A MILÍCIA BOLIVARIANA DO PT

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Ofereci meus ombros. Como escada ele subiu. Abri o caminho para ele passar. Na hora da porrada a cara era a minha. Fui seu irmão seu amigo e companheiro... Um dia encontrou comigo. Me deu um beijo. Virou as costas e partiu. Lembrei de Jesus e as 30 moedas"
Poema do mensaleiro João Paulo Cunha que revela a mágoa em relação ao ex-presidente LULArápio.
"Anos atrás recebi do então governador de Brasília Cristovam Buarque o ‘premio manuel bonfim’, atribuído ao meu livro "Chatô, o rei do Brasil". Já pedi à Marília para localizar a placa de prata. Vou devolver. de golpista não quero nada. Nem prêmio".

Escritor Petralha Fernando Morais

“Que pena que nossos gênios estejam tão obtusos. E tão viciados no aparelhamento. O PT corrompeu mais do que a política, corrompeu a inteligência e o caráter. E aos poucos vão mostrando que a volta da Dilma por mais dois anos, com essa gente, vai embrutecer o País e seguir se apropriando do Estado. Pior que não tem juiz Moro para este tipo de roubo: da inteligência e do caráter. Ele não falou em devolver os dez mil que recebeu do prêmio. Na época eram dez mil dólares. Nem o que ele fazia no governo do Quercia".

Senador Cristovam Buarque

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quinta-feira, julho 14, 2016

Senador Ronaldo Caiado insinua que o PeTralha Lindbergh faz uso de drogas no Senado: "Está salivando muito, com pupilas dilatadas"; seria cocaina?







Do Blog Toma Mais Uma


TomaMaisUma


Quem é Lindberg Farias

O que eu já sabia sobre as overdoses (álcool também é droga e, quanto às outras, eu não posso afirmar) de Lindinho quando foi prefeito de Nova Iguaçu, no Estado do Rio de Janeiro, e nunca ousei revelar para não comprometer as fontes, muito chegadas a mim, caiu no meu colo hoje, ao dar uma olhada no Facebook e me deparar com a foto abaixo, com uma matéria da Isto É e com o que está em http://www.quidnovi.com.br/home/.

Porrado em uma festa
Aliás, faz tempo que ele é chegado a umas porrancas brabas, já que no começo dos anos 90 eu mesmo vi o então garoto absolutamente porrado, dormindo e babando em um canto do Hippopotamus, casa noturna do jet-set carioca na época. A foto dele, no estado, até saiu na coluna social do Zózimo Barrozo do Amaral. Lembro que comentei com amigos que já não se fazia UNEs como antigamente e depois perguntei ao Zé Walter, uma espécie de selecionador de clientes, se isso era habitual, o que ele confirmou.

Além disso, eu sempre tive sérias suspeitas sobre a honestidade desse cara desde cedo, mas, a quase certeza me veio depois que ele se elegeu prefeito de Nova Iguaçu, dadas às inúmeras notícias relatando um sem número de falcatruas, investigações e processos contra ele.

Apesar de tudo, o calhorda foi eleito Senador em 2010 e agora é candidato a governador do Rio. Acho que ninguém precisa ler esse catatau de calhordice a seguir para ter motivos de sobra para não votar nesse traste,mas, em todo caso, como tem sempre um renitente, aí vai:

Ah, sim, ele é do PT. Precisa mais?

Altos e baixos do cara-pintada Lindberg Farias a caminho do Senado

Por Mino Pedrosa

O marqueteiro Duda Mendonça tem pela frente uma dura missão. O candidato petista ao Senado pelo Rio de Janeiro, Lindberg Farias, seu cliente, não lhe contou sobre os processos que responde na Justiça do Rio de Janeiro e na Federal, bem como o seu comportamento recente, lembrando os tempos de cara-pintada. Também omitiu que existem fitas de vídeos comprometedoras, da época de Prefeitura de Nova Iguaçu e fotos colocando seu cliente na sarjeta. Esses documentos integram um processo rumoroso que tramita na Justiça do Rio. Um dos vídeos mostra o presidente da Comissão de Licitação e secretário de Lindberg, Jaime Orlando, contando dinheiro na casa de um empresário e fazendo críticas ao chefe, mostrando sua irresponsabilidade administrativa e até uso de esquema com dinheiro público. No vídeo são citados os nomes do procurador-geral do Ministério Público, Marfan Vieira, e do desembargador José Carlos Paes, ambos do Rio de Janeiro.

