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sexta-feira, agosto 15, 2014

MIGUEL REALE JR: O Decreto n.º 8.243, da presidente Dilma Rousseff, não passa de um instrumento para atrair a sociedade visando aprisioná-la nos tentáculos de uma insaciável sede de domínio



TENTÁCULOS

A participação popular junto à administração pública não é nada de novo. Constituía, desde 1980, uma das ideias-força de Franco Montoro, a se realizar por meio da descentralização. Para Montoro, “descentralizar é colocar o governo mais perto do povo e, por isso, torná-lo mais participativo, mais eficiente, mais democrático”.

Montoro ponderava que não se mora na União nem no Estado, mas no município, razão por que a população local deve, por melhor conhecer seus problemas e soluções, participar dos órgãos comunitários a serem ouvidos pela administração no diagnóstico da situação e na sugestão de caminhos a serem trilhados. A seu ver, tudo o que puder ser decidido e realizado pelo bairro, pelo município, pela região não deve ser absorvido pela administração superior, vindo a facilitar a participação popular, motivo pelo qual descentralização e participação se imbricam: uma acompanha a outra, permitindo que Estado e sociedade se aproximem.

Montoro não ficou apenas no plano do discurso, pois deu efetividade às suas ideias, desconcentrando competências e fiscalização, como ocorreu, dentre tantos exemplos, na municipalização da merenda escolar, com repasse de recursos para tanto e a criação de Conselhos Municipais da Merenda Escolar, compostos por representantes da prefeitura, da Câmara Municipal, da Secretaria de Educação, da Associação e Pais e Mestres e de produtores e fornecedores locais. No governo paulista, criou, por exemplo, o Conselho da Condição Feminina, o Conselho Estadual da Comunidade Negra, os Conselhos Comunitários de Segurança Pública.

Com a participação de especialistas, já na década de 1930 se instituíra o Conselho Nacional da Saúde, depois paulatinamente democratizado com maior número de representantes da sociedade, antes mesmo da Constituição de 1988. No plano nacional, em 1985 surgiu o Conselho Nacional dos Direitos da Mulher e o Conselho Nacional do Consumidor.

A Constituição de 1988 consagrou, em diversos artigos, a participação da sociedade no auxílio à formulação de políticas públicas e na fiscalização da gestão, como se pode verificar: 1) no artigo 10.º se assegura a participação de trabalhadores e empregadores nos colegiados dos órgãos públicos em que haja discussão e deliberação de seus interesses profissionais ou previdenciários; 2) no artigo 187 se prevê que a política agrícola seja planejada e executada com a participação efetiva do setor da produção, envolvendo produtores e trabalhadores rurais, além dos setores de comercialização, armazenamento e transporte; 3) no artigo 198, III, se estabelece a participação da comunidade no âmbito dos serviços públicos de saúde.

Depois da atual Constituição federal muitos conselhos se formaram, tal como o Conselho Nacional dos Direitos da Criança e do Adolescente (Conanda), ou tiveram ampliada a participação da sociedade, conforme se deu no Conselho Nacional do Meio Ambiente (Conama). Assim, a participação da sociedade em diversos organismos para apresentar à administração a realidade a ser enfrentada, com sugestão de soluções, acompanhamento e controle de sua efetividade, é fato consagrado na realidade política brasileira.

O que espanta, então, no recente Decreto n.º 8.243, da presidente Dilma Rousseff, ao instituir a Política Nacional de Participação Social, não é o reconhecimento da participação da comunidade como auxiliar da administração, mas a tentativa de engessar essa participação à Presidência da República, mais especificamente, à sua Secretaria-Geral. Pelo decreto, verifica-se que a absolutamente necessária descentralização e a independência de organismos integrados e formados pela comunidade se esboroam, com o aparelhamento da sociedade civil, pois ficam sujeitos a um processo de centralização e de dominação da Secretaria-Geral da Presidência da República.

