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segunda-feira, setembro 08, 2014

JOSIAS DE SOUZA: Dilma quer ser vista como boba, não cúmplice




O Brasil não conhecia direito a Dilma Rousseff que elegera em 2010. Após passar três anos e oito meses tentando descobrir o que a personagem estava fazendo no Planalto, o país teve, finalmente, uma pista. Dilma talvez esteja em Brasília a passeio, eis a revelação.

Nesta segunda-feira, questionada em sabatina sobre a delação de um esquema bilionário de corrupção na Petrobras, a suposta presidente da República fez lembrar o Lula da época da explosão do mensalão: “Eu não tinha a menor ideia de que isso ocorria dentro da Petrobras'', disse ela.

Na área econômica, a mística da gerente infalível já tinha evaporado. A menos de quatro meses do encerramento do seu mandato, Dilma entrega uma mistura de economia estagnada com inflação alta. Mas, no setor energético, a sucessora de Lula ainda jactava-se de sua biografia de mostruário.

A Petrobras era, por assim dizer, o habitat natural de Dilma. Ministra de Minas e Energia, ela teve a estatal sob seu comando. Transferida para a Casa Civil, manteve-se na presidência do Conselho de Administração da companhia. Eleita presidente da República, entregou o comando da petroleira a Graça Foster, pessoa da sua irrestrita confiança.

Dilma costumava dizer que converteria a Petrobras num exemplo. Agora sabe-se de quê! Com o melado a tocar-lhe o bico do sapato, a ex-ministra de Minas e Energia, ex-presidente do petroconselho, hoje presidenta do 'governo democrático e popular' informa aos microfones que não sabia da roubalheira. Espanto! Pasmo!! Estupefação!!!

Em plena campanha pela reeleição, Dilma pede aos brasileiros, com outras palavras, para ser vista como uma boba involuntária, não como uma cúmplice espontânea. Em qualquer hipótese, essa nova Dilma não é aquela mulher maravilha que Lula vendera em 2010 e que o eleitor comprara.

Autoconvertida numa espécie de ex-Dilma, a pupila de Lula pede um voto de confiança ao eleitorado num momento em que a desconfiança corre solta. A suspeita é puxada pela língua de um ex-diretor que cuidou de bilionários negócios na Petrobras sob o patrocínio do PT, do PMDB e do PP. Só a gerentona não viu o grau de octanagem dessa mistura.

REINALDO AZEVEDO: O PT não inventou a corrupção, mas nenhum outro partido na história da democracia (e até das ditaduras) buscou naturalizar a prática corrupta como tática de sobrevivência




É o feitiço do tempo.

É o passado que não quer passar

É o peso das gerações mortas, como diria um pensador que os petistas apreciavam antigamente, oprimindo o cérebro dos vivos.

É a miséria moral se fingindo de resistência.

É o assalto ao Estado brasileiro e às suas instâncias.

É o novo patrimonialismo roubando o futuro dos brasileiros.

Enquanto o país se espantava com a bandalheira do mensalão — aquele esquema em que um partido, banqueiros e altos funcionários da administração se organizavam numa quadrilha para criar um Congresso paralelo —, outra maquinaria criminosa, em tudo semelhante e com boa possibilidade de ter movimentado quantidade ainda maior de dinheiro, vigorava na Petrobras, a principal empresa brasileira.

Não, senhores! Seus promotores e operadores não se intimidaram. Talvez escarnecessem do país: “Vejam lá aqueles se estapeando por causa de pouco dinheiro, e nós, aqui, a operar uma máquina de corrupção bilionária”.

Sim, leitores, por mais que o mensalão petista tenha movimentado uma fábula, o valor é troco de pinga na comparação com os recursos que passaram pelo “Petrolão”. Só a compra da refinaria de Pasadena — uma das operações da máfia que tomou conta da Petrobras, segundo Paulo Roberto Costa — gerou aos cofres da empresa um prejuízo de US$ 792 milhões nas contas do TCU — ou R$ 1,8 bilhão.

