aí em cima é que a cada semana Aécio precisa ganhar 3 pontos, em média, e Marina precisa perder também 3 pontos. Isso sem contar um ou outro pontinho a ser retirado de Dilma. Não é nenhum bicho de sete cabeças.

E quais as diretivas básicas para isso funcionar? Ei-las:
Deixar Dilma desconstruir Marina durante as próximas duas semanas, o suficiente para que esta perca mais uns 6% até a pesquisa de 25/09. Note que o PT quase não está atacando o PSDB.
Montar um plano de desconstrução do PT durante as mesmas duas semanas. Este trabalho já deve ser iniciado no máximo neste fim de semana. Mas não é para deixar nada (eu disse nada) passar batido: todas as listinhas de méritos levantadas pelo PT devem ser desconstruídas. Não é difícil fazer isso, mas é preciso de levar o trabalho a sério.
Nesse meio tempo, atacar Marina principalmente com ataques transversais, pois não se deve deixar Dilma “escapar”. Ela é a que tem mais poder de fogo, e, curiosamente, também está vulnerável.
Trazer temas novos ao debate (incluindo o Decreto 8243 e o Foro de São Paulo), mas sempre usando todas as técnicas possíveis de guerra política (sim, vão me chamar de iludido, mas este é um “plano” possível – se será executado bem são outros quinhentos).

Tendo feito isso é importante manter os 6 princípios de Horowitz em mente:
Política é guerra conduzida por outros meios
Política é guerra de posição
Na guerra política, o agressor geralmente prevalece
Posição é definida por medo e esperança
As armas da política são símbolos que evocam medo e esperança
A vitória fica do lado do povo

Para qualquer um de nós que quiser pressionar o candidato a usar todas as técnicas possíveis (por e-mail, contatos com amigos, o diabo a quatro), já listo os 16 textos da série “Guerra Política 2014″ feitos até o momento, repletos de dicas de aplicações das técnicas com vários exemplos:


Em especial, as técnicas não devem valer só para o candidato, mas para todos que o apoiem.

Por exemplo, para todos os seus apoiadores, os textos em especial são os de número 9, 10, 13 e 16. Mas todos são importantes e trazem insights relacionados a aplicações práticas na guerra política.

Essa, enfim, é minha sugestão de plano para Aécio chegar ao segundo turno das eleições. Se ele chegar lá, aí deve ser feito um outro plano. Mas aí já são outros quinhentos contos. O negócio agora é foco em uma meta específica: chegar ao segundo turno.

Pelo “ativo” que o candidato tem, e pelo caminhão de m… lançado sobre as duas candidatas da ponta (o Petrolão e a crise brasileira sobre Dilma, e a desconstrução do PT contra Marina), é só levar a coisa a sério que podemos tirar o PT do poder e nem ter sustos com um PSB que pode fazer como os petralhas, colocando sua mão boba em planos bolivarianos.

OSSAMI SAKAMORI: Marina Silva, a camaleoa!



Não entendo o eleitorado brasileiro, se é que as pesquisas eleitorais estejam retratando a realidade. Já ajudei nos bastidores das campanhas majoritárias no meu estado e sei que as pesquisas são manipulados conforme desejo quem contrata. Mas, vamos lá. Vamos admitir que as pesquisas estejam corretas.

As pesquisas feitas pelos mesmos institutos de pesquisas, que são privadas, apontam que 70% do eleitorado brasileiro deseja, neste momento, mudanças no rumo da política econômica. Isto parece ser consenso.

As pesquisas apontam as candidatas Marina Silva, PSB/AC e Dilma Rousseff, PT/RS disputando as primeiras posições e Aécio Neves, PSDB/MG em terceira posição.

Que mudança querem os eleitores, se a Dilma Rousseff representa a continuidade da política econômica equivocada? Que mudança querem os eleitores, se a Dilma representa o mais perverso bando de rapinas que dilapidam o patrimônio público? São inúmeros escândalos de ladroagem na administração Dilma, que um deles resultou no denominado "Petrolão". A permanência da Dilma Rousseff por mais 4 anos é continuidade do processo de ladroagem, que iniciou no mandato do seu antecessor Luís Inácio Lula da Silva, PT/SP.

Que mudança querem os eleitores, se a Marina Silva representou até há 4 anos, como Senadora do PT/AC por dois mandatos, 16 anos. A Marina Silva, foi ministra do Meio Ambiente do governo Lula. Até então, concordava com a política do PT que tanto critica hoje como candidata, rotulando-a de "velha política". O que mudou na Marina Silva, depois de longos anos de militância no PT?