Duda correu atrás de alguns candidatos petistas com a intenção de se reaproximar de um eventual governo de Dilma Rousseff. Se dependesse do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o marqueteiro Duda Mendonça teria que mudar de profissão. Mas o petista José Dirceu, que ainda tem o controle do partido apesar de ter sido cassado, está em sintonia com Dilma e ainda dá as cartas. Por isso, Dirceu indicou Duda Mendonça para algumas campanhas. Dentre as quais a do ex-prefeito de Nova Iguaçu-RJ, Lindberg Farias.

Lindberg, hoje, está tentando entrar no Senado Federal. Em terceiro nas pesquisas de intenção de voto, com remotas chances de entrar; já negocia com o governador Sérgio Cabral (PMDB) e o ex-parlamentar petista, cassado, José Dirceu, apoio para concorrer à Prefeitura do Rio de Janeiro. O que Lindberg pretende agora é firmar seu nome para alcançar a Prefeitura em 2012.

O ex-cara-pintada responde na Justiça a mais de 400 processos da época em que era prefeito de Nova Iguaçu. E vem conseguindo, com manobras na Justiça, protelar condenações buscando a imunidade parlamentar.

Cabral promete apoio a Lindberg porque não quer embate político, no momento, mas todos sabem que o peemedebista Eduardo Paes chegou ao poder pelas mãos de Cabral. Fica difícil descartar a reeleição de Paes.

Lindberg tem freqüentes recaídas das farras que fazia no tempo em que era parlamentar. Foi encontrado na cobertura de um empresário carioca caído, inconsciente, com várias escoriações no rosto e no cotovelo. O empresário levou Lindberg a uma clínica onde passou o resto do dia e a noite inteira, sendo liberado somente no dia seguinte. Adversários de Lindberg, na corrida pela Prefeitura do Rio em 2012, abrem o jogo e divulgam fotos e vídeos comprometendo sua eleição.

Luís Lindberg Farias Filho, paraibano, nascido em 8 de dezembro de 1969, ex-líder “cara-pintada” colecionou centenas de denúncias de má-gestão na sua vida pública. “Lindinho”, como é conhecido na praia de Ipanema, no posto 9, trocou o seu currículo de “cara-pintada” por uma ficha corrida de processo na Justiça.

Lindberg, um estudante de média classificação, ganhou fama e a admiração do público quando esteve à frente da União Nacional dos Estudantes (UNE). Lindberg liderou os estudantes em 92 à frente do Movimento Fora Collor a favor do impeachment do então presidente Fernando Collor de Mello. Chegou a reunir, com outros líderes, 400 mil estudantes no Vale do Anhangabaú, em São Paulo em agosto de 92, ao som do hino escolhido pela “galera” O Tempo Não Pára, de Cazuza, num revival do movimento estudantil de 68, que estava em pauta na minisérie Anos Dourados, da TV Globo, em 92. Lind chegou a colocar uma faixa na passeata, aproveitando-se do marketing da TV, “Anos Dourados – próximo capítulo”.

Entretanto o Movimento Estudantil de 92 ficou longe de ser o que foi o de 68. O de 68 tinha um forte engajamento político, o liderado por Lindberg era imediatista, sinais do tempo. O objetivo era tirar o Presidente Collor do poder e pronto! Pronto nada! Lindberg queria seguir carreira política e a fama instantânea exemplo da dos BBBs que seguiriam logo adiante, era o número exato para sua candidatura. Por outro lado, esta mesma fama o prejudicou. A exemplo das celebridades instantâneas um poder ilusório foi colocado em suas mãos, levando-o de encontro aos padrões salutares da sociedade. Lindberg no seu primeiro mandato de deputado na Câmara Federal era “lido” pelos colegas como um jovem deslumbrado pelo poder, que mergulhou no caminho dos vícios químicos. Lindberg não tinha limites e sua ausência era notada no parlamento.