Segundo o engenheiro da Petrobras Paulo Roberto Costa, que está preso, ao contratar obras de empreiteiras, a Petrobras pagava propina a um grupo de políticos do PT, do PP e do PMDB. Entre os principais nomes implicados na lambança, está o de João Vaccari Neto, homem que cuida das finanças do petismo.

O esquema da Petrobras, que chamo aqui de Petrolão, em tudo reproduz o mensalão. Não é diferente nem mesmo a postura do Poder Executivo, da Presidência da República. Dilma repete, ainda que de modo um tanto oblíquo, o conteúdo da frase célebre de seu antecessor: “Eu não sabia”, ainda que, no comando da Petrobras, durante os oito anos de governo Lula e em quase dois da atual gestão, estivesse José Sérgio Gabrielli, um medalhão do PT, o principal responsável pela compra da refinaria de Pasadena.

Nada, nada mesmo, lembra tanto a velha política como a gestão miserável que tomou conta da Petrobras. Infelizmente para o país, o nome de Eduardo Campos, antecessor de Marina Silva na chapa presidencial do PSB, aparece no centro do escândalo. As falas de petistas e peessebistas se igualavam na desconversa até ontem. Nesta segunda, Marina Silva mudou um pouco o tom (ver post seguinte),

Para arremate da imoralidade, um ministro como Gilberto Carvalho (ver post) vem a público para atribuir a corrupção desavergonhada ao sistema de financiamento de campanha. Segundo ele, caso se acabem com as doações privadas, isso desaparecerá. Trata-se de uma falácia espantosa. Ao contrário: se e quando as doações de empresas forem extintas, mais as estatais estarão entregues à sanha dos partidos.

Escreverei isto aqui pela enésima vez: é claro que o PT não inventou a corrupção. Os larápios já aparecem em textos bíblicos; surgem praticamente junto com a civilização. Mas nenhum outro partido na história da democracia (e até das ditaduras), que eu me lembre, buscou naturalizar a prática corrupta como mera necessidade, como uma imposição dos fatos, como tática de sobrevivência.

Até quando?

MERVAL PEREIRA: O fato novo



Marina tem no episódio a prova material de que a “velha política” transformou o Congresso em um balcão de negócios, mas a confirmação de suas denúncias veio junto com a inclusão do ex-governador Eduardo Campos na lista dos beneficiários das negociações do ex-diretor da Petrobras Paulo Roberto Costa.

Esse é um empecilho e tanto para a exploração do caso, mesmo que esteja implícito que a candidata não tem nada a ver com os fatos acontecidos antes de ela, por constrangimentos políticos que lhe foram impostos, aderir ao PSB, inclusive o jato que veio junto, ao que tudo indica, nesse mesmo pacote.

Se fosse a candidata da Rede Sustentabilidade, Marina estaria hoje livre, leve e solta para empunhar a bandeira da nova política em contraponto às nebulosas transações que seus adversários comandam nos bastidores políticos de Brasília. Mas terá que pisar em ovos para usar a artilharia pesada que lhe caiu no colo sem que o fogo amigo a atinja.

Quem poderá se beneficiar da situação é o candidato do PSDB Aécio Neves, que precisava de um fato novo para turbinar sua campanha, e ele chegou pela delação premiada do ex-diretor da Petrobras. Não é possível dizer agora se mais essa denúncia de roubalheira institucional será suficiente para recolocá-lo na disputa, mas ele tem a vantagem no momento de poder atacar tanto Marina como Dilma, reforçando a ideia central de sua campanha de que ele é a mudança segura.

A presidente Dilma dificilmente perderá votos do núcleo duro petista, que vota nela mesmo de olhos e narizes fechados, e considera normais esses esquemas corruptos. Veremos agora de que tamanho é o apoio da candidata Marina Silva, e qual a intensidade da revolta de eleitores que estavam fora da eleição por vontade própria e retornaram devido à sua presença.

