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sexta-feira, fevereiro 13, 2004

BRASILPACK 2004 MOSTRARÁ E PRODUZIRÁ AS ÚLTIMAS TENDÊNCIAS MUNDIAIS DO SETOR DE EMBALAGEM

Quer saber quais os avanços tecnológicos e tipos de embalagem que estarão em alta no mercado brasileiro? A Brasilpack 2004 – Feira Internacional de Embalagem, de 8 a 12 de março, no Pavilhão de Exposições do Anhembi, em São Paulo, trará as últimas novidades do setor e inovará, mais uma vez, ao estruturar as Ilhas de Produção, onde os visitantes poderão conferir as fases de industrialização de vários tipos de embalagens.

A indústria de embalagens desenvolveu-se em ritmo acelerado nas últimas décadas. Num mundo sem fronteiras de mercados, onde os produtos necessitam de eficientes métodos de acondicionamento para chegar com qualidade aos mais remotos pontos do planeta, a embalagem tem um papel fundamental. No Brasil, esse mercado movimenta em torno de US$ 10 bilhões/ano e funciona como um dos principais termômetros da economia do País. Para 2004, segundo projeções da ABRE - Associação Brasileira da Indústria de Embalagem –, a produção nacional atingirá 7,5 milhões de toneladas de matéria-prima.
Principal evento do setor no Hemisfério Sul, a BRASILPACK 2004 - Feira Internacional da Embalagem será uma grande vitrina dos constantes investimentos em matérias-primas e dos modernos processos industriais do setor. O evento reunirá mais de 400 expositores, de 30 países, como Alemanha, Argentina, Canadá, Dinamarca, Espanha, Estados Unidos, França, Colômbia, Inglaterra, Japão, Itália, Suíça, entre outros. A expectativa é atrair 30 mil visitantes de diferentes partes do mundo.
“Estamos estruturando uma feira dinâmica, que, além de apontar as principais tendências na área de embalagens, também mostrará ao público como alguns desses modelos são industrializados. Num ano de boas expectativas de vendas para os diferentes setores econômicos brasileiros, caberá a BRASILPACK 2004 o papel de apontar quais são as maneiras mais eficientes e com menor custo-benefício para as empresas brasileiras embalarem seus produtos para a comercialização no mercado interno e para as exportações”, explica Evaristo Nascimento, diretor da feira.
Além disso, a BRASILPACK 2004 apresentará várias novidades no campo da reciclagem de embalagens, hoje um tema de preocupação mundial. Diferentes métodos nessa área serão apresentados na feira. “Hoje, não podemos desvincular a produção de embalagens do tema reciclagem. O mercado exige que as empresas adotem soluções nessa área. A BRASILPACK 2004 apontará alternativas para essa área, expondo projetos bem-sucedidos de várias industrias”, completa Evaristo.
Realizada pela Alcantara Machado em parceria com a empresa alemã Messe Düsseldorf, organizadora da Interpack, a mais importante feira mundial do segmento, a BRASILPACK 2004 abrirá espaço para uma série de eventos paralelos – conferências, seminários, cursos etc., que abordarão temas atuais do setor, como novas tecnologias e reciclagem.

Feira dinâmica para atrair mais público
Com presença das maiores empresas mundiais do segmento que mostrarão os avanços tecnológicos em termos de produtos e serviços, a BRASILPACK 2004 terá, também, as Expo Linhas de Produção. Nessas linhas compostas por cadeias de máquinas, equipamentos e insumos, o público poderá acompanhar de perto as fases de industrialização de embalagens de plástico, flexíveis, cartão, papel, aço, alumínio, vidro, etc.
“O dinamismo dos processos apresentados nas ilhas, que operam de forma integrada, possibilita aos visitantes melhor análise das máquinas em funcionamento. O projeto Expo Linhas de Produção, que foi introduzindo pela Alcantara Machado de forma pioneira, na edição de 2002 da BRASILPACK, visa deixar a feira mais dinâmica e, com isso, atrair mais público e gerar novas oportunidades de realização de negócios para os expositores”, ressalta Evaristo.

