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sexta-feira, novembro 03, 2017
CNC - Balanço Semanal de 30/10 a 03/11/2017
segunda-feira, outubro 30, 2017
Embrapa discute raças bovinas crioulas na fronteira com a Bolívia
O objetivo é buscar proximidade genética com as raças localmente adaptadas brasileiras
Foto: Pedro Paulo Horton
O objetivo é buscar proximidade genética com as raças localmente adaptadas brasileiras
Durante uma palestra realizada em Arroyo Concepción, na Bolívia – a cerca de 10 km de Corumbá (MS) – a pesquisadora Raquel Soares, da Embrapa Pantanal, conversou com universitários do país vizinho sobre raças bovinas localmente adaptadas presentes na fronteira. “Queremos ver o que eles conhecem, entender quais são as expectativas e perspectivas para a conservação e uso dessas raças no país deles”, afirma a pesquisadora que busca a existência de rebanhos crioulos entre proprietários rurais, universidades e instituições de pesquisa locais.
O contato com os vizinhos da Bolívia, diz Raquel, é uma forma de procurar ´parentes´ da raça conhecida como bovino Pantaneiro, encontrada no Pantanal brasileiro, nas raças bovinas crioulas presentes em território boliviano. “Tenho notícias por publicações científicas e por conversas com os moradores daqui que existem pelo menos dois tipos de gado crioulo na região: o Yacumeño e o Chiquitano. Mas não sabemos, ainda, qual é a proximidade desses animais – em termos de perfil genético – do nosso bovino Pantaneiro”.
O Pantaneiro, bovino que passou por quinhentos anos de seleção natural em meio aos extremos ambientais do bioma, desenvolveu uma rusticidade característica da raça. Ele pode pastejar em locais alagados, manter taxas reprodutivas satisfatórias mesmo em períodos com menor disponibilidade de alimentos como a seca, possui baixa exigência nutricional, habilidades maternas e diferenciais para a produção de carne e leite. Porém, existem apenas cerca de 500 animais comprovadamente Pantaneiros no país, atualmente – o que os coloca em risco de extinção e aumenta a urgência da conservação de seu material genético.
“Nos trabalhos que fizemos de genotipagem e comparação entre as raças, vimos que o bovino Pantaneiro tem uma proximidade com o Pilcomayo, que é um gado do Paraguai. Temos uma história que justifica isso: o sul de Mato Grosso do Sul (a região depois da Serra da Bodoquena), que também tinha bovinos Pantaneiros, faz divisa com o Paraguai. O gado de Porto Murtinho, por exemplo, provavelmente tem muita influência dos animais desse país. É de se esperar, portanto, que a nossa fronteira de Corumbá e do Mato Grosso, na região do Pantanal, também tenha alguma interferência genética entre as raças”, diz a pesquisadora.
Encontrar paralelos genéticos entre os animais do Brasil e da Bolívia poderia beneficiar a genética dos animais dos dois países. “A gente pode pensar em aumentar o nosso rebanho – dependendo da proximidade genética com o gado crioulo deles – usando o material genético que eles tiverem disponível. Podemos utilizar fêmeas de raças adaptadas bolivianas e introduzi-las no Brasil para cruzar com os machos Pantaneiros. Assim, teríamos uma raça próxima, com características adaptativas aproximadas da raça brasileira, com uma possível chance de recuperação: em cinco gerações, ela poderia ser absorvida pelo bovino Pantaneiro”.
Os primeiros contatos, como o que foi estabelecido por meio da palestra ministrada aos universitários, representam o início do trabalho de comparação entre as raças bovinas adaptadas. “Queremos analisar a genética desses rebanhos através de genotipagem por DNA e verificar a possibilidade de troca de animais ou embriões para tentar cruzamentos”, diz Raquel. “É interessante também verificar se a alguém na Bolívia tem interesse de desenvolver o trabalho de conservação genética do gado crioulo que eles possuem. Assim, podemos desenvolver trabalhos paralelos, mas que têm uma mesma finalidade, que é a conservação e o uso de raças localmente adaptadas”.