Marina Silva é esperta. Marina Silva, hoje defende a "nova política", criticando a polarização PT/ PSDB. Isto é uma estratégia esperta da Marina. Ao defender a "nova política", criticando o "toma lá, dá cá" e colocando os principais partidos que comanda a política nos últimos 20 anos como algozes, ela chama atenção para si. Tese brilhante do marqueteiro dela. Uma forma de livrar se roupagem antiga.

Engana-se os eleitores brasileiros. A Marina Silva não defende a "nova política". A Marina Silva defende a velha teoria "neoliberal" do PSDB. Defende o mesmo tripé econômico, em tese, do Aécio Neves, PSDB/MG, o "neoliberal" original. Marina Silva tem a petulância de dizer que o Aécio Neves é que está copiando o programa dela. Isto já é demais. Mas o povo acredita na "coitadinha" da Marina Silva. Deve estar mesmo pensando que o Aécio Neves esteja copiando o programa da Marina Silva.

Na área política, a Marina Silva, não diferencia em nada dos "velhos políticos". O partido que ela pertence, o PSB, está envolvido em contratação de aviões em nome de laranjas. O partido dela, o PSB, é apontado como um dos beneficiários importantes do "Petrolão", ao lado de figuras como Edison Lobão, PMDB/MA, Renan Calheiros, PMDB/AL, Henrique Alves, PMDB/RN. O seu partido PSB que está metido até o pescoço no "Petrolão", nada mais do que representante da "velha política". 

Na área econômica, Marina Silva está sendo assessorada pela Neca Setúbal, controladora junto com o irmão Roberto Setúbal, do Banco Itaú. Que "nova política" quer adotar a Marina se ela tem colaboração do sistema bancário que ela, há apenas 4 anos atrás, criticava como "elites" que saqueavam o País. Hoje, Marina é "repaginada". Marina de hoje, quer distância do MST, que era a sua sustentação política de antes. Hoje, a Marina Silva representa, em tese de marketing, à direita do Aécio Neves. Que guinada, não é, Marina?

Quem defende a maneira "neoliberal" ortodoxa de resolver os problemas do País, sem sobressaltos, com metas definidas em política econômica, como Aécio Neves faz. O povo prefere a "salvadora da pátria", a Marina Silva, mesmo que ela tenha feito "lavagem cerebral" e tenha mudado para o pensamento "neoliberal", pregando a "nova política" com os "velhos políticos". O povo, por enquanto, está preferindo a cópia ao original. Fazer o que?

Marina Silva é um verdadeiro camaleão que muda de "cores" conforme o ambiente que vive. Eu continuo firme com o meu candidato neoliberal original Aécio Neves e sua equipe de formuladores da política econômica representada pelo Armínio Fraga. Eu fico com o Aécio Neves, que propõe, trazer o ambiente econômico que possibilite o desenvolvimento sustentável da economia do Brasil por longos anos. Não propõe nenhuma aventura.

No outro lado estão a Dilma chefe da ladroagem e a Marina camaleoa. As duas representam, na verdade, a velha prática do mestre de ambas, o Lula, contador de mentiras e chefe da quadrilha de arrombadores de cofres públicos.


Ossami Sakamori

terça-feira, setembro 09, 2014

FLAVIO QUINTELA: Plebiscito Constituinte, mais uma tentativa de golpe!



ESCRITO POR FLAVIO QUINTELA

O movimento está colhendo apoio nas ruas e é encabeçado por organizações de esquerda e extrema-esquerda, entre as quais o PT, o PCdoB, a CUT e dezenas de sindicatos.


Começou na segunda-feira uma ação coordenada em todo o Brasil por um movimento que se intitula Plebiscito Constituinte. Com uma roupagem patriótica, uma comunicação feita nas cores da bandeira brasileira e um apelo à juventude que foi às ruas em junho de 2013, esse movimento tenta viabilizar algo que há muito vem sendo considerado pelo atual governo e por todo o PT como uma peça-chave para a supressão do Estado Democrático de Direito: uma Constituinte para modificar o sistema político brasileiro. Essa aberração foi sugerida pela primeira vez pela própria presidente Dilma Rousseff em seu pronunciamento de 24 de junho de 2013.