Aécio poderá tentar retomar eleitores que foram para Marina, que também receberá eleitores que voltaram para Dilma e poderão ficar sensíveis a mais esse escândalo. Tudo dependerá de como Marina usará esse episódio. Quem é Marina de fato, desde a eleição de 2010, já estará convencido de que ela foi apanhada em uma armadilha montada pela “velha política” de que Eduardo Campos se utilizava antes de romper com o governo petista. E a perdoará por isso, entendendo que não tem condições de romper agora com o esquema político que a acolheu em momento difícil.

Ainda mais tendo como vice um político orgânico do PSB. Muitos que foram para ela em busca de um refúgio poderão se convencer de que Aécio Neves é a melhor oposição, e muitos outros podem desistir mais uma vez de votar, convencidos pelos fatos de que são todos farinha do mesmo saco.

O certo é que a presidente Dilma, que ensaiava uma reação levada pela máquina partidária e pelos militantes petistas, está novamente enredada em um esquema político deletério. Se é verdade que ensaiava retirar do fundo da gaveta a imagem da faxineira ética do início de seu governo para reforçar o combate à corrupção, agora vai ter que desistir da ideia.

Já era uma proposta desesperada, pois as contradições são evidentes entre a faxineira e a atual presidente que colocou de volta no ministério praticamente todos os que enxotara, e agora é inviável. Também fica sem sentido a tentativa do presidente do PT Rui Falcão de insinuar que Marina pretende privatizar a Petrobras e os bancos públicos, uma acusação reciclada que por si só mostra a falta de argumentos do partido na disputa política com Marina.

O novo escândalo vai reviver a ideia de Aécio Neves de reestatizar a Petrobras, que foi tomada de assalto por forças políticas da base aliada governista, sob o comando do PT. Como disse muito bem o presidente da Câmara, Henrique Eduardo Alves, aliás um dos acusados de estar envolvido no esquema de corrupção, “a Petrobras é petista”.

IDOSA METE O DEDO NA CARA DE DILMA EM PLENO RESTAURANTE POPULAR

 

A senhora teria apontado o dedo para a candidata, lhe dizendo uma série de desabafos, transcritos a seguir:

“A senhora acha que agente é trouxa só por que é pobre? Minha filha tenho mais de 80 anos e você é a mulher mais sorrateira e mentirosa que eu já vi. Ferrou com minha aposentadoria, come caviar as minhas custa e agora vem dar uma de boazinha e falar que come essa lavagem aqui? Toma vergonha na cara e vê se some da periferia que aqui ninguém quer você.”

CETICISMO POLÍTICO: Desconstruindo o PT – 1 – Um momento decisivo para quem luta pela liberdade contra a opressão bolivariana




1. É vital que nas redes sociais nos juntemos e redobremos nossos esforços em favor da democracia, cada vez mais em perigo por um governo ditatorial como o do PT.

2. O que está em jogo não é apenas a retirada do PT do poder, mas a manutenção de nossa democracia. O que está em jogo, fundamentalmente, é o futuro do Brasil. Se tomarmos a decisão adequada poderemos frear o processo de isolamento do Brasil em relação aos países mais civilizados do Globo e bloquear a aliança feita ultimamente com governos totalitários e genocidas. Precisamos entender o quanto a aliança com a escória do mundo é danosa para o povo brasileiro.

3. Nos últimos 12 anos, o governo do PT deu passos firmes na direção de esmagar a vida do povo brasileiro a partir do aparelhamento da máquina estatal. Tudo isso é sustentado por uma maquiagem nojenta da realidade, como, por exemplo, dizer que “o governo colocou 36 milhões de pessoas na classe média”. Eles só não explicam que foi o próprio governo do PT que mudou os critérios para definir o que é classe média, fazendo com que pessoas que ganhem R$ 291,00 reais passassem a ser chamadas de “classe média”. Vergonhoso. Mas esse é o costume da escória das nações, que são os países totalitários e genocidas que esmagam seu próprio povo, recusando-lhes uma vida digna, enquanto fabricam realidades com propaganda. O governo petista aprendeu a lição direitinho com essa escória.