A Embrapa Pantanal mantém desde 1984 um núcleo de conservação in situ desses animais, mantido no campo experimental fazenda Nhumirim, no Pantanal da Nhecolândia. Para a pesquisadora, o trabalho em conjunto com os vizinhos bolivianos fortalece a expansão de uma linha de pesquisa que, hoje, possui abrangência local, principalmente. “Assim, mantemos a diversidade genética e difundimos melhor as informações com as quais trabalhamos”.
Núcleo de Comunicação Organizacional (NCO)
Embrapa Pantanal
Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa)
Corumbá/ MS
sexta-feira, outubro 27, 2017
CNC - Balanço Semanal de 23 a 27/10/2017
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BCSEM lança Campanha Nacional contra Pirataria de Sementes
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EMBRAPA: Pesquisa reúne informações para subsidiar recuperação ambiental no Brasil
Embrapa oferece ferramentas para elaboração de projetos na área
Dados e produtos do “Projeto Especial 8: Soluções Tecnológicas para implantação do Código Florestal” e do projeto Biomas, da Embrapa e parceiros, são usados atualmente como subsídio para estudos e políticas públicas que visam recuperar ambientes degradados e/ou alterados nos biomas brasileiros, diz o pesquisador Felipe Ribeiro, da Embrapa Cerrados. Ele foi um dos palestrantes do curso "Coleta, conservação de sementes, produção de mudas e estratégias de restauração ecológica nos Biomas Pantanal e Cerrado", realizado no campus de Aquidauana da Universidade Estadual de Mato Grosso do Sul - UEMS.
Entre outros assuntos, a capacitação discutiu técnicas, espécies e alternativas de plantios e indução de regeneração natural disponibilizados pelas instituições envolvidas para promover a recuperação e o uso da vegetação nativa dos biomas Pantanal e Cerrado.
A legislação de Proteção da Vegetação Nativa, também conhecida como “Novo Código Florestal”, prevê que cada imóvel rural seja incluído no Cadastro Ambiental Rural (CAR). Por meio das informações fornecidas, é possível determinar se essa propriedade possui ativos ou passivos ambientais, afirma Felipe.
"Após a inscrição no CAR, o cadastro vai permitir que o produtor entenda se tem um passivo ambiental (gerado por atividades que possam trazer impactos ao meio ambiente) ou um ativo de remanescente de vegetação nativa, chamado de Cotas de Reserva Ambiental. Quando se tem um passivo, o produtor vai ter que propor e executar o Projeto de Recuperação de Áreas Degradadas ou Alteradas, o PRADA, depois de julgado e aprovado pelo órgão ambiental do estado".
O pesquisador ressalta que, no PRADA (que faz parte do Plano de Regularização Ambiental do estado de Mato Grosso do Sul), há um Termo de Compromisso acordado com o órgão ambiental que prevê a execução e monitoramento da recuperação em um prazo de 20 anos. Em MS, o responsável por aprovar o projeto é o Instituto de Meio Ambiente de Mato Grosso do Sul - Imasul. “O produtor entende, muitas vezes, que a legislação que protege a vegetação nativa é uma punição, um problema com o qual ele vai ter que se preocupar sozinho. Ele ainda não viu que isto pode também ser uma solução econômica para o imóvel rural”.
Felipe ressalta que é possível beneficiar ao ambiente e à propriedade simultaneamente, já que, de acordo com a legislação, planos de manejo - principalmente para a Reserva Legal - podem trabalhar com atividades sustentáveis que usem espécies nativas de potencial econômico e que gerem serviços ambientais. "O agricultor não pode ficar isolado para o sucesso desta legislação. Ele tem que ser apoiado pelo conhecimento cientifico, pelos órgãos ambientais e, no final da cadeia, pelos consumidores que precisam valorizar os produtos da sociobiodiversidade".
Alternativas
Em apoio à elaboração desses projetos, a página da Embrapa oferece atualmente uma lista de espécies nativas recomendadas para a recuperação ambiental dos biomas Pantanal (elaborada pela Embrapa Pantanal e parceiros), Mata Atlântica e Cerrado (já disponível na página do Projeto Soluções Tecnológicas para implantação do Código Florestal em https://www.embrapa.br/ codigo-florestal/especies- nativas-para-recuperacao).
A lista integrará a ferramenta online WebAmbiente, que tem previsão de lançamento para os próximos meses. “O WebAmbiente faz indicações de acordo com as condições da área descrita pelo produtor que for elaborar o projeto de recuperação”, conta. “O sistema faz algumas perguntas para o usuário identificar qual o potencial que a área tem para se recuperar sozinha ou com a ajuda humana”.