Viagem ao alcance de todos
Com o objetivo de estimular o turismo de negócios e oferecer serviços de qualidade e com menor custo benefício em estadia e deslocamento de pessoas interessadas em visitar a BRASILPACK 2004, a Alcantara Machado criou o Programa Bem-Vindo a São Paulo.
O programa, por meio de uma central de atendimento – (11) 3035-1000 -, disponibiliza, com exclusividade, ofertas de hospedagem e passagens aéreas aos visitantes e expositores. Entre suas vantagens estão: hotéis com descontos de até 70%; passagens aéreas com preços especiais e em até 6 vezes no cartão de crédito; traslados hotel-feira-hotel; reservas em restaurantes, teatros e tours. Outras informações: www.almax.com.br

Curiosidade do setor:
Pesquisadores do Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT), dos Estados Unidos parece ter descoberto uma solução para um dos grandes problemas ambientais do século. Trata-se de um tipo de “plástico verde”, que pode ser reciclado várias vezes sem perder suas características nem precisar ser exposto a altas temperaturas, como é feito o processo hoje. Para moldá-lo, basta uma pressão, já que a mistura de plástico duro com outro mole o torna maleável. (Fonte: www.AffonsoRitter.com.br )


BRASILPACK 2004: 4a Feira Internacional da Embalagem
Data: de 8 a 12 de março.
Horário: das 10 às 19 horas.
Local: Pavilhão de Exposições do Anhembi, em São Paulo – Av. Olavo Fontoura, 1.209, telefone (11) 6224-0400.
Público: Industriais, comerciantes, compradores e profissionais do setor.
Entrada: Convite ou mediante a comprovação de vínculo com o setor.
Proibida a entrada de menores de 16 anos, mesmo acompanhados.
Organização e promoção: Alcantara Machado Feiras de Negócios e Messe Düsseldorf.
Informações: (11) 6221-9908 ou www.brasilpack.com.br


2PRÓ/Ideafix Comunicação
Tel. (11) 3030.9404 / 3030.9442 / 3030.9440

INVESTIMENTOS NA CADEIA PRODUTIVA DO LEITE ESTÃO GARANTIDOS, DIZ LESSA

O presidente do BNDES, Carlos Lessa, garantiu após encontro com o ministro da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, Roberto Rodrigues, que independente do resultado do estudo a ser encomendado pela instituição sobre a situação da economia das indústrias de leite, o banco vai investir no setor. “As portas do BNDES sempre estiveram abertas para financiar empresas interessadas em instalar unidades de leite, mas não havia demanda”, disse o presidente. Agora, o BNDES será aliado do governo na tentativa de reduzir os efeitos da crise da Parmalat.
Lessa informou que nesse estudo a instituição quer se informar profundamente acerca das condições da estrutura industrial brasileira de produção de leite e de lacticínios e como ela se encontra do ponto de vista produtivo, qualidade tecnológica, da qualidade das instalações e padrões de operação. Ele esclareceu que o BNDES não quer conhecer a situação da Parmalat isoladamente, mas da indústria como um todo.
Defendeu ainda que o arrendamento de algumas unidades da Parmalat pode ser uma solução viável a curto prazo, embora o banco não venha a participar diretamente do processo. “A Parmalat tem determinados ativos (empresas ou cooperativas) que estão dispostos, sob certas condições, a operar as unidades. Isto resolve o problema da gestão do sistema hoje existente e, embora não reorganize o setor, é uma boa solução”.
O orçamento total do BNDES este ano é de R$ 47,3 bilhões, contra R$ 34,1 bilhões em 2003. O banco opera com juros abaixo da taxa Selic. O indexador é a TJLP (Taxa de Juros de Longo Prazo), hoje fixada em 10% ao ano. Para empréstimos de até R$ 10 milhões a negociação pode ser feita junto aos agentes financeiros que operam com as linhas de crédito do banco – atualmente 187 agências estão aptas. Acima desse valor, os empréstimos devem ser contratados diretamente no BNDES.