A ideia vai ao encontro das práticas bolivarianas usadas com sucesso para destruir as democracias vizinhas, como a da Venezuela. A substituição da democracia representativa pela chamada “democracia direta” tem sido a forma mais eficiente de corroer o jogo democrático usando suas próprias regras. Ao contrário do que diz o dito popular, a voz do povo não é a voz de Deus, e nunca foi. Legislar por meio de plebiscitos é algo inviável, principalmente em um país com as dimensões do Brasil. A massa popular é muito mais manipulável que algumas centenas de parlamentares, e a legitimidade de uma consulta popular só é, na aparência, maior que a de uma decisão votada no Legislativo. Ou seja, para a maioria da população, participar de um plebiscito soa como a coisa mais democrática possível, uma vez que essa mesma maioria não consegue enxergar que sua opinião está sendo moldada e manipulada pelo grupo que ocupa o poder – e, com ele, a maior máquina de propaganda já vista na história brasileira.

Mas voltemos ao tal movimento, que está neste momento colhendo apoio nas ruas. É encabeçado por organizações de esquerda e extrema-esquerda, entre as quais o PT, o PCdoB, a CUT e dezenas de sindicatos. O objetivo final do movimento é forçar a convocação de uma Constituinte exclusiva para modificar os artigos constitucionais que regem o sistema político brasileiro. Hoje, a única maneira de se fazer isso é através de uma emenda constitucional, que por sua vez requer maioria absoluta nas votações das duas casas do Legislativo. Numa Constituinte, só é preciso conseguir maioria simples. Esse fato, mais o clima de pressão popular que tal Constituinte geraria no país, permitiria que o grupo capitaneado pelo PT aprovasse medidas como o financiamento público de campanha e o voto em lista fechada, além de possíveis aberrações como o fim da limitação de dois mandatos consecutivos, a inclusão na Constituição de mecanismos de participação popular, nos moldes do Decreto 8.243, e outras monstruosidades antidemocráticas.

A experiência nos diz que é sempre prudente desconfiar de quem quer mudar as regras do jogo. Depois de 12 anos, pela primeira vez a chance de o candidato petista perder é maior que a de ganhar. A população está deixando claro, diariamente, nas ruas, nas redes sociais, nas pesquisas, que não quer mais esse partido tomando conta do país. E é justamente diante dessa revolta, dessa insatisfação, que está sendo proposta uma solução de ruptura, algo projetado e planejado para ser a tábua de salvação de um grupo político que está afundando. Esse plebiscito tem cheiro de golpe. E de golpe estamos cheios.



Flavio Quintela, escritor e tradutor de obras sobre política e filosofia, é autor de Mentiram (e muito) para mim.

BLOG DO CORONEL: Delação não rima com ilação


O delator em busca de um prêmio, que no limite máximo é a liberdade plena, não brinca em serviço. As regras são claras: as denúncias deverão vir acompanhadas de provas documentais, testemunhais ou de informações que possam levar a cúmplices e a outros criminosos. 

O ex-diretor da Petrobras, Paulo Roberto Costa, pelo que foi apreendido pela PF, possui todas as informações organizadas. Uma verdadeira contabilidade de bilhões não contabilizados. Planilhas, número de contas bancárias, até mesmo recibos ou comprovantes de depósitos. Certamente também está oferecendo informações sobre os "laranjas" que representavam os corruptos beneficiados pelo Mensalão da Petrobras, para que a PF chegue aos verdadeiros culpados.

O prêmio pela delação não é automático. É ao final que o juiz, de posse de todas as informações, analisa o grau de colaboração oferecida pelo réu para só então avaliar a redução ou eliminação da pena a que originalmente o delator estaria sujeito. Desta forma, não existe enrolação ou ilação, como gosta de dizer o PT e a Dilma para desqualificar quem os acusa. Depois de iniciado o processo, não há mais porque fazer chantagem, pois só a verdade passível de comprovação será considerada pelo magistrado.

Da forma como houve o vazamento para a revista Veja, ele não deve ter saído da PF ou do MP. Provavelmente saiu do próprio Paulo Roberto Costa, por meio da sua advogada ou familiares, para que o assunto fique em evidência, valorizando a delação. Assim sendo, é natural que o vazamento continue, cada vez com provas mais robustas, para que não exista chance de que o governo petista e o STF aparelhado venham a arquivar o caso. Não será surpresa alguma se na próxima edição da Veja tenhamos provas documentais contra as mais altas figuras do governo do PT. As mais altas mesmo! Vamos aguardar, porque delação não rima com ilação. Mas pode mudar eleição.