Tudo isso fez o rapaz refletir e mudar de vida. Candidatou-se à Prefeitura de Nova Iguaçu, cidade carente, da Baixada Fluminense, com vários problemas de saneamento e uma população de 500 mil eleitores. Lindberg traçou um projeto elaborado pelo PT de São Paulo, onde dava oportunidade para estudantes ocupar o tempo integral, inclusive com alimentos doados pela Prefeitura. O jovem líder “cara pintada” colocou em prática projetos na área ambiental trazendo benefícios para a cidade. Só que acontecia nos bastidores a praga da corrupção. Essa Lindberg não só não impediu que acontecesse como também entrou no esquema de um grupo que desviava recursos dos cofres públicos.

Hoje, Lindberg disputa uma vaga no Senado Federal com um currículo bastante questionável na Justiça. São centenas de processos tramitando no Rio de Janeiro e alguns deles no âmbito Federal, tais como improbidade administrativa e apropriação indevida que lesaram os cofres municipais.

Lindberg tem boas intenções, mas normalmente é cercado por pessoas que tiram proveito de cargos em benefício próprio. Um dos processos que corre na Justiça tem em seu conteúdo uma fita de vídeo que mostra o secretário responsável pelas licitações da Prefeitura de Nova Iguaçu, fazendo queixas de Lindberg e comentando de suas irresponsabilidades na gestão de prefeito. O secretário na época era Jaime Orlando, ex-presidente da Comissão de Licitação.

A revista IstoÉ denunciou em matéria “Os esquemas do ex-líder estudantil”, da edição 2010, de 14 de maio de 2008, de minha autoria, que Lindberg usou seus contatos no judiciário, gerou um processo de mais de mil páginas com gravações e depoimentos que poderiam levá-lo à cadeia. Os processos de Lindberg tramitam lentamente. Um deles mostra uma fita de vídeo com acusações da má-gestão de Lindberg junto à Prefeitura de Nova Iguaçu com empréstimos de dinheiro a fornecedores.

O vídeo foi feito na casa de um empresário que bancou Lindberg na campanha que o conduziu à Prefeitura de Nova Iguaçu. A gravação faz parte de um dos processos com mais de duas mil páginas, onde Lindberg responde por várias modalidades de corrupção, desvio de dinheiro, má-gestão de verba municipal e outros crimes financeiros.

Lindberg volta e meia tem recaídas do tempo em que era líder dos “caras-pintadas”. Fotografias mostram Lindberg na cobertura de um empresário carioca, após uma “bad trip” (viagem ruim). Observa-se que Lindberg machucou rosto e cotovelo. Foi encontrado exatamente como aparece na foto pela empregada do empresário carioca e amigo numa tarde de terça-feira, quando deveria estar despachando na Prefeitura de Nova Iguaçu. Assista ao vídeo e veja as fotografias do então Prefeito Lindberg Farias. Como denunciou a revista IstoÉ, vídeos e documentos no processo movido pelo procurador do Rio de Janeiro, Marfan Vieira, comprovam a catastrófica gestão de Lindberg. Leia também na íntegra a matéria publicada na revista IstoÉ em 2008.

Fitas de vídeo e gravações com ex-assessores revelam como o ex-presidente da UNE Lindberg Farias se envolveu com uma série de fraudes e casos de propina depois que virou prefeito