Malgrado se estatua ser diretriz a autonomia das organizações da sociedade civil, na verdade, submete-se sua participação à Secretaria-Geral da Presidência, à qual incumbirá orientar todos os órgãos da administração sobre a forma de implementar a contribuição da sociedade civil, bem como avaliar tal contribuição, consoante preceitua o artigo 5, parágrafos 1.º e 2.º. Para tanto cria-se, por decreto, de forma inconstitucional, um órgão, o Comitê Governamental de Participação Social, coordenado pela Secretaria-Geral da Presidência, incumbido de a assessorar no monitoramento e implementação da Política de Participação Social.

No mais, o decreto disciplina totalmente como devem funcionar as diversas instâncias da participação social – conselhos de políticas públicas, comissões de políticas públicas, conferências nacionais, mesa de diálogo, fórum interconselhos, audiência pública, consulta pública, ambiente virtual de participação – que ficarão subordinadas à Presidência da República, retirando desses órgãos da sociedade civil sua vitalidade e sua espontaneidade ao burocratizá-los e submetê-los à orientação e avaliação de sua atuação por parte do comitê centralizador ligado à Secretaria-Geral da Presidência.

Tal centralização e o controle das instâncias de participação defluem claramente do disposto no artigo 8.º do decreto, segundo o qual compete à Secretaria-Geral da Presidência “realizar estudos técnicos e promover avaliações e sistematizações das instâncias e dos mecanismos de participação social definidos neste Decreto”. Dessa maneira, as instâncias de participação ficam sugadas de sua liberdade ao serem sempre avaliadas pela Secretaria-Geral da Presidência e ao deverem obedecer à sistematização por ela imposta.

Em suma, a propalada Política de Participação Social não passa de um instrumento que, em vez de arejar a administração em contato com a sociedade, sujeita os organismos vitais da sociedade ao crivo constante do poder central, atraindo a sociedade para aprisioná-la nos tentáculos de uma insaciável sede de domínio.

Miguel Reale Jr. é advogado, professor titular aposentado da faculdade de Direito da USP, membro da Academia Paulista de Letras, foi ministro da Justiça
Artigo publicado originalmente no jornal O Estado de S. Paulo.

RODRIGO CONSTANTINO: O Watergate de Dilma?



O uso da máquina estatal para interferir no jornalismo levou Nixon à renúncia.

Acabo de escutar Diego Escosteguy, da revista Época, comentar na rádio CBN sobre o absurdo caso dos ataques a jornalistas do GLOBO, que tiveram suas reputações manchadas com mentiras na Wikipedia produzidas diretamente no Palácio do Planalto.

Diego reconheceu a gravidade do assunto, e disse que é uma nova etapa em uma sequência de ataques, que se intensificaram desde o segundo mandato de Lula. O PT simplesmente não tolera uma imprensa independente. Mas dessa vez a coisa passou de qualquer limite, pois o IP usado para os ataques, uma espécie de identidade digital, vem diretamente do Planalto.

A reação do governo federal foi “defensiva”, diz Diego, o que soa estranho. Qualquer leigo em tecnologia sabe que não é difícil rastrear de qual computador exatamente partiu o ataque. Por que o governo não entrega isso? Por que prefere alegar que qualquer um pode ter sido o responsável, pois é uma rede aberta a todos que ali trabalham? Quer dizer, então, que qualquer um que usa o Wi-Fi local pode fazer qualquer coisa, inclusive praticar crimes, usando o IP do Palácio, e o governo nem sequer saberá quem é? Piada!

Como um jornalista conhecido me disse em email, “O caso de adulteração pelo Palácio do Planalto dos perfis de jornalistas das Org. Globo na Wikipédia é um Watergate”. Concordo com ele! Estamos diante de algo da maior gravidade, que demanda explicações imediatamente, e convincentes! Cada minuto de silêncio apenas serve para adicionar suspeitas e incriminar a própria presidente. Dilma foi conivente? Sabia? Então por que não age com firmeza para descobrir logo de onde vieram as mudanças para punir os responsáveis?

Governantes autoritários não suportam jornalistas que querem trabalhar. Preferem, naturalmente, aqueles blogueiros da mídia chapa-branca, repleta de anúncios de estatais, “trabalhando” o dia todo só para disseminar mentiras pelas redes sociais e defender o indefensável: um governo incompetente e corrupto.

