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sexta-feira, outubro 01, 2004

Programa Integração, da Pé Forte, garante rentabilidade de quase 50% ao ano na criação de avestruzes

Maior empreendimento de criação de avestruz do País, a Pé Forte desenvolve projeto para integrar produtores rurais em um sistema profissional, com segurança e retorno econômico garantido.
Os produtores rurais com interesse na criação de avestruzes estão ganhando uma opção altamente segura e rentável para fazer os seus investimentos. A Pé Forte – maior projeto de avestruzes do País – desenvolveu o Projeto Pé Forte Integração, que visa criar uma efetiva e sólida cadeia produtiva na estrutiocultura, com resultados econômicos positivos a todos os elos do negócio, com fornecimento de carne e plumas para o mercado interno e couro para exportação. É possível participar de duas maneiras: como fazendeiro (com terras) e como investidor (sem terras). Para ambos, a rentabilidade garantida supera os 40% ao ano – chega a 47% no caso dos produtores.
“Nosso objetivo é sair das 100 mil aves que o Brasil possui atualmente e chegar a 480 mil em menos de dez anos. Dessa forma, ganhamos escala para produção de carne e cumprimento regular de contratos de exportação de couro, colocando o País definitivamente no cenário mundial da atividade”, informa Joel Wolff, diretor da Pé Forte e idealizador do projeto.
O fundamento do projeto é a integração dos parceiros e segue o modelo de sucesso da avicultura e da suinocultura na região Sul. O empreendimento é dividido em pólos de criação espalhados pelo País, com infra-estrutura própria e centralizada, com assistência técnica, alimentação, manejo, saúde, gerenciamento, incubação e transporte. As aves, o know-how de criação e a responsabilidade técnica ficam por conta da Pé Forte. O produtor interessado em tornar-se parceiro do projeto precisa dispor de no mínimo cinco alqueires para criação.
O Projeto Pé Forte Integração prevê a instalação de pólos de produtores de uma mesma região geográfica. Além disso, cada grupo de nove pólos estará conectado a uma central de abate e distribuição de carne e subprodutos do avestruz (couro, plumas etc), fechando a cadeia.
“A oferta de carne de avestruz no mercado interno hoje é irregular e o comércio internacional de couro está aquecido e carente de produtos de boa qualidade. Em relação às plumas, também teremos condições de atender à demanda interna, já que o Brasil é o maior importador mundial”, explica Wolff.

Investimento garantido
No Projeto Pé Forte Integração, o produtor adquire, no primeiro ano, trinta aves de três meses, em trios (20 fêmeas e 10 machos), com pagamentos em 12 vezes. No valor, além das aves, estão inclusos suporte técnico, veterinário, incubação, alimentação, assistência do pólo etc.
No segundo ano, o produtor adquire outras 30 aves, também em trios, de um ano de idade. Essa aquisição também é financiada em 12 vezes e tem os mesmos benefícios inclusos. No terceiro ano, não há aquisição de aves, apenas a utilização do suporte técnico e know-how da empresa. No quarto ano, o produtor tem garantido 20 filhotes por fêmea (800 filhotes), os quais serão incubados e criados pela Pé Forte até os três meses, período de maior sensibilidade para as aves. Depois desse período, os animais serão devolvidos para os produtores, onde ficarão até os 13 meses para a engorda e, em seguida, recomprados pela Pé Forte. No ano de 2003, as aves da Pé Forte tiveram postura média de 25 ovos.
"O nosso parceiro terá toda a infra-estrutura da Fazenda Pé Forte e terá garantida a compra do produto. Não precisará passar pela fase inicial de qualquer negócio, que é a consolidação da marca e a conquista da confiança do cliente, pois já desfrutará de uma marca sólida e reconhecida, que é a Pé Forte", afirma Joel Wolff.
O Projeto Pé Forte Integração foi idealizado para produtores rurais, que vivem e gostam da produção animal e querem participar de uma iniciativa séria e com objetivos muito bem definidos: oferta de carne, couro e plumas para atender a demanda já existente. Tudo isso com total garantia.
“Os animais pertencem, desde o início do projeto, aos parceiros, ficando em suas fazendas, exatamente para oferecer segurança aos investidores. Além disso, todas as aves são identificadas desde o nascimento, o que garante a procedência dos animais”, informa Joel Wolff, ressaltando que isso significa aumento do patrimônio do produtor. “É mais uma garantia da Pé Forte de que o projeto é sério e voltado exclusivamente ao fornecimento de subprodutos do avestruz”.