           
Renato Velasco/Agência ISTOÉ

Nascido em 8 de dezembro de 1969, quase um ano depois que o AI-5 mergulhou o País nas trevas da repressão política, o paraibano Luís Lindberg Farias Filho se tornaria nacionalmente conhecido como um dos mais importantes líderes estudantis da geração surgida com a redemocratização. Em 1992, como presidente da União Nacional dos Estudantes (UNE), Lindberg liderou o renascimento do movimento estudantil ao colocar nas ruas os chamados “caras-pintadas”, que pediam o impeachment, por corrupção, do então presidente Fernando Collor de Mello - ele acabaria renunciando em dezembro daquele ano. Enrolado na bandeira da ética na política, Lindberg elegeu-se deputado federal pelo PCdoB em 1994. Recebeu nota dez do Diap e bandeou-se para a extrema-esquerda, no PSTU - o que lhe custou a reeleição em 1998. Entrou para o PT e voltou à Câmara em 2002, na esteira da vitória de Luiz Inácio Lula da Silva. Dois anos depois, elegeu-se prefeito de Nova Iguaçu (RJ) - cidade que tem o quarto orçamento do Estado do Rio de Janeiro - com o apoio entusiasmado do presidente Lula e da cúpula do PT. Agora, em plena campanha pela reeleição, Lindberg Farias está enfrentando graves denúncias de corrupção feitas pela ex-secretária de recursos humanos Lídia Cristina Esteves, que o acusa de montar um esquema na prefeitura para se manter no poder. Além disso, várias ações suspeitas de seu governo estão sendo investigadas pelo Ministério Público Estadual (MPE) do Rio de Janeiro, pelo Ministério Público Federal e pelo Ministério Público do Trabalho (MPT). ISTOÉ obteve com exclusividade fitas gravadas em que assessores e ex-assessores acusam o prefeito de montar um esquema que beneficia empresas que financiaram sua campanha política, paga propinas a funcionários, dá cargos e dinheiro a vereadores em troca de apoio político e conduz licitações viciadas. Um deles, Jaime Orlando, ex-presidente da Comissão de Licitação, diz que Lindberg “trata as coisas e depois eu é que tenho que me virar para atender”.

Um dos casos mais graves ocorreu na área de educação. Há alguns meses, a Secretaria de Educação de Nova Iguaçu foi denunciada pelo Ministério Público Estadual por causa de uma licitação superfaturada para compra de merenda escolar em 2006. Esta denúncia provocou o afastamento da secretária de Educação, a vereadora Marli de Freitas, e do presidente da Comissão de Licitação da prefeitura, Jaime Orlando. Por conta disso, o MPE determinou o bloqueio das contas e a indisponibilidade dos bens de Marli e de Orlando. Também na área de educação ocorreu outro caso polêmico, a contratação do Instituto Paulo Freire para elaborar o arcabouço pedagógico do Programa Bairro-Escola, carro-chefe do prefeito na área de educação. A responsável pelo programa era a mulher do prefeito, Maria Antônia Goulart. A ex-secretária de recursos humanos da prefeitura Lídia Cristina Esteves diz que havia desvio de dinheiro do programa para o prefeito e sua mulher. O convênio da ONG com a prefeitura custa aos cofres municipais R$ 800 mil por ano.

O MP também investiga irregularidades na Secretaria de Saúde do município. Na campanha de 2004, o empresário João Moroni, proprietário da Gráfica Lastro, situada no bairro de São Cristóvão, apresentou-se a dois dos principais assessores de Lindberg, Antonio Neiva Moreira, coordenador da campanha, e Francisco José de Souza, o “Chico Paraíba”, que depois ocuparia o cargo de secretário da Fazenda do município, oferecendo-se para ajudar na campanha em troca de serviços futuros no governo. Moroni já havia colaborado em outras campanhas do PT. Em 2005, no primeiro ano de governo, a Gráfica Lastro ganhou a licitação para fornecer material para a Secretaria de Saúde, um contrato no valor de R$ 1,8 milhão. No início de 2006, Chico Paraíba - já secretário da Fazenda - e Neiva Moreira solicitaram a Moroni ajuda para a campanha de Vladimir Palmeira, candidato petista ao governo do Estado. Em contrapartida, segundo a denúncia, houve um aditamento de 100% no valor do contrato da Lastro. O material da Secretaria de Saúde, contudo, nunca foi entregue. Uma CPI foi aberta na Câmara dos Vereadores, mas não deu em nada - Lindberg controla 16 dos 20 vereadores de Nova Iguaçu.