LUCIANO AYAN: Talento e cinismo em escala épica: Gilberto Carvalho diz que culpa do Petrolão é do “financiamento privado de campanha”





Isso é que é esperteza! Como eu já disse anteriormente, os líderes petistas dissimulam além de qualquer padrão conhecido pelo eleitor brasileiro. É verdadeiramente uma elite de embusteiros: um “ativo” de logros que nenhum outro partido possui.

Diante de mais um caso grotesco de corrupção, qualquer pessoa normal ficaria envergonhada, de cabeça baixa. Com Gilberto Carvalho, ocorre exatamente o contrário: ele tenta usar o caso para obter o maior ganho possível para o PT. O truque agora é dizer que “o governo é incapaz de combater a corrupção”. Seria de se perguntar: “Por que o governo não consegue parar de realizar atos de corrupção?”. Até por que todos os beneficiários foram da base aliada do governo. Em síntese, o truque da “incapacidade” não cola.

Se fosse assim, um estuprador deveria ser considerado “incapaz” de se controlar, portanto a culpa seria de suas vítimas por não usarem cinto de castidade. Pensando bem, é melhor não dar ideia…

Claro que a desculpa é repugnante. A maior afronta, porém, vem abaixo, conforme matéria da Veja:


Enquanto houver financiamento empresarial de campanha e as campanhas tornarem-se o momento de muita gente ganhar dinheiro e de se mobilizarem muitos recursos, eu quero dizer: não há quem controle a corrupção enquanto houver esse sistema eleitoral. Isso é com todos os partidos. Não há, infelizmente, nenhuma exceção.

Para começo de conversa, é mentira que “isso é com todos os partidos”. Ao contrário: não há um partido que consiga aglutinar tantos escândalos de corrupção quanto o PT. Simplesmente eles já podem contatar o Guinness.

Tanto é verdade que o PT não pode ser superado em termos de corrupção que até a própria desculpa de Gilberto é mais uma forma de garantir ao governo o privilégio de usar o estado em benefício próprio, o que é a essência da corrupção.

Quando ele fala em “proibição de financiamento empresarial de campanha”, nada mais nada menos pede que todos os demais partidos políticos fiquem à míngua no que diz respeito às verbas privadas de empresas. Todavia, o governo continua controlando as estatais, ou seja, consegue obter muito mais verba para obtenção de apoio político. Decididamente estamos diante de uma raposa querendo tomar conta do galinheiro.

A caradura de Gilberto fica ainda mais evidente ao notarmos que a Petrobrás nem sequer entra na lista dos financiadores de campanha, até por ser proibida por lei de fazê-lo. Logo, não faz o menor sentido colocar a culpa em “financiamento empresarial de campanha” para justificar as atrocidades cometidas contra a Petrobrás e o povo brasileiro.

Como já disse, isso ultrapassa todos os limites conhecidos de cinismo. E quando eu falo de elite psicopática, é exatamente a isto que me refiro: quando comparamos partidos e projetos totalitários de poder, há um outro partido com um time capaz de dissimular na mesma medida em que o PT? É só olhar o discurso de Gilberto Carvalho e buscar similares em outros partidos. E temos que lembrar que além dele temos Tarso Genro, Gleisi Hoffmann, Paulo Bernardo, José Dirceu e Luis Inácio Lula da Silva.

É muito talento concentrado em um partido só para a prática de fraudes intelectuais em larga escala. Chego a dizer que este é o maior motivo para os tirarmos do poder.

MARCO ANTONIO VILLA: O silêncio de Lula



Ao escolher candidatos sem consulta à direção partidária, ele transformou o PT em instrumento de vontade pessoal


Na história republicana brasileira, não houve político mais influente do que Luiz Inácio Lula da Silva. Sua exitosa carreira percorreu o regime militar, passando da distensão à abertura. Esteve presente na Campanha das Diretas. Negou apoio a Tancredo Neves, que sepultou o regime militar, e participou, desde 1989, de todas as campanhas presidenciais.

Quando, no futuro, um pesquisador se debruçar sobre a história política do Brasil dos últimos 40 anos, lá encontrará como participante mais ativo o ex-presidente Lula. E poderá ter a difícil tarefa de explicar as razões desta presença, seu significado histórico e de como o país perdeu lideranças políticas sem conseguir renová-las.