4. Todos os passos positivos dos governos anteriores foram sendo pouco a pouco demolidos pelo governo do PT. Com a aliança com poderosos (o PT é o maior recebedor de financiamento empresarial de campanhas), o governo petista tem a marca de privilegiar sua elite (do partido e de aliados, sejam empresários ou apenas políticos) usando a máquina estatal. Não surpreende que todas as principais empresas financiadoras tenham negócios com o governo. É um jogo onde os beneficiários dão dinheiro para eles às vésperas de campanha e depois recebem seus dividendos. Já o povo? O PT conseguiu diminuir a evolução do IDH conquistada por FHC. A lógica é clara: quanto mais o PT governa, mais ele consegue demolir as conquistas de governos anteriores. O pouco que sobra para eles apresentarem é apenas maquiagem da realidade a partir de propaganda enganosa. É claro o compromisso do governo com os grupos políticos e empresariais que mamam nas tetas do estado, criando apenas caos e ruína para o povo brasileiro. O PT destrói tudo que toca.

5. O estágio atual do governo petista mostra que todas as conquistas do governo FHC já foram devastadas, e como eles não conseguem criar valor (por estarem comprometidos com os poderosos que mamam nas tetas do estado, grupo do qual eles fazem parte e hoje até lideram), é evidente que o segundo mandato de Dilma será ainda mais devastador para o povo brasileiro. Em sintonia com os pedidos de mudança do povo, sabemos que o PT representa a velha política, baseada em usar o estado para a obtenção de benefícios, enquanto o cidadão sofre. A luta pela mudança, pela soberania, pelo bem-estar social e por nossa soberania sobre as riquezas nacionais depende da retirada do PT do poder.

6. A extrema-esquerda sabe que este é o sentimento popular. Por isso, estão tão desesperados em agarrarem-se ao poder no máximo que conseguirem, na luta pela implementação da censura de mídia para calar a voz do povo. Claro que a presidente tentou esconder suas intenções totalitárias, mas os seus grupos aparelhados continuam trabalhando dia e noite nisso. Assim como o Decreto 8243, que usa coletivos não-eleitos como forma de validar as atrocidades do governo, todos os principais projetos petistas se baseiam em usar recursos ditatoriais para a manutenção do poder no máximo que for possível. É evidentemente um plano que se for levado até o fim nos tornará iguais à Venezuela e Argentina, países devastados por tiranetes bolivarianos. Falamos de altíssimas taxas de desemprego, uso de milícias para trucidar cidadãos que protestem e até racionamento de alimentos. E os empresários sérios, é claro, fogem desses países.

7. É só ler o que os petistas realmente propõem e buscam e observar o que todos os governos aliados do Foro de São Paulo já fazem para notar que as ambições petistas cospem na cara da maioria da população. Tudo não passa de inchaço e aparelhamento estatal para beneficiar os donos do poder, enquanto o povo vive à míngua. Quando a coisa se complica pelo caos reinante, eles passam a lutar para censurar a mídia, cercear a atuação política pelas regras dos donos do estado e usar coletivos não-eleitos para calar a dissidência. Com isso, conseguirão devastar o resto da riqueza nacional.

8. Ficar do lado do PT é ficar do lado do retrocesso: menos soberania nacional (basta ver o financiamento do Porto Cubano e a perda de duas refinarias nossas para a Bolívia), maior dependência de países perigosos (e alguns destes países praticam genocídios contra seus povos e financiam derrubada de aviões repletos de inocentes), e a destruição do nível de vida da população, com desemprego, queda da riqueza e endividamento. Quer dizer: o de sempre em se tratando de governos socialistas que aprendem suas lições com países atrasados que transformam o seu povo em gado de poderosos mamando nas tetas do estado.