Ainda na Secretaria de Saúde, três cooperativas que contratam pessoal nessa área financiaram a campanha de Lindberg: a Total, a Captar-Cooper e a Multiprof. A Total Saúde pertence aos irmãos Walter e Wagner Pellegrino, que começaram a atuar na administração do governador Marcelo Alencar (1995-1999). Há pouco tempo, ela ganhou a licitação para administrar o Hospital de Acari, da Prefeitura do Rio de Janeiro, e tem em suas mãos todos os postos de saúde do Rio e o Hospital de Posse. A Total está sendo investigada pelo MPT por suspeita de colaborar em campanhas eleitorais e posteriormente prestar serviços a prefeituras. Já a cooperativa Captar-Cooper, que também ajudou na campanha eleitoral de 2004, entrou em janeiro último com um termo aditivo ao contrato no valor de R$ 43.415.281,20, contrariando parecer do MPT. Na segunda-feira 5, o MPT requereu a intervenção em Nova Iguaçu por causa de nãocumprimento de decisão judicial que impede a contratação de trabalhadores por meio de cooperativas. Documentos do MPT mostram que a Captar-Cooper fornece cerca de mil trabalhadores “cooperados”. “A contratação de trabalhadores por intermédio de cooperativas, além de prejudicar os contratados, que têm vários de seus direitos sonegados, constitui fraude ao princípio do concurso público”, diz o procurador do Trabalho Carlos Augusto Sampaio Solar. A Multiprof apenas colaborou com a campanha.

O círculo de poder em torno de Lindberg está sob suspeita de montar um esquema gigantesco de corrupção. O primeiro nome desse círculo é o de Chico Paraíba, médico radicado no Rio de Janeiro, amigo e sócio do prefeito em vários empreendimentos empresariais. Ele foi tesoureiro da campanha e virou secretário da Fazenda do município. Todas as contas e liberações de verbas da prefeitura passavam por Chico Paraíba. Ele acumulou o cargo de secretário da Fazenda com a presidência do Instituto de Previdência de Nova Iguaçu (Previni). Outro assessor muito próximo do prefeito é Jaime Orlando, velho amigo de Lindberg dos tempos do movimento estudantil da PUC-RJ. Na época, ele chegou a dividir o apartamento com o prefeito. Como presidente da Comissão de Licitação de Nova Iguaçu, centralizou todas as compras do município, mesmo em áreas que desfrutavam de autonomia, como a Secretaria da Saúde. Um processo no MP que identificou um desvio de R$ 600 mil para a empresa de comunicação Supernova Mídia obrigou-o a se afastar do cargo. Outro colaborador de Lindberg é Fausto Severo Trindade. Ex-assessor do ministro Guido Mantega, quando este ocupava a Pasta do Planejamento, ele virou uma espécie de curinga da administração de Nova Iguaçu. Na assessoria especial, com status de secretário, ele teria sido o responsável pela montagem de um “mensalinho” na Câmara Municipal de Nova Iguaçu, segundo denúncia de Lídia Cristina Esteves. Através desse esquema, por meio de cargos e favores, ficou garantido o apoio político à administração. Evitou-se que várias CPIs fossem adiante. Depois, como secretário de Administração, Trindade ficou responsável pela movimentação da folha de pagamento da prefeitura, subordinado à Comissão de Licitações. Trindade deixou a prefeitura com a expectativa de ganhar a Secretaria Executiva do Ministério de Minas e Energia. Completava o grupo a paulista Estela Aranha, ex-secretária de Controle, ligada a Trindade.

A ex-secretária de recursos humanos da prefeitura Lídia Cristina Esteves foi contratada para montar toda a estrutura de pessoal camuflando os cargos oferecidos aos vereadores - centenas, segundo ela. Cada vereador envolvido tinha cerca de 100 cargos à disposição - muitos deles são fantasmas, mas todos os nomes listados retiravam pagamentos mensalmente no banco.

Segundo Lídia, a folha de pagamento da prefeitura era rodada em João Pessoa, capital da Paraíba, por uma empresa ligada a Chico Paraíba e ao irmão do prefeito, Frederico Farias. Essa empresa foi contratada por R$ 1,2 milhão através de uma fundação, a Fundação de Apoio ao Desenvolvimento da Universidade Federal de Pernambuco (Fade). Seria uma alternativa para burlar o processo licitatório convencional.