Agende uma visita à Pé Forte
A Pé Forte está à disposição dos produtores rurais para tirar dúvidas e fazer todos os esclarecimentos devidos. Basta ao potencial parceiro inscrever-se no site www.peforte.com.br para ser convidado para uma apresentação detalhada do Projeto Pé Forte Integração. “Nossa proposta é séria e com os objetivos claros: multiplicar a oferta de carne, plumas e couro para o mercado interno e a exportação. Assim, precisamos de parceiros que estejam convencidos da viabilidade econômica do avestruz no Brasil. As reuniões periódicas visam exatamente avaliar o perfil dos interessados e apresentar-lhes todas as informações necessárias para fazer um excelente investimento, tão ou mais rentável que as atividades rurais mais disseminadas pelo País”, explica Joel Wolff.


QUADRO I – Por que Investir no Avestruz?
** Atividade nova no Brasil (uma década)
** Atividade bem-sucedida em outros países de clima tropical
** Brasil: condições ideais de clima, geografia, alimentação, mão-de-obra etc
** Gama de subprodutos: carne para mercado interno, pluma para mercado interno e couro para exportação
** Alta rentabilidade em comparação com outras atividades produtivas
** Produtos de alta qualidade
** Solução para complementação de renda nas propriedades rurais, pequenos produtores, áreas secas e de difícil implantação de outros negócios


QUADRO II – Avestruz: Negócio rentável e produtivo
** No de crias por ano: até 40 (média 30)
** Período de gestação: 42 dias
** Idade de abate: 13 meses (tendência a reduzir)
** Vida fértil: 40 anos em produção
** Produção de couro/ano: até 40 metros
** Nº de aves por alqueire: 80 cabeças
** Produção de carne por matriz: até 1,6 tonelada


QUADRO III – Os objetivos do Projeto Pé Forte Integração
** Necessidade acima de 300 mil aves/ano para abate
** Demanda do mercado interno de carne e plumas
** Demanda do mercado externo de couro
** Construção de cadeia produtiva no Brasil (inexistente)
** Tornar o Brasil peso-pesado na atividade


Texto Assessoria de Comunicações: (11) 3675-1818
Jornalista Responsável: Altair Albuquerque (Mtb 17.291)

Senado vota Lei de Biossegurança na próxima semana

Em meio à polêmica sobre a liberação do plantio da soja transgência por uma medida provisória, o Senado retoma a votação da Lei de Biossegurança na próxima terça-feira. Na pauta, consta um requerimento solicitando regime de urgência para o projeto de lei que estabelece normas de segurança e mecanismos de fiscalização de atividades que envolvam organismos geneticamente modificados (OGM).
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva já afirmou que não vai editar mais uma MP para liberar o plantio de transgênicos no País, pois espera que o Congresso Nacional vote o projeto de lei, legalizando a questão.
Os produtores rurais, por sua vez, garantem que não pretendem esperar e, no Sul, já iniciaram o plantio da soja com sementes transgênicas. "Reconhecemos o esforço dos poderes Executivo e Legislativo para a solução do impasse. Entendemos, todavia, que não haverá tempo hábil para a solução a cargo do Congresso, considerando que o calendário agrícola não está subordinado às regras da burocracia", diz nota da Confederação Nacional da Agricultura (CNA).
No dia 16 de setembro, a votação da Lei de Biossegurança pelo plenário do Senado foi adiada, apesar da existência de acordo entre governo e oposição para apreciar a matéria. Sem o quórum mínimo de 41 senadores presentes, os líderes desistiram da votação depois que a senadora Heloisa Helena (PSOL-AL) ameaçou pedir a verificação do número de parlamentares no Senado.