Mas estamos ou não em uma democracia? Se gente de dentro do próprio Planalto inventa mentiras e mexe nas biografias pela internet, o que mais serão capazes de fazer para impedir o livre funcionamento do jornalismo? Era isso que Dilma tinha em mente quando disse que faria o “diabo” para vencer? O que mais vem por aí?

A TRAIÇÃO DE DILMA - O beijinho no ombro do comunismo e da corrupção



VAZA PETEZADA!

PETRALHAS: Nora do tiranete Lula ganha R$13.500 no Sesi, onde nunca aparece




Nas fotos, a norinha e o filhote Sandrinho Lula.


Não resisti. Surrupiei na íntegra o post do Coronel sobre o patrimonialismo lulista. É um deboche contra os trabalhadores. O pelegão Jair Meneguelli, nomeado por Lula para a presidência do Sesi, é muito grato com o patrono. Dinheiro é o que não falta para afamiglia. Note-se: a norinha do falastrão de São Bernardo ganha mais que professores universitários em fim de carreira. Qualquer semelhança com os filhos de Chávez, que pintam e bordam na Venezuela e no exterior, não é mera coincidência. Eita, socialismo do século XXI!

Acima um álbum da agitada vida de Marlene Araújo Lula da Silva, uma das noras do ex-presidente Lula. No papel e na conta bancária, ela trabalha no SESI, segundo matéria da revista Época que está nas bancas. Marlene é casada com o quarto filho de Lula, Sandro Luís Lula da Silva. Raramente aparece no serviço, apesar de ter um salário de R$ 13.500 mensais. Diz ser “formada em eventos”. 

Questionada sobre o que faz no Sesi, onde está empregada desde 2007, Marlene foi vaga. Disse trabalhar em programas do Sesi na capital paulista e na região do ABC. “Trabalho com relações institucionais. Fico muito tempo fora do escritório. Tenho uma jornada flexível. Quem me contratou foi o Jair Meneguelli”, afirmou. 



Meneguelli é o presidente do Sesi. Sindicalista e amigo de Lula, ocupa o cargo desde que o PT chegou ao Planalto, em 2003. “Mas por que está fazendo essas perguntas? Se você está me procurando, deve ser pela ligação que tenho de sobrenome”, disse.

Marlene é apenas um dos fantasmas vermelhos que, segundo descobriu a Controladoria-Geral da União, a CGU, habitam a casa amarela. Os auditores da CGU estiveram no SESI várias vezes e jamais flagraram a nora de Lula trabalhando. Experimentaram ligar em horários alternados, na tentativa de achá-la na labuta. Nenhum vestígio. Por fim, decidiram perguntar ao Sesi que atividades Marlene exercera nos últimos tempos. A resposta foi evasiva.



Agora, a CGU trabalha num relatório sobre a caça aos fantasmas. A rotina tranquila permitiu que Marlene se lançasse ao mundo corporativo. Em 2009, ela se tornou sócia do marido e de um cunhado, Marcos Luís, numa empresa de tecnologia que se diz especializada na produção de software, a FlexBr. Até hoje a empresa não tem site. Antes escanteada num imóvel da família do advogado Roberto Teixeira, compadre de Lula, em São Bernardo do Campo, a FlexBr mudou-se para um belo prédio no bairro dos Jardins, em São Paulo. ÉPOCA também esteve lá na semana passada. As atendentes do prédio disseram que a empresa não funciona mais lá há pelo menos um ano. Nunca viram Marlene ali.