O prefeito Lindberg Farias responde a duas ações civis por improbidade administrativa na Justiça fluminense proposta pelo MP do Rio de Janeiro. Uma delas refere-se à contratação de uma militante do PT de Belém, Valéria da Cunha Santos, para um cargo inexistente na estrutura da prefeitura. A outra refere-se à contratação da Muripi Comunicação Integrada, cujo nome anterior era Supernova Mídia Comunicação, com sede em São Paulo. Esta empresa fez o projeto de marketing da campanha de Lindberg à prefeitura e foi contratada, em 2005, para prestação de serviços por seis meses, por R$ 598.460. Para o MP, houve irregularidade na licitação. Outra empresa havia proposto fazer o mesmo trabalho por menor preço. Nesta ação, a Justiça determinou o seqüestro dos bens de Lindberg e da empresa. Existem ainda oito investigações, civis e criminais, no âmbito da Procuradoria Geral da Justiça do Rio. Algumas foram iniciadas há quase três anos.

O procurador-geral da Justiça do Rio, Marfan Martins Vieira, não quis falar à ISTOÉ sobre a possibilidade de que a lentidão das investigações resulte numa espécie de proteção a Lindberg. Ele disse, através de sua assessoria de comunicação, que estava muito ocupado.

Lídia Cristina Esteves revela o que sabia sobre o esquema do governo Lindberg

Lídia Cristina Esteves ocupou o cargo de secretária de recursos humanos no início do governo Lindberg, montando toda a estrutura de cargos e salários. Ela foi obrigada a permitir que toda a folha de pessoal da prefeitura fosse rodada na Paraíba, sob o comando de Frederico Farias, irmão de Lindberg. Lídia diz que, ao perceber a facilidade com que nomes eram colocados na folha de pagamentos da prefeitura, resolveu colocar três de sua escolha. Flagrada por um colega, foi exonerada pelo secretário de Governo, Fausto Severo Trindade, que prometeu continuar honrando seu salário, mas não o fez. Em uma gravação obtida por ISTOÉ, ela faz revelações sobre o funcionamento desse esquema.

- Toda essa alteração tem a minha assinatura e a do Fausto... Limpar isso é impossível, sabe por quê? Sabe qual é o grande erro de lá? É o excesso de cargos, uns 400 cargos. Isso é impossível de limpar de um dia para o outro. Não tem como limpar porque é retroativo, de agosto do ano passado. Agosto do ano passado é um tempão! Tem a parte toda de estagiário que está totalmente ilegal.

- Eu devo tipo 800 pratas. Porque, com minha mãe doente, eu tenho muito custo e eu tive que fazer empréstimos. Tenho três empréstimos.

- O Fausto chega na minha sala e diz: “O que você está fazendo?” Aí eu falei: Porra, eu tô cruzando cooperativas (verificando o número de funcionários das cooperativas. Muitos são fantasmas). “Pára com isso! Pára com isso agora. Porque isso não interessa! Aqui quem te dá as prioridades sou eu”. Tem gente com três, quatro empregos. Tem uma médica que ganha de três lugares. Eu não sei o nome, não. Mas tenho nome pra

- Dois mil e porrada (funcionários municipais). Quando a gente entrou lá, tinha mil. São pessoas dos vereadores.

- Ele (Fausto) pegou o dinheiro para a Maria Antônia (mulher de Lindberg). Eu falei: Olha, Fausto, cuidado. Tem três processos que são de arrepiar. O primeiro, o da Fundação...aquela fundação de São Paulo, o Instituto Paulo Freire. R$ 440 mil para fazer a estrutura da educação e quem fez tudo fui eu.

- Que nada, eu não roubei, eu botei três pessoas nomeadas na minha conta e acho que eu tenho esse direito, tem gente com 60. Tem a Neide, tem mais de 20 num gabinete.

- Foi muito estranho, foi o seguinte: eu tenho o Banco do Brasil, eu tenho a Caixa Econômica. A palhaça aqui paga a Caixa, manda o arquivo inteiro para a Caixa, faz os testes todos da Caixa e a folha de pagamento minha sabe onde é que é paga? Na Paraíba. A Caixa é aqui. E aqui, não é João Pessoa. A folha é da Fundação de Amparo à Pesquisa da Cidade de João Pessoa. Um contrato de R$ 1,2 milhão. Você compra uma folha aí, qualquer titica por 40 pratas, não compra? E a folha fica em João Pessoa, olha, a lista fica em João Pessoa. O destino dela é João Pessoa. Na conta do Chico, quando eu cheguei lá estavam 600 (cargos).