Fonte: Terra

Liberar os transgênicos

Quando ainda era candidato, Lula deu a melhor definição sobre a posição do seu futuro governo na questão dos transgênicos: “liberar é burrice”. Que se passa no governo para que o presidente, no caso da edição de uma MP, faça aquilo que antes chamou de burrice?
O Presidente da República, quando ainda candidato, deu a melhor definição sobre a posição do seu futuro governo na questão dos transgênicos: “liberar é burrice”. Nestes próximos dias o Presidente poderá assinar uma medida provisória (MP) com o conteúdo do substitutivo do Senador Ney Suassuna ao projeto de lei (PL) de Biossegurança aprovado na Câmara. Ocorre que este PL tem como base uma proposta assinada pelo próprio presidente e que foi amplamente debatida dentro do Ministério antes de ser enviada ao Congresso. Que se passa no governo para que o presidente faça aquilo que antes chamou de burrice?
O argumento avançado pelo porta-voz da presidência, André Singer, de que o substitutivo representa um amplo consenso e que, portanto, deve ser adotado pelo governo é de uma grosseria política assustadora. O “amplo consenso” no Senado se opõe a uma fortíssima maioria da Câmara que aprovou o PL por mais do dobro dos votos. É, no mínimo, ignorar a posição de uma Casa do Legislativo Federal assumir o substitutivo do Suassuna como a posição vitoriosa neste tema.
A atitude aparentemente incoerente do governo no debate deste PL de Biossegurança fica ainda mais estranha quando se sabe que a mobilização pelo voto no substitutivo foi assumida pelo Ministro Aldo Rebelo e pelo líder do governo no Senado, Aloísio Mercadante. O governo mobilizou o Senado para derrubar o seu próprio projeto de lei, aprovado na Câmara contra o voto da bancada ruralista e do lobby da empresa multinacional de biotecnologia Monsanto!
O governo mudou de posição no intervalo da tramitação do PL entre a Câmara e o Senado? Se o fez não foi de forma transparente nem participativa, pois a Ministra Marina Silva foi surpreendida pela atitude dos articuladores políticos do governo no Senado. A ministra considerava, com boas razões, que a posição do governo era aquela discutida na Comissão Interministerial que envolveu onze Ministérios e foi oficializada com a assinatura do presidente ao encaminhar o projeto ao Congresso.
É verdade que as incoerências já tinham começado a se manifestar no próprio debate na Câmara onde o Ministro Aldo Rebelo, então líder do governo naquela casa, preparou um substitutivo contrário ao projeto assinado pelo presidente. Este substitutivo, entretanto, foi abandonado pela base governamental na Câmara e a coerência com a proposta original restabelecida.
O governo já tinha cometido dois erros baseados em informações falsas quando emitiu as MPs 113 e 131, em Março e Setembro de 2003, respectivamente. Na primeira o governo acreditou que toda a safra de soja estava contaminada com transgênicos plantados clandestinamente e que para cumprir a legislação e decisões judiciais vigentes teria que queimar toda a soja produzida no país. Dado falso. Na safra 2002/2003 apenas 4 milhões (no máximo) em um total de mais de 50 milhões de toneladas estavam contaminadas e este volume se concentrava no Estado do Rio Grande do Sul. Na segunda o governo acreditou que os agricultores gaúchos não dispunham de sementes não transgênicas de soja para plantar a safra 2003/2004 quando havia cerca de 250 mil toneladas de mais de 40 variedades convencionais disponíveis para aquele Estado.
A justificativa do governo para liberar a comercialização da safra 2002/2003, em flagrante violação das posições anteriores do PT e do próprio candidato Lula e da legislação vigente era a famosa “herança maldita” do governo anterior, inflada com avaliações incorretas sobre a amplitude do problema. Na liberação do plantio 2003/2004 foi o dado falso sobre a falta de sementes. É escandalosa uma explicação tão falsa que só pode demonstrar que o presidente e seus principais assessores foram manipulados ou que estavam tentando enganar o público. Os dados sobre a disponibilidade de sementes estavam acessíveis na internet para verificação de qualquer um.
A história das posições do governo no tema dos transgênicos mostra que houve uma mudança envergonhada do presidente e do chamado “núcleo duro”, de defensores do princípio da precaução e da necessidade de estudos de impacto ambiental e dos riscos para a saúde do consumidor em defensores da liberação indiscriminada destes produtos. Esta posição não foi assumida abertamente pela resistência da Ministra Marina Silva e, secundariamente, dos Ministros Humberto Costa e Miguel Rossetto.
O trágico nesta mudança de posição foi que ela não se deu por uma confrontação entre os argumentos complexos envolvendo aspectos científicos, ambientais, de saúde, de mercado, de economia da produção, de agronomia. A conversão se deu por razões mais comezinhas, vinculadas a uma opção cega pelo agronegócio representado no governo pelo Ministro da Agricultura. O governo sequer escutou os argumentos de que esta opção pode ser um tiro no pé das exportações agrícolas. O agronegócio é a favor dos transgênicos por razões imediatistas e falseadas por circunstâncias peculiares que não têm a ver com vantagens reais nem no médio prazo.
O debate sobre os riscos dos transgênicos tem implicações estratégicas que o governo não quis escutar. Sequer o fato de que os consumidores e agricultores europeus se posicionam maciçamente contra estes produtos foi levado em conta. O Presidente Lula afirmou que mudou sua posição por “razões científicas”, mas ele só escutou as razões dos cientistas defensores dos transgênicos. O Presidente ignora o fato de que os próprios cientistas do Food and Drug Administration, do governo americano, levantaram vários problemas sobre a segurança destes produtos para os consumidores e que a decisão de liberação dos transgênicos nos EUA foi em franca oposição às razões destes especialistas.
As implicações de uma liberação indiscriminada dos transgênicos terão efeitos de longo prazo e o governo dá mostras de uma total irresponsabilidade na forma em que vem tratando o assunto.