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Orizicultores gaúchos doam 27 toneladas de arroz ao Programa Fome Zero

Os representantes da cadeia produtiva do arroz estiveram reunidos no final da tarde de quinta-feira, em Brasília, com o vice-presidente José Alencar, ministro do Desenvolvimento Social e Combate à Fome, Patrus Ananias, ministro da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, Roberto Rodrigues e deputado federal Érico Ribeiro (PP/RS). Durante a audiência, ficou decidido que os arrozeiros gaúchos irão doar para o Programa Fome Zero, a primeira produção de arroz a ser colhida nesta safra, totalizando em 27 toneladas do produto, ou seja uma carreta de arroz. A entrega simbólica será efetuada durante a 14a Abertura Oficial da Colheita do Arroz, na Granja Zanetti, em Santa Vitória do Palmar, que acontece entre os dias 5 até 7 de março.
A reunião em Brasília também contou com a presença do diretor comercial do Instituto Rio-Grandense do Arroz (Irga), Rubens Pinho Silveira, Élio Coradini, do Sindicato da Indústria do Arroz e Jairton Russo, do Sindicato das Indústrias de Arroz de Pelotas.
Conforme o presidente da Federação das Associações dos Arrozeiros do Rio Grande do Sul (Federarroz), Artur Oscar Loureiro de Albuquerque, durante a reunião com o vice-presidente da República, ele confirmou a presença na abertura da colheita do arroz, em Santa Vitória do Palmar. José de Alencar será um dos homenageados no evento com o título "Homens do Arroz".
Já, a reunião com Patrus Ananias teve como objetivo reivindicar que o governo federal adquira cerca de 500 mil toneladas do cereal gaúcho para o programa Fome Zero, o que equivale a 10% da produção estimada do grão no Estado na atual safra. Anteriormente, o Governo Federal já teria anunciado o interesse pela compra de 750 mil toneladas do produto para o projeto social. Segundo Albuquerque, em razão do Estado ser responsável por aproximadamente 50% da produção arrozeira do País, a maior parte dos estoques em questão poderá ser adquirida da indústria gaúcha.
Durante o encontro, ficou definida a criação de uma comissão paritária entre o governo e a cadeia produtiva para organizar o setor e a tramitação na venda do produto gaúcho. O presidente da Federarroz diz que dessa forma será analisado o preço, forma de pagamento. "Tudo isso evitará o desvio do arroz e especulações, fazendo com que o mesmo arroz colhido no Estado, que apresenta alta qualidade, chegue da mesma forma sem atravessadores", salienta.

Audiência com Lula
Quanto as 27 toneladas do produto a serem destinadas ao Fome Zero, Albuquerque diz que será entregue de forma simbólica na abertura da colheita do arroz. E, em outra oportunidade, toda a quantia colhida deverá ser entregue diretamente ao presidente do País, Luís Inácio Lula da Silva.
De acordo com o presidente da federação, no dia 20 de fevereiro, a comissão organizadora da festa de abertura da 14ª Colheita do Arroz, participa de uma audiência com o presidente Lula, durante a Festa da Uva, em Caxias do Sul.
O encontro com o ministro da Agricultura, Roberto Rodrigues visou debater a liberação de recursos destinados à comercialização da safra 2003/2004.
A intenção da cadeia produtiva é conseguir a liberação de R$ 250 milhões em Empréstimos do Governo Federal (EGFs), R$ 100 milhões em Linha Especial de Crédito (LEC) e R$ 100 milhões na nova modalidade de contrato de opção de venda de grãos. Nesse último tipo de comercialização, a iniciativa privada lança o contrato de opção no mercado e o governo intervém com a equalização do preço. O dirigente da federação destaca que a estimativa de produção da safra de arroz no Rio Grande do Sul é de cinco milhões e 300 mil toneladas de arroz.
Em relação ao inédito contrato de opção privado, Albuquerque salienta que o grupo de trabalho da Câmara Setorial do Arroz já realizou quatro reuniões para avaliar a proposta do Ministério da Agricultura e posteriormente encaminhar sugestões. O presidente da federação informa que o setor aguarda retorno da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) a respeito da análise enviada pela cadeia produtiva. O grupo está formado pela Federarroz, Irga, Federação da Agricultura (Farsul), Sindicato da Indústria do Arroz (Sindarroz), Bolsa Brasileira de Mercadorias (BBM) e Bolsa de Mercadorias da Metade Sul (BMMS).