- A aposentadoria do pai do vereador Marcos Fernandes é 50 0 paus e ele está levando seis mil. Eu tirei de todo mundo. Na hora de tirar do pai do Marcos Fernandes não deixaram. Aí nomearam o pai dele, ele, a mulher, a filha, todo mundo. Passou de seis mil, passou para 60 mil.

 - Acho o Jaime (Orlando) uma pessoa legal, mas ele está no bolo, né. Tô preocupada com ele, não vai durar muito.

- Bandidagem, eles chamam. Sabe como Neiva (secretário de Articulação Política) trata aquilo: é quadrilha. Trata-se de quadrilha. Na cooperativa eu sei que o Chico passa o dinheiro para o Fausto.

- Eu tenho medo, muito medo, desde o ano passado. Eu falei: cara, eu tô sem dormir. Eu durmo, eu durmo com os seus mapas (de cargos) embaixo do meu travesseiro.

Os principais personagens do caso Lindberg foram filmados contando dinheiro e revelando tramas comprometedoras

Numa tarde no final do mês de março, Jaime Orlando, assessor do prefeito Lindberg Farias, se encontra com um personagem não identificado. Ele carrega uma mochila preta às costas, traja calça jeans, camiseta com uma estampa no peito na qual se lê Life Guard (salva-vidas, em inglês) e porta R$ 150 mil guardados na mochila. Em seguida, Jaime usa uma máquina de contar cédulas e faz comentários sobre a administração e o comportamento de Lindberg.

- O Lindberg tem essa mania. Trata as coisas e depois eu é que tenho de me virar para atender. Tive que conseguir em uma empresa esse dinheiro porque fui o avalista desta história.

- Estou chateado com essa história do Renato (Colocci, secretário particular do Lindberg), me fez correr atrás, desesperado, de R$ 60 mil, no mesmo dia, dizendo que era para o Marfan ( procurador-chefe do MP do Rio de Janeiro). Eu me preocupo porque o meu processo está lá. Se eu deixar, o Lindberg não acompanha. Ele me disse que está tudo sob controle.

- Quando os caras (donos de empresas que prestam serviços ao município de Nova Iguaçu) estão com suas faturas em atraso, eles vêm em cima de mim, porque eles cumprem todo mês a parte deles.

- O Lindberg trata as coisas e as pessoas ficam o tempo todo me cobrando.

Elza Helena Barbosa era secretária de Francisco José de Souza, o Chico Paraíba, secretário de Fazenda e tesoureiro da campanha. Ela procurou um amigo que gravou a conversa em que ela revela o desvio de verbas da prefeitura para um esquema pessoal do seu chefe com o irmão de Lindberg.

- Daquela última fatura de R$ 4 milhões, 30% ficou com o Chicão (empresário e prestador de serviço da prefeitura, do setor de saneamento).

- Chico (Paraíba) mandava fazer os depósitos para o Fred (Frederico Farias, irmão de Lindberg), usando uma construtora, uma tal de construtora Flamboyant, lá na Paraíba. Foram vários depósitos, inclusive tenho guardados comigo todos os documentos.

- É um absurdo o Hospital da Posse daquele jeito e eles metendo a mão no dinheiro que é para a saúde, para a merenda. Se a polícia me chamar, eu conto tudo, tenho tudo documentado.

- Eu tenho comprovante de depósito, tenho quais foram as contas que eu mandei. Ele (Chico) agora está namorando a minha irmã. Pega um avião aqui e vai com minha irmã só para passar uma noite em São Paulo. O Chico está investindo em imóveis lá em São Paulo, comprou um flat tudo com dinheiro daqui. Se eu quisesse me beneficiar desse esquema sujo, para mim era fácil, mas acho uma sacanagem. Dinheiro da saúde, da educação é sacanagem.

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