9. No programa econômico da extrema-esquerda (representada pelo PT) precisamos destacar algumas propostas com graves consequências: “o uso do Banco Central para maquiar a crise”, “a manutenção da política externa” e “uso da Petrobrás como instrumento de manutenção de poder”. Vamos fazer a tradução do programa da esquerda para um português mais claro que a neve: eles usam o Banco Central para fingir que a economia está bem a partir da maquiagem (com isso, conseguiram lançar 57 milhões de brasileiros na inadimplência, o que vai destruir a vida de muitas famílias), entregando o comando de nossa economia aos grupos que querem se perpetuar no poder, ajudando apenas a políticos que emulam o padrão dos governos mais atrasados do mundo, alguns deles chegando a escravizar seus habitantes. Não se esqueça de atos vergonhosos de corrupção como os do Mensalão e do recente Petrolão, que é o uso da Petrobrás para a manutenção do poder. A manutenção do PT no poder é a opção pela destruição deliberada do Brasil em prol de poderosos que vivem mamando nas tetas do estado. Exatamente como ocorre com a população de países não-civilizados com os quais o governo do PT tem feito aliança, desafiando a soberania nacional. Típico caso de traição da Pátria.

10. Em resumo, a manutenção do PT no poder se sustenta em fraudes intelectuais, manipulação de informações, aliança com a escória das nações do mundo, uso da máquina estatal contra o povo, medidas opressoras e táticas de desinformação, dentre outras baixarias, configurando a manutenção de um enorme passo atrás não apenas na política e nos direitos humanos, como também em todas as conquistas econômicas de governos anteriores (e muito mais democráticos) e, principalmente, em todas as nossas conquistas civilizacionais. Ao lutar contra o PT lutamos para o fim de um reinado de terror.

***

Este texto é uma desconstrução reconstrucionista da parte inicial vista no texto publicado na Página 13, com o título Anteprojeto de resolução (ao DN do PT de 06/09/2014. Obviamente, todas as mentiras do PT são traduzidas para fatos (ou seja, onde os desconstruímos), bem como usamos o novo conteúdo reformatado para dizer o que precisa ser dito. A desconstrução foi criada por Jacques Derrida, e a reconstrução por John Dewey. São métodos de esquerdistas que podem ser usados de forma muito mais justificada a partir de todos os adeptos da liberdade, sejam eles de direita, centro ou até a esquerda moderada.

No próximo texto dessa série teremos a desconstrução reconstrucionista de outras partes deste texto, com foco na ampliação do item 9, onde será tratado especificamente o projeto totalitário de poder do PT, incluindo o conselho soviético, a censura de mídia e a criação da política dominada pelo estado (que eles chamam de reforma política).

Se tiverem sugestões de desconstruções e reconstruções, também agradeço, pois quero publicar um texto por dia até o final da semana, de forma que ele seja útil para a propagação de conteúdo em quaisquer ambientes na luta contra os projetos de poder do PT.

JOSIAS DE SOUZA: Delator da Petrobras deixou Dilma sem sentido




Dilma Rousseff acredita que a delação do ex-diretor preso da Petrobras Paulo Roberto Costa não abala a sua administração. “Eu acho que não lança suspeita nenhuma sobre o governo, na medida em que ninguém do governo foi oficialmente acusado”, disse ela, em timbre enfático. Perdidos em meio às perversões que o aparelhamento do Estado produz, a presidente e seu governo inocente lembram muito as virgens de Sodoma e Gomorra.

“O governo tem tido em relação a essa questão uma posição extremamente clara”, Dilma prosseguiu. Muito clara, de fato. Tão clara quanto a gema. “Foram órgãos do governo que levaram a essa investigação. Foi a Polícia Federal, não caiu do céu. Foi uma iniciativa da PF e também de outros órgãos, como Ministério Público e Judiciário. O governo está investigando esta questão.” Isso é que é governo eficiente. Ele mesmo desvia, ele mesmo investiga. E a presidente se autoabsolve.

Recordou-se a Dilma que o nome de um de seus ministros, Edison Lobão, consta da lista de supostos recebedores de propinas prospectadas na Petrobras. E ela: “Eu preciso dos dados que digam respeito, ou que tenham alguma interferência no meu governo. Enquanto não me derem os dados oficialmente, não tenho como tomar uma providência. Ao ter os dados, eu tomarei todas as providências cabíveis, inclusive se tiver de tomar medidas mais fortes.”