Márcia Marinho - Assessoria de Imprensa - (53) 99599914

Projeto 10 nas lavouras de arroz tem evento em Dom Pedrito

O município de Dom Pedrito, no dia 17 de fevereiro, será palco para apresentação do Projeto 10 nas lavouras de arroz. Nesse dia, os orizicultores do Estado estarão reunidos para trocar experiências sobre o manejo da cultura. Esse projeto, que nasceu em Dom Pedrito, já chega ao terceiro ano.
Na cidade pedritense, estão envolvidos 14 produtores, com uma área plantada no projeto 10 de 578 hectares.
Para avaliar a produção e trocar experiências, no dia 17, começa um roteiro de visitação nas lavouras. Depois de Dom Pedrito, os demais municípios a serem visitados são Uruguaiana, São Borja e Dona Francisca. O evento é uma promoção da Associação dos Agricultores de Dom Pedrito e Instituto Riograndense do Arroz (IRGA).
De acordo com o diretor administrativo da Associação dos Agricultores, Renato Rocha, essa atividade teve como berço Dom Pedrito, tendo em vista o alto potencial alcançado das cultivares, atingindo até 13 toneladas nos experimentos na Estação Experimental do Instituto Rio Grandense do Arroz (IRGA) local. A partir desta constatação, o pesquisador do IRGA, Valmir Gaedke Menezes encontrou na Associação dos Agricultores receptividade e parceria necessárias, e juntos resolveram encarar o desafio, ou seja de transferir os altos índices de produtividade para a lavoura do município.
Rocha diz que o encontro com os demais municípios envolvidos no Projeto 10 visa promover uma integração. "É o momento de trocar experiências entre os orizicultores locais com os produtores de outras regiões, possibilitando assim a descoberta de manejos mais eficientes dentro do sistema produtivo para aplicação na lavoura de cada um, facilitando o aumento de produtividade", salienta.
O roteiro de visitas em Dom Pedrito terá início às 9h, com recepção de delegações, no trevo principal da BR 293. As atividades seguem às 10h, com visita a lavoura do Projeto 10, do produtor Otto Prade, na localidade do Espinilho. Esse orizicultor tem uma área total de 313 hectares de arroz plantado. Já, do projeto 10, tem plantado 240 hectares, com a variedade BR IRGA 409 e BR IRGA 410, através do sistema semi-direto.
Ao meio dia, os participantes se reúnem para um almoço-palestra, no Restaurante do Parque de Exposições. O tema em pauta é sobre "Visões Avançadas da Demanda Futura do Arroz - Casca e Indústria". O palestrante é o contador Waldomir Coradini, diretor do Engenho Coradini Ltda.
Já, às 14h, o roteiro segue com visita a Lavoura do Projeto 10, na localidade Banhado dos Anastácios, dos produtores Gilberto Raguzzoni e Moisés Teixeira. Essa lavoura tem 800 hectares de arroz plantado, sendo que 14,55 hectares é do projeto 10. Com o sistema de plantio cultivo mínimo, a variedade plantada no Projeto 10 é IRGA 417. Para às 16h, está marcada a visita a lavoura do Projeto 10, na Fazenda Tulipa - localidade Ponche Verde, de Luís e Pedro Forsin. Essa fazenda tem 570 hectares de arroz plantado. A área do projeto 10 é de 112 hectares, com o sistema semi-direto, com a variedade BR IRGA 417. Os trabalhos em Dom Pedrito encerram às 17h, quando a equipe segue para Uruguaiana, São Borja e Dona Francisca.


Programação Oficial:

Terça-feira, dia 17 de Fevereiro de 2004 - Dom Pedrito

9h - Recepção Delegações
Outros Municípios e Produtores Locais - Trevo Principal da BR 293
10h - Visita a Lavoura do Projeto 10 - Produtor Otto Prade - Espinilho
12h - Almoço-Palestra - Restaurante do Parque
"Visões Avançadas da Demanda Futura do Arroz - Casca e Indústria"
Palestrante: Contador Waldomir Coradini - Diretor do Engenho Coradini Ltda
14h - Visita a Lavoura do
Projeto 10 - Raguzzoni e Teixeira - Banhado dos Anastácios
16h - Visita a Lavoura do Projeto 10 - Irmãos Forsin - Fazenda Tulipa -
Ponche Verde
17h - Deslocamento para Uruguaiana - Pernoite

Quarta-feira, dia 18 de Fevereiro de 2004 - Uruguaiana e São Borja

Uruguaiana - Manhã
7h30min - Recepções Delegações
Escritório do IRGA - Rua Dr. Maia, 3698
Visita as Lavouras do Projeto 10: Agropecuária Ceolin, Parceria Bergallo e
Mirabaux Barcelos
12h - Almoço Livre - Local a ser definido