CETICISMO POLÍTICO: Mais uma vez o PT atazana quem se atenta aos fatos, o partido processa blogueira de Cuiabá






Antes de começarmos, peço que leia a notícia do Estadão:
O PT entrou com ação contra a economista e blogueira Adriana Vandoni, de Cuiabá (MT). O PT quer R$ 50 mil a título de danos morais por causa de um comentário de Adriana Vandoni, transmitido pela TV Pantanal, no dia 20 de março passado. Ela critica o negócio que envolve a Petrobrás na compra da refinaria de Pasadena (EUA) e diz: “Para com esse negócio de roubar xampu, de roubar pinga, nada, forma uma quadrilha, junta seus amigos, filiem-se ao PT e roubem, mas roubem muito.”
A ação do PT foi revelada pelo FOLHAMAX, site de Cuiabá. A reportagem, assinada pelo jornalista Rafael Costa, é intitulada “PT nacional processa blogueira que acusa sigla de proteger bandidos.”
O processo contra Adriana Vandoni foi distribuído para a 7.ª Vara Cível de Cuiabá. O juiz Yale Sabo Mendes determinou que a assessoria jurídica do PT anexe aos autos do processo o estatuto do partido e a ata na qual comprova que Rui Falcão é presidente nacional da sigla.
Filiada ao PDT, Adriana Vandoni é candidata a deputada estadual nas eleições de outubro. Seu blog, Prosa & Política, é muito acessado e bastante polêmico, sobretudo pelas críticas pesadas ao PT.
Agora veja o comentário de Adriana na íntegra:
Olá. Boa Tarde. Hoje nós vamos contar uma historinha de dois vizinhos. O seu vizinho comprou um carro velho e pagou quarenta e dois mil reais. Aí, todo dia você passava lá e olhava aquele carrinho velho. Um dia você chegou pro vizinho e falou assim: – Olha, eu quero comprar metade do seu carro. Vamos fazer esse negócio? – E o vizinho falou: – Opa! Vamos! Trezentos e sessenta mil – Aí, tudo bem. Você vai lá, foi lá assinou o contrato que está comprando a metade do carro por trezentos e sessenta mil reais. Mas não era só isso, lá no contrato, na cláusula, tinha uma cláusula que falava assim: se o vizinho desistir da compra do carro, você é obrigado a comprar a outra metade. Ótimo, beleza. Passou um tempinho, seu vizinho, que não é bocoió nem nada, desistiu do carro e exigiu que você cumprisse aquela cláusula. Você foi obrigado a comprar outra metade, só que não era mais trezentos e sessenta mil, era oitocentos e vinte mil reais. Então, presta atenção, o carro custou quarenta e dois mil reais, você pagou por uma metade trezentos e sessenta e pela outra metade oitocentos e vinte, um milhão e pouco. Que negócio de louco é esse, só um idiota faria. Sabe quem fez isso com você, comigo, com nós todos que pagamos impostos? A Petrobrás. No caso, não foi com o carro, foi a refinaria de petróleo de Pasadena. E o vizinho, é uma empresa belga. E o valor não foi um milhão e pouco de reais, foi um bilhão de dólares. Isso que a Petrobrás fez. Quem que fez esse negócio? Quem que assinou essa compra maravilhosa? A atual presidente da Petrobrás, Sérgio Gabrielli, que hoje é secretário estadual na Bahia; e o atual governador da Bahia, o Jaques Wagner. Eles assinaram, todos eles petistas e todos eles trabalhando em cargo público. E não foram só eles, ainda teve mais, a competentíssima Dilma Rousseff também assinou essa maravilhosa transação. Aí agora, na semana passada, quando a notícia veio a público através do jornal O Estado de S. Paulo. O que a presidente Dilma disse? Que ela não sabia, tal qual seu mestre Lula no episódio do mensalão Dilma também não sabia. Ela assinou essa compra e não sabia. Aí eu fico aqui me perguntando: Vocês perceberam que são quatro, mais a Dilma, cinco? Será que dá formação de quadrilha? Não, não vai dar formação de quadrilha. Sabe por que? Porque eles são do governo. Então, temos que dar um conselho pros ladrões de galinha: – Para com esse negócio de roubar xampu, de roubar pinga, nada, forma uma quadrilha, junta seus amigos, filiem-se ao PT e roubem, mas roubem muito. Porque não é xampuzinho que vai te fazer ficar cada vez mais alto num cargo público. Roube bilhões e bilhões de dólares e depois na hora que te pegarem fale que você não sabia. – Voltamos amanhã, com mais um comentário.”
O vídeo está abaixo:
E não podia deixar de faltar o momento humor involuntário, no desabafo do PT contra Adriana:
A ilação, a acusação, desrespeita o Partido dos Trabalhadores que busca, como todos os demais partidos políticos, atrair mais pessoas para a agremiação política, aumentando a participação política da sociedade e elevando o nível da discussão política. Portanto, a acusação fere frontalmente o cerne do partido político, sua capacidade de mobilizar o cidadão para a discussão e evolução política e da sociedade.
É importante ler a nota da assessoria de Adriana:
“Por meio de assessoria de imprensa a candidata a deputada estadual Adriana Vandoni (PDT) vem a público esclarecer que uma das formas mais cruéis e covardes de intimidação contra a humanidade é barrar o livre direito de expressão. Essa tortura, disfarçada em ações judiciais, é uma arma antiga e que tem sido usada de forma incisiva contra a economista e blogueira.
Somente na última semana, desde que começou a ganhar destaque na imprensa, após lançar sua campanha para deputada estadual, Adriana Vandoni foi alvo de seis representações por declarações feitas durante entrevistas em veículos de comunicação. Essas representações foram impetradas no âmbito da Justiça Eleitoral, pela coligação encabeçada pelo deputado José Riva.
Adriana Vandoni entende que essa é única alternativa que os cupins da política têm para impedir o seu acesso a Assembleia Legislativa de Mato Grosso, já que o apoio popular é cada vez maior. “Estou me defendendo da forma legal. Mas, a minha maior defesa é o apoio das pessoas, que estão cansadas de serem lesadas. Ninguém quer ser processado, mas se é o ônus para mudar essa bandalheira que tomou conta das pessoas que tem o dever de nos representar, eu aceito esse fardo, que eu carrego com muito orgulho. Melhor ser processada por denunciar a corrupção, do que fazer parte dela”, declarou.
No entanto, para surpresa da coordenação de campanha, na tarde desta terça-feira (5), a candidata foi noticiada por meio de um veículo de imprensa que é alvo de mais uma ação judicial. Dessa vez, a ação partiu do Diretório Nacional do PT. O motivo, segundo a reportagem, seria um vídeo que foi transmitido pela TV Pantanal no dia 20 de março deste ano.
No vídeo em questão, a candidata faz um comentário sobre o escândalo internacional referente a compra pela Petrobrás da Refinaria de Pasadena, nos Estados Unidos. O negócio, mal sucedido, gerou prejuízo de US$ 1,18 bilhão de dólares aos cofres públicos, interferindo diretamente na vida de todos os brasileiros.
Ainda sem tomar ciência formalmente sobre o processo, Vandoni adianta que entende a situação como mais uma forma de censura. “Estão tentando me calar, pois sabem que irei incomodar os que querem usar os cargos públicos em benefício próprio. Sabem que se eleita, vou fiscalizar os esquemas dentro da Assembleia e também no governo. Não interessa à banda da corrupção uma pessoa que é contra o desfalque do erário. Recebi com satisfação esse processo, vejo que não sou uma voz solitária e que as minhas críticas incomodam no âmbito estadual e também nacional”.
Agora vamos conversar um pouquinho: o que há de tão “ofensor” nas palavras ditas por Adriana Vandoni?
Avaliemos: o PT teve três de seus líderes condenados no Mensalão, a ponto de irem parar detrás das grades. Ao contrário da maioria dos partidos, o PT abraçou seus criminosos, endossando suas ações e demonizando o ex-presidente do SFT Joaquim Barbosa, que deu a ordem de prisão para o trio Delúbio, Dirceu e Genoíno.
Qualquer outro partido democrático (o que não se aplica ao PT, nem a aberrações como PSOL, PCdoB e PSTU) se envergonharia de ter um criminoso condenado em suas fileiras. O PT, ao contrário, fez papelão ao saudar seus bandidos.
Duvida? Basta ler a manchete de hoje a noite do Brasil247 : “Chega ao fim o martírio de José Genoíno: Liberdade”. Isto é ou não é um apoio a bandidos condenados? Sem deixar de lembrar que tivemos ameaças de morte a Joaquim Barbosa, vindas de onde? De um membro do PT.
E quais frases se tornaram um símbolo do discurso petista em relação a cada escândalo que surge do partido? É sempre um “eu não sabia”, seja de Dilma em relação a Erenice, ou de Lula em relação aos mensaleiros. Hoje em dia a frase “eu não sabia” virou uma forma de fazermos chacota com o PT.
Basicamente, é isso que Adriana constatou. Ela não disse que o PT é uma “quadrilha”, mas que há uma boa probabilidade do partido tratar bem aqueles que formarem uma quadrilha e cometerem crimes em nome do partido.
Se alguém tiver contato com Adriana, façam chegar este texto a ela, por favor.
Esse lançamento de processo por parte do PT é mais blefe do que outra coisa. Com um bom advogado, pode-se demonstrar que eles estão se fingindo de ofendidos diante dos fatos: (1) apoiaram seus criminosos condenados, enquanto a maioria dos partidos os rejeitaria, (2) no momento em que os crimes de seus correligionários foram descobertos, bastou que os chefões dissessem “eu não sabia”. Não é uma moleza?
Uma dica para o advogado de Adriana é a seguinte: compilar milhares de notícias da mídia onde a liderança do PT diz “eu não sabia” após a mídia noticiar crimes de seus correligionários, e a postura de defesa de alguns desses criminosos, como no caso de mensaleiros. Dá para criar uma enciclopédia só com evidências desses dois pontos. Adriana se limitou a apontar isso e nada mais.
Em tempo: que outra reputação o PT esperaria obter depois de abraçar de forma tão efusiva seus mensaleiros?