Pode-se acusar Dilma de muita coisa, menos de incoerência. Xerife do setor energético desde o primeiro reinado de Lula, ela sempre foi 100% fiel aos interesses de José Sarney. Em 2004, ainda ministra de Minas e Energia, levou ao microondas um respeitado presidente da Eletrobras, Luis Pinguelli Rosa, para acomodar no lugar dele Silas Rondeau, afilhado político de Sarney.

Em 2005, alçada à Casa Civil pela queda do companheiro José Dirceu, Dilma cacifou o nome de Rondeau para substituí-la no comando da pasta de Minas e Energia. Com isso, forneceu matéria-prima para que a Polícia Federal comprovasse sua eficiência. Decorridos dois anos, o ministro de Sarney foi pilhado pela PF na Operação Gautama.

Acusado de apalpar um envelope contendo propina de R$ 100 mil, Rondeau deixou o cargo para se defender. E foi substituído, com o aval de Dilma, por Edison Lobão, outro ministro da cota de Sarney. Eleita presidente, em 2010, Dilma manteve Lobão na Esplanada. Demitindo-o agora, cutucaria o morubixaba maranhense. Algo que nem Lula jamais ousou fazer. Melhor negociar.

No início do ano, quando Dilma promoveu sua última reforma ministerial, eufemismo para troca de cúmplices, o PMDB guerreava por um sexto ministério. E o presidente do PT federal, Rui Falcão, tratou de acomodar as coisas em pratos pouco asseados: “Não vamos ceder um novo ministério para o PMDB. Agora, concessão para discutir projeto de lei, espaço em estatal, para isso estamos abertos à negociação.”

O delator Paulo Roberto Costa é resultado desse tipo de arranjo que levou os governos do PT a abrigar as “indicações partidárias'' nos “espaços” de empresas estatais. Paulinho, como Lula o chamava, foi indicado em 2004 pelo PP do mensaleiro morto José Janene. Nomeado diretor de Abastecimento, passou a servir a uma joint-venture partidária que reunia, além do PP: PT, PMDB e alas do PTB. Deixou a Petrobras em 2012, já sob Dilma. Era um escândalo esperando para acontecer.

Ao dizer que a delação de Paulinho “não lança suspeita nenhuma sobre o governo”, Dilma fica desobrigada de fazer sentido. Candidata à reeleição, ela enfrenta a crise ética que engolfa alguns dos principais acionistas do conglomerado governista à maneira do avestruz. Foge da realidade enfiando a cabeça na ilógica: “Ninguém do governo foi oficialmente acusado.” Então, tá! Ficamos assim. Não se fala mais nisso.

ALERTA TOTAL: Paulo Roberto Costa decidiu partir para delação premiada depois do “acidente” de Eduardo Campos



Edição do Alerta Total – www.alertatotal.net
Por Jorge Serrão - serrao@alertatotal.net


Eduardo Campos vinha recebendo ameaças veladas de membros da cúpula petista sobre o alto risco de seu nome ser envolvido, de forma comprometedora, nas investigações da Operação Lava Jato, principalmente nos negócios superfaturados envolvendo a refinaria Abreu e Lima, em Pernambuco. A queda do avião que matou o presidenciável socialista foi a gota d´água para Paulo Roberto Costa, ex-diretor de abastecimento da Petrobras, decidir contar tudo que sabe na delação premiada aos investigadores da Operação Lava Jato.

Também ameaçados, Paulo Roberto e seus familiares temiam o mesmo destino fatal de Campos. Preso desde março na Polícia Federal no Paraná, Paulo Roberto soube de uma informação assustadora sobre o “acidente”. Um dia antes da queda mortal em Santos, dois homens fizeram uma “manutenção” na aeronave. O fato gravíssimo é que a Aeronáutica e a segurança da Infraero no aeroporto Santos Dumont, no Rio de Janeiro, não têm a identificação dos dois “técnicos”.