Jean Marc von der Weid é coordenador do Programa de Políticas Públicas da AS-PTA e membro do CONDRAF/MDA


Fonte: Agência Carta Maior

Ruralista diz que é "insensatez" Congresso decidir sobre tema

O presidente da Federação da Agricultura do Estado do Rio Grande do Sul (Farsul), Carlos Sperotto, disse nesta terça-feira (dia 28) que é uma "insensatez" deixar o Congresso Nacional decidir sobre a liberação da próxima safra de soja transgênica. Em entrevista à rádio CBN, Sperotto manifestou preocupação com declarações feitas na segunda pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva em sentido contrário à edição de uma nova medida provisória liberando o plantio da soja geneticamente modificada. No final da tarde de terça, o porta-voz da Presidência da República anunciava que o governo federal não iria mesmo editar a MP, preferindo que o Senado vote o projeto da Lei de Biossegurança para que se tenha uma regulamentação definitiva sobre o tema.
A intenção de Lula já havia sido anunciada pela ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, logo após sair de uma audiência com o presidente no Palácio do Planalto, na segunda-feira. Segundo Marina, a decisão do governo é trabalhar pela aprovação, no Senado, do projeto da Lei de Biossegurança já aprovado na Câmara. Contrária à edição de uma nova Medida Provisória, a ministra defende a aprovação de uma lei definitiva sobre o tema.
Na mesma linha de Sperotto, o presidente da Federação dos Trabalhadores na Agricultura do Rio Grande do Sul (Fetag), Ezídio Pinheiro, disse que a demora na edição de uma nova MP está preocupando os produtores. Para ele, a "única alternativa" para liberar os transgênicos em tempo hábil para o plantio é uma medida provisória. Mas, no interior do governo, além da ministra Marina Silva, os ministros Miguel Rossetto (Reforma Agrária) e Humberto Costa (Saúde) não concordam que essa seja a única via.
Conforme disse a ministra do Meio Ambiente, ao sair do encontro com Lula, a ausência de uma lei definitiva obriga o Estado a ficar o tempo todo adotando soluções conjunturais e emergenciais que só adiam a resolução dos problemas. Marina Silva defende o texto já aprovado na Câmara dos Deputados e lembra que ele teve o apoio do ministro Roberto Rodrigues (Agricultura) e do ministro Aldo Rebello.

O fator eleitoral
A polêmica em torno da medida provisória que liberaria o plantio da safra de soja transgênica pode se arrastar por algum tempo. A poucos dias das eleições municipais, o governo federal age com cautela e prefere se afastar de decisões polêmicas. O presidente Lula parece propenso a deixar o assunto para ser resolvido na próxima semana, na votação do projeto da Lei de Biossegurança pelo Senado.
Mais uma vez em meio ao fogo cruzado de ruralistas e ambientalistas, o governo busca uma saída para o impasse que o colocou sob a pressão política dos produtores de soja do Rio Grande do Sul e dos movimentos sociais que são contrários à edição de uma nova MP liberando o plantio. No interior do governo, a disputa opõe mais uma vez o ministro Roberto Rodrigues e a ministra Marina da Silva, que conta também como o apoio dos ministérios do Desenvolvimento Agrário e da Saúde.
Organizações contrárias à liberação do plantio e da comercialização de transgênicos sem a realização prévia de testes ambientais pretendem intensificar os protestos contra a edição de uma nova Medida Provisória sobre o tema. Na semana passada, integrantes do Greenpeace fizeram uma manifestação em frente ao Palácio do Planalto protestando contra a possibilidade da edição de uma nova MP pelo governo federal.
Além do Greenpeace, 11 organizações, como o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) e o Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (Idec), enviaram uma carta ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva criticando a liberação dos produtos transgênicos sem estudos prévios de impacto ambiental e alertando sobre os riscos dessa medida para a saúde dos consumidores. Na carta, esses movimentos se disseram "chocados" com a intenção do governo de editar uma nova MP.