REINALDO AZEVEDO: Ladrões de instituições

Para lembrar uma imagem empregada certa feita por Diogo Mainardi –que tem sofrido tentativas descaradas e infrutíferas de clonagem na crônica tupinambá–, parte da imprensa está se comportando, no caso da fraude da CPI da Petrobras, como a Fada Sininho do PT, batendo as asinhas para ver se a bomba dos piratas estoura longe do Palácio do Planalto. É uma missão suicida, mas vale sacrificar a honra em nome de mais quatro anos na Terra do Nunca! Há um esforço danado para provar que os petistas, os assessores palacianos e o comando da estatal não fizeram nada demais ao transformar uma CPI numa pantomima ridícula.


Não que se esperasse, dadas as personagens, grande coisa dessa comissão. Mas, vá lá, admita-se que a folgada maioria que detêm os governistas em sua composição é regimental: deriva do desequilíbrio de forças no Senado, que traduz, no entanto, a vontade do eleitor. Nada a fazer a respeito. É legítimo, sim, lastimar certos aspectos da democracia. Só não é permitido solapá-la.

Os que se organizaram numa verdadeira gangue não atentaram apenas contra as prerrogativas da comissão em si. Agrediram também a Constituição, o Poder Legislativo, o Estado de Direito e, por óbvio, o regime democrático. Já está evidente que o comando na operação ficou com o Palácio do Planalto, mais exatamente com a Secretaria de Relações Institucionais, cujo titular é Ricardo Berzoini, de tantos serviços prestados ao escândalo dos aloprados. Eu invoco com o nome dessa pasta desde que ela foi criada, no governo Lula. Quem inventa uma estrovenga chamada "Relações Institucionais" está confessando que opera com "relações não institucionais". Bingo!

Os que me acompanham nesta Folha, no blog que mantenho na Veja.com ou na rádio Jovem Pan sabem que atribuo à roubalheira o peso que a coisa tem: comprovadas as culpas, cana para os larápios! Mas eu me ocupo mais dos ladrões de instituições do que dos ladrões de dinheiro público. Eu não poderia integrar, por exemplo, uma associação de jornalistas investigativos, ainda que eles me quisessem como sócio. Investigo escolhas políticas, não contas correntes ou declarações de Imposto de Renda. Não estou a tratar com menoscabo o trabalho de ninguém, muito pelo contrário: eu o aplaudo. Mas estou mais preparado para denunciar uma ideia fraudulenta do que um crime caracterizado no Código Penal. O mal que os ladrões de instituições fazem ao Brasil é muito superior ao que praticam aqueles outros.