Ao saber que a estranha ocorrência era investigada pela FAB, indicando que a morte de Eduardo Campos pudesse não ser tão acidental quanto parecia, Paulo Roberto resolveu mudar sua estratégia de defesa e contou tudo que sabia ao Ministério Público Federal e ao juiz Sérgio Fernando Moro, da 13ª Vara Federal em Curitiba. O nome de Eduardo Campos, inclusive, foi um dos citados nos problemas ligados à refinaria Abreu e Lima. Como bem reclamou a alarmada candidata Marina Silva, Paulo Roberto causou uma “segunda morte” de Eduardo Campos.

O domingão foi de pânico por causa da delação premiada de Paulo Roberto Costa. O ex-Presidente Luiz Inácio Lula da Silva viajou ontem de manhã à Brasília para uma “reunião de emergência”. Lula se deslocou no jatinho da empreiteira Andrade Gutierrez que costuma usar em seus deslocamentos. O fato coincide com o momento fatal em que a Lava Jato, a partir do que Paulo Roberto delatou, começa a centrar fogo nos negócios das grandes empreiteiras – principalmente com a Petrobras. As grandes construtoras, inclusive, passaram o recibo de montar um inédito “pool” para a uma estratégia comum de defesa – já que teriam sido formalmente denunciadas, com provas, sobre pagamentos de propinas milionárias. As construtoras Camargo Corrêa, Odebrecht, OAS e Mendes Júnior, entre outras menos votadas e tradicionais doadoras de campanhas eleitorais, estão na mira do Ministério Público Federal e da Justiça.

O 7 de setembro foi um dia terrível para quem já sabe ter sido dedurado pelo arquivo-vivo Paulo Roberto Costa. Embora não se saiba que tenha sido formalmente citado pelo ex-diretor de abastecimento da Petrobras, Lula ficou tão preocupado quanto irritado, e já deu ordens para o governo adotar uma linha ofensiva de discurso. A missão é quase impossível para Dilma Rousseff que ontem estava abatida porque sabe não ter mais condições políticas de manter sua amiga Maria das Graças Foster na presidência da Petrobras. Dilma deve receber de Graça, o mais urgente possível, o “pedido para sair”, provavelmente junto com toda a diretoria da estatal de economia mista.

A turma do Palácio do Planalto, que só sabe de tudo quando convém, foi informada de que Paulo Roberto não poupou ninguém. Tanto que sua delação premiada, respaldada na Lei 9.807, de 1999, agora considerada mais uma herança maldita da Era FHC, pode render a Paulo Roberto até um inesperado “perdão judicial”. Se suas informações realmente permitirem a identificação dos membros da organização criminosa e facilitarem a recuperação total ou parcial dos milhões ou bilhões de reais desviados pelo esquema da Lava Jato, Paulo Roberto pode entrar no programa de proteção a testemunhas. Assim, legalmente, mudaria de nome e sairia do Brasil.

O acordo de delação premiada firmado por Paulo Roberto Costa com a Justiça terá de ser homologado pelo ministro Teori Zavascki, do Supremo Tribunal Federal, que cuida já de três ações ligadas à Lava Jato que envolvem políticos e autoridades com direito a foro privilegiado. A tendência de Zavaskci, sem muita alternativa, é pela ratificação do acordo. Em maio, o ministro chegou a conceder um habeas corpus libertando 12 presos na Lava Jato, inclusive Paulo Roberto. Mas foi obrigado a voltar atrás, sob o argumento de que os suspeitos poderiam fugir. Como os investigadores encontraram uma conta corrente de Paulo Roberto na Suíça, o juiz Sérgio Moro teve um argumento legal para fazê-lo retornar à cadeia.

Paulo Roberto Costa afundou o PTitanic. Agora, como diz um amigo, restam duas classes no Brasil, que aguardam os próximos acontecimentos: as armadas e as alarmadas...

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