Lula, com seu estilo peculiar de fazer política, por onde passou deixou um rastro de destruição. No sindicalismo acabou sufocando a emergência de autênticas lideranças. Ou elas se submetiam ao seu comando ou seriam destruídas. E este método foi utilizado contra adversários no mundo sindical e também aos que se submeteram ao seu jugo na Central Única dos Trabalhadores. O objetivo era impedir que florescessem lideranças independentes da sua vontade pessoal. Todos os líderes da CUT acabaram tendo de aceitar seu comando para sobreviver no mundo sindical, receberam prebendas e caminharam para o ocaso. Hoje não há na CUT — e em nenhuma outra central sindical — sindicalista algum com vida própria.

No Partido dos Trabalhadores — e que para os padrões partidários brasileiros já tem uma longa existência —, após três decênios, não há nenhum quadro que possa se transformar em referência para os petistas. Todos aqueles que se opuseram ao domínio lulista acabaram tendo de sair do partido ou se sujeitaram a meros estafetas.

Lula humilhou diversas lideranças históricas do PT. Quando iniciou o processo de escolher candidatos sem nenhuma consulta à direção partidária, os chamados “postes”, transformou o partido em instrumento da sua vontade pessoal, imperial, absolutista. Não era um meio de renovar lideranças. Não. Era uma estratégia de impedir que outras lideranças pudessem ter vida própria, o que, para ele, era inadmissível.

Os “postes” foram um fracasso administrativo. Como não lembrar Fernando Haddad, o “prefeito suvinil”, aquele que descobriu uma nova forma de solucionar os graves problemas de mobilidade urbana: basta pintar o asfalto que tudo estará magicamente resolvido. Sem talento, disposição para o trabalho e conhecimento da função, o prefeito já é um dos piores da história da cidade, rivalizando em impopularidade com o finado Celso Pitta.

Mas o símbolo maior do fracasso dos “postes” é a presidente Dilma Rousseff. Seu quadriênio presidencial está entre os piores da nossa história. Não deixou marca positiva em nenhum setor. Paralisou o país. Desmoralizou ainda mais a gestão pública com ministros indicados por partidos da base congressual — e aceitos por ela —, muitos deles acusados de graves irregularidades. Não conseguiu dar viabilidade a nenhum programa governamental e desacelerou o crescimento econômico por absoluta incompetência gerencial.

Lula poderia ter reconhecido o erro da indicação de Dilma e lançado à sucessão um novo quadro petista. Mas quem? Qual líder partidário de destacou nos últimos 12 anos? Qual ministro fez uma administração que pudesse servir de referência? Sem Dilma só havia uma opção: ele próprio. Contudo, impedir a presidente de ser novamente candidata seria admitir que a “sua” escolha tinha sido equivocada. E o oráculo de São Bernardo do Campo não erra.

A pobreza política brasileira deu um protagonismo a Lula que ele nunca mereceu. Importantes líderes políticos optaram pela subserviência ou discreta colaboração com ele, sem ter a coragem de enfrentá-lo. Seus aliados receberam generosas compensações. Seus opositores, a maioria deles, buscaram algum tipo de composição, evitando a todo custo o enfrentamento. Desta forma, foram diluindo as contradições e destruindo o mundo da política.

Na campanha presidencial de 2010, com todos os seus equívocos, 44% dos eleitores sufragaram, no segundo turno, o candidato oposicionista. Havia possibilidade de vencer mas a opção foi pela zona de conforto, trocando o Palácio do Planalto pelo controle de alguns governos estaduais.

Se em 2010 Lula teve um papel central na eleição de Dilma, agora o que assistimos é uma discreta participação, silenciosa, evitando exposição pública, contato com os jornalistas e — principalmente — associar sua figura à da presidente. Espertamente identificou a possibilidade de uma derrota e não deseja ser responsabilizado. Mais ainda: em caso de fracasso, a culpa deve ser atribuída a Dilma e, especialmente, à sua equipe econômica.

Lula já começa a preparar o novo figurino: o do criador que, apesar de todos os esforços, não conseguiu orientar devidamente a criatura, resistente aos seus conselhos. A derrota de Lula será atribuída a Dilma, que, obedientemente, aceitará a fúria do seu criador. Afinal, se não fosse ele, que papel ela teria na política brasileira?

O PT caminha para a derrota. Mais ainda: caminha para o ocaso. Não conseguirá sobreviver sem estar no aparelho de Estado. Foram 12 anos se locupletando. A derrota petista — e, mais ainda, a derrota de Lula — poderá permitir que o país retome seu rumo. E no futuro os historiadores vão ter muito trabalho para explicar um fato sem paralelo na nossa história: como o Brasil se submeteu durante tantos anos à vontade pessoal de Luiz Inácio Lula da Silva.

Marco Antonio Villa é historiador

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