Um ladrão de dinheiro público é um caso de polícia; um ladrão de instituições é um caso de política. Um ladrão de dinheiro público faz um rombo no caixa; um ladrão de instituições faz um rombo numa cultura; um ladrão de dinheiro público morrerá um dia; um ladrão de instituições procria. Um ladrão de dinheiro público inviabiliza um projeto; um ladrão de instituições inviabiliza um país. Apelando agora a Padre Vieira: um ladrão de dinheiro público pode até ser enforcado; um ladrão de instituições manda enforcar.

O jornalismo político no Brasil está, sim, preparado –às vezes, atropelando garantias legais que deveriam ser preservadas– para denunciar o larápio que avança contra o caixa, mas, infelizmente, anda muito pouco atento às manobras solertes dos ladrões de instituições. Quando um ministro de Estado, como Gilberto Carvalho, faz uma peregrinação ao Congresso em defesa do decreto 8.243 –aquele dos conselhos populares–, ele não está avançando no erário. Não há como chamar a polícia. Ele quer é assaltar os fundamentos da democracia representativa. Carvalho, nessa ação, não tenta roubar o nosso dinheiro; ele tenta é roubar o nosso futuro. Com aquele seu ar sereno de santarrão de sacristia, mas com alma de Savonarola.

Eu nunca considerei que o aspecto mais deletério do mensalão fosse a roubalheira em si –que também aconteceu. Mais grave foi a tentativa de criar um Congresso paralelo. Lambanças como as ocorridas na Petrobras, que a CPI deveria estar investigando, podem ter cura se o Brasil e a estatal tiverem governanças decentes. Mas não há esperança quando condescendemos com ladrões de instituições. Até porque eles é que escrevem os evangelhos seguidos pelos outros ladrões.

Fonte: Folha.com

ELIANE CANTANHÊDE: Comédia e tragédia

O ministro Paulo Bernardo tem razão ao dizer que governos combinam depoimentos com aliados em CPIs "desde Pedro Álvares Cabral", mas não leva em conta o "x da questão" no envolvimento do Planalto e das lideranças do PT e do governo na CPI da Petrobras.


Foi Dilma quem acusou o parecer de Néstor Cerveró de falho e incompleto e a compra de Pasadena de ser um erro; e é Dilma quem agora mexe mundos e fundos para defender o parecer, Cerveró e a operação.

Se o parecer induziu a presidência da Petrobras, a diretoria, o conselho de administração e a própria Dilma a comprar a refinaria por valores bem superiores ao que valia e com cláusulas danosas... Dilma teve razão ao apontar o erro e deveria agora querer investigar Cerveró. Houve erro? Foi técnico ou por má-fé?

E, se a operação foi supimpa e o Planalto e lideranças do PT e do governo dão uma mãozinha a Cerveró e para que ele se saia bem, Dilma não teve razão ao apontar o erro e deveria pedir desculpas publicamente a Cerveró, à Petrobras e à sociedade pela nota escrita e assinada por ela sobre a compra de Pasadena.

Ou Dilma errou antes, quando acusou, ou erra agora, quando defende. Sem contar que as histórias mal contadas da Petrobras vão muito além de Pasadena. E Abreu e Lima? E o ex-diretor Paulo Roberto Costa, que foi preso e depositou na Suíça uma fortuna de ditador africano?

Quanto ao TCU, há um impasse geral. Os ministros dizem que não incluíram Graça Foster no bloqueio de bens por erro técnico, pois a atual presidente era diretora na fase final do acerto de Pasadena.

O governo alega que joga seu peso para manter Foster fora dessa para evitar prejuízos à Petrobras (não por ela ser amigona de Dilma).

E a oposição acha que a gestão petista na Petrobras é um manancial para a campanha, mas está tonta diante da inclusão de Foster. Na opinião pública, ela é vista como mulher séria que tenta consertar a casa.

Fonte: Folha.com

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