São Borja - Tarde
- Visita a propriedade do Produtor Jonas Da La Porta
- Visita a Indústria Piraí Alimentos - Produtor do Arroz Prato Fino
- Pernoite em São Borja

Quinta-feira, dia 19 de Fevereiro de 2004 - São Borja

7h30min - Inicio dos Trabalhos
Visita as Lavouras do Projeto 10: Produtores César Aquino, Sérgio Ruviaro e
Mauro Bastiane
12h - Almoço Livre - Local a ser definido
Deslocamento para Dona Francisca

Sexta-feira, dia 20 de fevereiro de 2004 - Dona Francisca

7h30min - Inicio dos Trabalhos
- Visita a CAMPAL e a três Lavouras do Projeto 10
12h - Encerramento da Jornada no final da manhã


Márcia Marinho - Assessora de Imprensa - (53) 99599914

Senado vai ouvir cientistas sobre a Lei de Biossegurança

O Presidente do Senado, José Sarney (PMDB/AP), recebeu na quinta-feira (12/2), no seu gabinete em Brasília, o diretor científico da FAPESP, José Fernando Perez, em audiência que durou cerca de 20 minutos. Perez lhe entregou pessoalmente a manifestação de preocupação da Fundação sobre os termos da Lei de Biossegurança aprovada na Câmara e em tramitação no Senado.
De acordo com Perez, o senador entendeu as preocupações da FAPESP, expressa em documento emitido após reunião de seu Conselho Superior no dia 11, e se comprometeu a ouvir a comunidade científica dentro das discussões da lei no Senado, em especial a Associação Brasileira de Ciências (ABC) e a própria Fundação. O documento foi enviado a todos os senadores.
Para o presidente da FAPESP, Carlos Vogt, o maior problema do texto da lei é o grande número de instâncias decisórias, que pode prejudicar a pesquisa científica com células embrionárias e transgênicos. “A Lei de Biossegurança certamente trará prejuízos não apenas à pesquisa mas ao próprio desenvolvimento econômico e social do país”, disse.
Segundo Vogt, a lei põe em risco o investimento feito para a formação de uma infra-estrutura de pesquisa nacional, que inclui a construção de uma rede de laboratórios altamente capacitada e a geração de competência de nível internacional, além da criação de empresas de tecnologia, resultado de uma mudança na cultura empresarial. “Tudo isso se encontra ameaçado por uma lei que não consegue contemplar a dinâmica produtiva do conhecimento científico e da inovação tecnológica”, disse.
O documento da FAPESP foi ratificado por representantes da comunidade científica. “O texto da lei, do jeito que está, pode levar à obstrução de pesquisas. Qualquer proibição ou criação de entraves, que não possam ser resolvidos na prática, vão impedir que trabalhos sejam feitos tanto com organismos geneticamente modificados (OGMs) como com as células-tronco”, disse Marco Antônio Zago, professor da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto, da Universidade de São Paulo (USP), à Agência FAPESP.
A lei determina a criação de dois novos órgãos que terão o poder de legislar sobre o assunto. Além do surgimento do Conselho Nacional de Biossegurança, a lei obriga que toda instituição que usar técnicas e métodos de engenharia genética crie uma comissão interna de biossegurança.
“O processo de tomada de decisão, que envolve pressão de lobbies e acordos políticos, com base em opinião e tabus e sem o esclarecimento das bases científicas, ou seja, dos verdadeiros riscos e dos benefícios, é outra preocupação”, disse Zago.
Em relação às decisões exclusivamente científicas tomadas sobre os OGMs, elas deverão ficar restritas às reuniões da Comissão Nacional de Biossegurança (CTNBio), caso não ocorra nenhuma nova interpretação jurídica do texto atual. Apenas quando se tratar da liberação comercial dos OGMs é que outras instâncias de poder terão que opinar.
A Lei de Biossegurança também redefiniu o papel da CTNBio. A comissão será composta por 27 pessoas, todas com titulação de doutor e designadas pelo Ministro da Ciência e Tecnologia. Do total, apenas 12 deverão ser especialistas de notório saber científico em áreas de conhecimento sobre os setores animal, vegetal, ambiental e de saúde humana.
“O texto da lei apresenta uma série de imprecisões”, disse Mayana Zatz, diretora do Centro de Estudos do Genoma Humano da USP. Grande defensora da clonagem para fins terapêuticos e contrária à clonagem para fins reprodutivos, a cientista defende uma simplificação no corpo da lei.
“O ideal seria que houvesse apenas uma única linha, que proibisse a utilização de células-tronco para fins de clonagem reprodutiva. Só isso. Dessa forma, o problema ético estaria resolvido”, disse.