Ao receber dados sobre a área a ser recuperada, como as condições do solo, a presença ou ausência de remanescentes naturais, regenerantes e plantas invasoras, o sistema sugere estratégias de plantio, espécies e ainda oferece um leque de informações de boas práticas agropecuárias personalizado, considerando as condições informadas. O WebAmbiente reúne, até o momento, dados sobre 783 espécies nativas para os diferentes biomas brasileiros. “Estamos tentando trazer alternativas possíveis para o produtor tornar a propriedade inteira sustentável”.
A elaboração do sistema foi possível por meio do trabalho realizado no Projeto Soluções Tecnológicas para implantação do Código Florestal, Projeto Biomas e a parceria de instituições como a Embrapa, Ministério do Meio Ambiente, Secretaria de Extrativismo e Desenvolvimento Rural Sustentável, Serviço Florestal Brasileiro, diversas universidades e instituições de pesquisa do país.
No Pantanal
A chefe-adjunta de Pesquisa e Desenvolvimento da Embrapa Pantanal, Catia Urbanetz, destaca algumas alternativas visando a sustentabilidade nas áreas de uso restrito (AUR) do bioma. “A AUR preconizada pelo Código no Pantanal prevê que o produtor pode conservar a vegetação manejando uma determinada carga específica de pastagens nativas, utilizando parte das áreas para pastagens cultivadas e, assim, mantendo a diversidade de paisagens, aspecto importante para a conservação”, diz.
“Dentro da atividade econômica do imóvel rural, ele pode conciliar a pecuária extensiva com o agroecoturismo, mostrando espécies nativas de valor econômico (principalmente para pastagem) e outras, com suas belezas e percepções, para trazer o turista para cá". Conhecer a fauna local também é muito atrativo nesse contexto, afirma Catia, tendo em vista a facilidade com que se pode avistar animais silvestres no Pantanal.
Ela destaca também o sistema de indicadores “Fazenda Pantaneira Sustentável”, desenvolvido pela unidade pantaneira de pesquisa da Embrapa para avaliar a sustentabilidade nas fazendas de pecuária da região. O FPS pode ser utilizado, ainda, para instrumentar políticas públicas, visando incentivos à conservação e ao desenvolvimento sustentável. "É necessário elaborar políticas públicas que recompensem, de certa forma, as ações que conservam ou recuperam o ambiente", diz a chefe-adjunta, encerrando a entrevista com um questionamento. "O grande desafio é mensurar tudo isso economicamente: quanto vale a conservação na economia do estado e no bolso daquele produtor?".
O curso “Coleta, conservação de sementes, produção de mudas e estratégias de restauração ecológica nos Biomas Pantanal e Cerrado” é uma realização da Embrapa Pantanal, Embrapa Cerrados, Confederação Nacional de Agricultura (CNA), Universidade Estadual de Mato Grosso do Sul (UEMS) com o apoio do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (SEBRAE) e John Deere. O Projeto Biomas é fruto de uma parceria entre a Confederação Nacional de Agricultura e a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) com o apoio do Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (SENAR), SEBRAE, Monsanto, John Deere e BNDES.
Núcleo de Comunicação Organizacional (NCO)
Embrapa Pantanal
Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa)
Corumbá/ MS
segunda-feira, outubro 23, 2017
Produtores de Patrocínio (MG) e Domingos Martins (ES) vencem o Cup of Excellence - Brazil 2017
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EMBRAPA: Calendário de Manejos, uma ferramenta para aumentar a produtividade
Solução tecnológica chega após três anos de pesquisa a campo
Permitir melhor planejamento e acompanhamento das atividades relacionadas a bovinos de corte em uma propriedade rural, esse é o principal objetivo do Calendário de Manejos Reprodutivo, Sanitário e Zootécnico, apresentado pela Embrapa Gado de Corte (Campo Grande-MS) em parceria com a Universidade Brasil (SP). A ferramenta, disponível em planilha editável, é gratuita e chega após três anos de investigação a campo pela equipe formada por Danila Rodrigues Frias, Vanessa Felipe, João Batista Catto, Pedro Paulo Pires, Paula Barbosa Miranda, Luiz Otávio Campos da Silva e Cleber Soares.
A estação de monta é a referência do planejamento, em um calendário organizado em manejos reprodutivo, sanitário e zootécnico e por categorias animais - maternal, desmama, pós-desmama e sobreano - além de touros e matrizes. A ferramenta também é diferenciada por cores e lotes para facilitar o entendimento e a identificação das atividades para cada categoria dentro de determinado mês. Outro destaque ainda é uma versão feita para impressão.
“O material foi idealizado a partir de um diagnóstico de situação em propriedades rurais produtoras de gado de corte, e adaptado aos manejos usuais das mesmas, de forma a interferir o mínimo possível na rotina e viabilizar a adoção das recomendações técnicas”, explica a médica-veterinária e professora Danila Frias, da Universidade Brasil. “O processo de diagnóstico, desde a história clínica dos animais a interpretação dos resultados dos exames, balizou toda a construção do modelo de calendário apresentado. Foi um instrumento clínico e epidemiológico. Saímos do campo das suposições e dados pulverizados e tivemos como comparar o antes e o depois em diferentes condições de criação”, acrescenta a virologista da Embrapa, Vanessa Felipe.
Dentro da programação reprodutiva há recomendações para realização de exame andrológico, diagnóstico de gestação, descarte de matrizes, transferência para piquete maternidade, ingestão de colostro, tratamento de umbigo, identificação e pesagem. Na agenda sanitária, Felipe e Frias comentam que há observações sobre os manejos de controle de endo e ectoparasitas, como mosca-dos-chifres e carrapatos; e utilização de vacinas obrigatórias contra brucelose, febre aftosa e raiva, que devem ser realizadas conforme as exigências e as orientações do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) para cada Estado ou Região.
Coleta de dados – O diferencial do trabalho foi mesmo o diagnóstico de situação feito nos rebanhos comerciais e de elite de dez fazendas de pecuária de corte de Mato Grosso do Sul. Entre matrizes, touros e bezerros, contabilizaram-se ao redor de 5.100 mil animais. Após a análise dos dados preliminares montou-se a primeira versão do calendário, que foi aplicado a campo e ajustado, inclusive, com sugestões dos técnicos das propriedades.
O resultado final veio após um ano de aplicação da ferramenta. Para isso, Frias aplicou questionários junto aos responsáveis e proprietários dos estabelecimentos rurais participantes do projeto e levantou dados como índice de prenhez, taxa de abortos, fundo de maternidade e doenças recorrentes; seguido pela coleta de amostras de sangue, fezes e esmegma. A equipe focou nas principais causas que impactam negativamente em todo processo produtivo da cadeia, não somente em doenças reprodutivas. Além disso, a saúde pública, a qualidade do produto final e o impacto ao meio ambiente também estavam no contexto.
Antes da aplicação do Calendário de Manejos, as taxas médias nas fazendas eram de 70% de prenhez, 15% de fundo de maternidade e 10% de abortos. “Com um ano de adoção, detectamos que houve um aumento, em média, de 5% na taxa de prenhez e uma redução em 50% de fundo de maternidade e taxa de abortos”, afirma Frias. As suspeitas clínicas confirmaram-se nos resultados dos exames laboratoriais.
Entre os achados, as veterinárias puderam romper com a falsa impressão daqueles que acreditam que rebanhos de seleção não têm problemas sanitários relevantes por seu valor genético e tratamento diferenciado. Entretanto, “as doenças infecciosas não fazem distinção entre animal comercial e de elite. É uma quebra de paradigmas”. Elas enfatizam que “com o devido acompanhamento técnico é mais econômico adotar práticas preventivas como as recomendadas no Calendário de Manejos, do que custear tratamentos curativos”.
A pesquisa ainda é parte da formação em pós-doutorado de Frias, concluído em 2016, à época bolsista do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) na Embrapa Gado de Corte e da Fundação de Apoio ao Desenvolvimento do Ensino, Ciência e Tecnologia do Estado de Mato Grosso do Sul (Fundect), sob orientação do melhorista Luiz Otávio Campos da Silva. Hoje, ela é professora na Universidade Brasil, no Campus de Fernandópolis (SP).
Redação e foto: Dalízia Aguiar (MTb 28/03/14/MS), jornalista Embrapa
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