Fonte: Agência FAPESP

quarta-feira, fevereiro 11, 2004

PROIBIDAS AS IMPORTAÇÕES DE FRANGOS DOS ESTADOS UNIDOS, CONFIRMA O MAPA

O Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento confirmou a suspensão por tempo indeterminado das importações de aves, seus produtos e subprodutos, bem como arroz em casca procedentes dos Estados Unidos. A medida se justifica por causa da ocorrência neste final de semana de um foco do vírus da influenza aviária no Estado de Delaware, informou hoje (10/02) o secretário-executivo do Mapa, Amauri Dimarzio. “Trata-se de um procedimento normal adotado em casos dessa natureza para os países que registram focos de doenças de notificação obrigatória”. Cerca de 60% do material genético (ovos férteis e pintos de um dia) que o Brasil importa nesse segmento são originários dos Estados Unidos.
A partir do mês passado, preocupado com o avanço da gripe do frango, altamente contagiosa, o Brasil decidiu suspender de dez países asiáticos, também por tempo indeterminado, as importações de aves vivas, carnes de aves “in natura”, produtos e subprodutos avícolas não submetidos a tratamentos capazes de tornar inativo o vírus da doença. Está proibida a entrada de produtos da Coréia do Sul, Vietnã, Japão, China, Camboja, Tailândia, Taiwan, Laos, Indonésia e Paquistão. Como medida preventiva, o secretário-executivo divulgou hoje uma série de medidas para evitar a entrada do vírus da influenza aviária no Brasil.


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terça-feira, fevereiro 10, 2004

A mamona que pode gerar emprego e renda

O conhecimento sobre o cultivo da mamona é empírico e a tecnologia empregada, antiquada. A força de trabalho é familiar, com predomínio de cultivares de baixo rendimento. Mecanização e irrigação são alternativas não utilizadas. A produção nacional é insuficiente para atender a demanda de óleo e derivados.
As pesquisas para utilização do óleo de mamona como biodiesel no Brasil estão em pleno desenvolvimento o que ampliará as possibilidades de utilização da mamona como cultivo para o agronegócio brasileiro.
Conceitualmente, o biodiesel é um combustível renovável, biodegradável e ambientalmente correto, sucedâneo ao óleo diesel mineral, constituído de uma mistura de ésteres metílicos ou etílicos de ácidos graxos obtidos da reação de transesterificação de qualquer triglicerideo com um álcool de cadeia curta.
A produção de óleo diesel a partir da mamona pode reduzir a importação de combustível, alem de promover inclusão social através da agricultura familiar. O Brasil importa 16% do diesel que consome, a custos superiores de 1 bilhão de dólares por ano.
O Brasil que já foi o maior produtor mundial de mamona e maior exportador de óleo vegetal oriundo da mamona, quando em 1985 chegou a colher 393.000 toneladas de bagas, posteriormente perdeu esta liderança por uma série de motivos e em 2003 produziu apenas 85 mil toneladas.
Na região nordeste do estado de Roraima encontra-se, aproximadamente, 1,5 milhões de hectares de cerrados aptos para a produção de grãos e culturas industriais como a mamona. As condições climáticas são apropriadas à exploração das culturas, com uma precipitação média anual de 1608 mm e temperatura média anual de 27,0ºC. Programas de melhoramento e de avaliação de cultivares são à base de um processo para implantação e desenvolvimento de uma cultura. Grande parte dos cultivos de mamona no País são realizados com materiais nativos ou não melhorados sendo este, provavelmente, o motivo dos baixos valores de produtividade obtidos.
A produtividade média da mamoneira em kg.ha-1, apresenta faixas variáveis: a nível nacional (600-900); na Bahia (300-600); no Mato Grosso (960-1560) e em São Paulo (1200-1800). Estas produtividades e suas variações são devidas a diferenças dos genótipos, modelos de produção adotados, manejo nutricional e épocas de semeadura.
Em 1999, foram realizados os primeiros estudos por meio de projeto para Roraima pelo pesquisador Alfredo Nascimento Junior e equipe. A planta apresentou bom desenvolvimento e crescimento vegetativo, atingindo em média de 700 a 1.800 kg.ha-1 sendo que alguns materiais produziram até 2.800 kg.ha-1 de bagas. A adubação foi realizada conforme necessidades da cultura. Os tratos culturais constaram de capinas quando necessários. Avaliou-se o rendimento de grãos, porte de planta, deiscência de grãos, incidência de doenças.
Melhores resultados médios foram obtidos em unidades de observação, conduzidas por três anos consecutivos, com um manejo adequado, em solos que possuem boa capacidade de retenção de água, característica dos solos de mata que apresenta maior teor de matéria orgânica, quando comparados com os de savana. O desenvolvimento dos genótipos foi bom, principalmente para os materiais de porte alto, que puderam expressar melhor seu potencial de rendimento. Contudo, em ensaios conduzidos no ano de 2000, com o cultivo em locais com melhores condições para o desenvolvimento da cultura obteve-se até 6.200 kg.ha-1 e em 2001 até 6.705 kg.ha-1, evidenciando o potencial de produtividade desta cultura em Roraima.
O plantio de cultivares comerciais de porte alto, em área de mata, em 2000, apresentou resultados de produtividade média (variação apresentada desde 795 a 2.061 kg.ha-1) superior as obtidas em 1999 e em 2001 para as seis cultivares em teste, dentre elas as cultivares Nordestina e Paraguaçu. Ainda assim, apresentaram bons índices de produtividade para as condições de mata no Estado, sendo superiores a média nacional.
A mamoneira pode ser uma alternativa para aquelas propriedades localizadas em áreas de mata (Mucajaí, Apiaú etc), de derrubada e que necessitam de um cultivo que se adapte melhor as condições características destes locais. Muitas vezes são áreas de difícil acesso, mecanização e para tratos culturais como capinas, irrigação etc., em que o cultivo de espécies de porte arbustivo como a mamoneira, são adaptadas.
A Utilização das variedades Paraguaçu e Nordestina, em area de transição savana/ mata no campo Experimental Serra da Prata em 1999, 2000 e 2001, apresentam um incremento de cerca de 75% na produtividade. Em 2002, cultivadas nos campos experimentais de Monte Cristo e Serra da Prata, resultaram, respectivamente, em produtividades médias de 1.967 kg.ha-1 a 4.150 kg.ha-1 e teores de óleo médios de 48,32 a 48,61% para a cultivar Nordestina e produtividades médias de 1.117 kg.ha-1 a 3.623 kg.ha-1 e teores de óleo médios de 49,64 a 48,20% para a cultivar Paraguaçu. Precisamos ainda reavaliar efeitos ambientais a fim de determinar de maneira mais acurada o trato cultural ótimo para a mamona na região do lavrado de Roraima.
Os trabalhos desenvolvidos pela Embrapa Roraima, no intuito de identificar genótipos de mamona que melhor se adaptem às condições edafoclimáticas de Roraima, que apresentem rendimentos elevados, com características de plantas adequadas a colheita manual e mecânica, e materiais com elevado teor de óleo, permitiram o desenvolvimento de tecnologia para o cultivo da mamona no estado de Roraima. O desafio se constituiu em desenvolver este cultivo, proporcionando novas opções de cultivo para os produtores rurais do Estado. Utilizou-se de materiais oriundos de vários locais do País onde se cultiva esta oleaginosa.
Estas tecnologias estão descritas detalhadamente nas publicações elaboradas dentro do sistema Embrapa de pesquisa (Nascimento Junior, 1999; Smiderle et al., 2001; Smiderle et al., 2002; Smiderle e Nascimento Junior, 2002; Smiderle et al., 2002b; Smiderle et al., 2002c). Especial destaque atribui-se para a indicação das cultivares BRS 149 Nordestina e BRS 188 Paraguaçu para cultivo em área de mata de transição que apresentam bom desempenho produtivo e teor de óleo próximo de 50%. Os trabalhos de pesquisa prosseguem no sentido de obter outras cultivares mais produtivas além de avaliações de materiais de porte anão que permitirão a colheita mecanizada. A mamona é hoje mais uma alternativa potencialmente rentável para produtores rurais em áreas de lavrado, alteradas/ degradadas e floresta.

Por Oscar José Smiderle
Pesquisador da Embrapa Roraima

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