Problema maior está no RS
A nova medida provisória destina-se, mais uma vez, aos produtores de soja do Rio Grande do Sul, que devem iniciar o plantio da próxima safra até o final de setembro. Segundo projeções da Farsul, cerca de 90% da safra de soja 2004-2005 deve ser transgênica. O impasse em torno das lavouras de soja transgênica encaminha-se já para seu terceiro ano, sem que uma solução definitiva seja dada para o problema.
A lógica do fato consumado que deu início a esse processo permanece alimentando a edição de sucessivas MPs. As sementes de soja transgênica entraram no RS, via contrabando, vindas da Argentina. Hoje, elas se disseminaram pela maioria esmagadora das lavouras, criando um sério problema econômico para as autoridades. Com o apoio do governador Germano Rigotto (PMDB), os produtores falam da possibilidade de um desastre econômico no RS, caso o governo não edite a nova MP autorizando o plantio.
Os produtores tem aliados também dentro do PT gaúcho. Defensor da liberação, o deputado federal Paulo Pimenta (PT-RS) diz que a questão da soja geneticamente modificada é "irreversível no Rio Grande do Sul, no Brasil e no mundo, e o governo sabe disso". Pimenta não concorda com a posição defendida pela ministra Marina Silva em favor da votação da Lei de Biossegurança no Senado. Dizendo não haver tempo para isso, Pimenta acredita que a reunião da Coordenação Política do governo, marcada para esta quarta-feira (29) deve decidir pela edição da MP.
Em entrevistas a rádios gaúchas, o deputado argumentou que o calendário agrícola é regido por regras que independem das tramitações no Senado, que costumam ser longas. Para Pimenta, a aprovação de uma lei definitiva é a solução ideal, mas os agricultores não podem esperar, uma vez que a nova safra deve começar a ser plantada até 10 de outubro.


Fonte: Agência Carta Maior

Monsanto dobra valor de royalties; produtores protestam

O valor que a Monsanto vai cobrar para a próxima safra de soja como royalties pelo uso de sua tecnologia na produção de soja transgênica será o dobro do estipulado na última safra, segundo informações da Agência Reuters. A empresa norte-americana confirmou nesta quarta-feira (29), que vai aplicar a taxa de R$ 1,20 por saca de 60 quilos para a safra que está começando a ser semeada. Em 2003, o valor foi de R$ 0,60 por saca.
A assessoria de imprensa da Monsanto confirmou que o desconto de 50% concedido aos agricultores no ano passado pela cobrança dos royalties não será concedido em 2004. A empresa não informou, porém, os valores que foram arrecadados no ano passado com o início da cobrança. Segundo estimativas da Federação da Agricultura do Rio Grande do Sul (Farsul), cerca de 90% da próxima safra de soja no Estado deverá ser transgênica.
Segundo a Monsanto, este sistema de cobrança e cancelamento do desconto já teria sido definido desde o ano passado com as cooperativas e produtores gaúchos. Pressionados pela diminuição do lucro devido à queda internacional nos preços da soja e a elevação dos custos de produção, os produtores estão reivindicando a renegociação desses valores. Pioneiro no plantio da soja geneticamente modificada no Brasil, o RS produziu cerca de 5,55 milhões de toneladas na última safra, um total de 92 milhões de sacas. Destas, cerca de 82,8 milhões seriam transgênicas, segundo estimativas das entidades dos produtores.

Decisão polêmica
A decisão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva de não editar uma nova medida provisória liberando o plantio da safra de soja transgênica desagradou os produtores no Rio Grande do Sul. Na manhã desta quarta, oito entidades ligadas a produtores rurais divulgaram, em Porto Alegre, uma carta destacando a importância da soja no agronegócio do país e defendendo a edição de uma nova MP. O presidente da Federação da Agricultura do Rio Grande do Sul, Carlos Sperotto, leu a carta e descartou pressionar os congressistas para aprovação do projeto da Lei de Biossegurança, atualmente tramitando no Senado. Sperotto, que classificou de "insensata" a decisão de deixar para o Congresso a decisão sobre os transgênicos, voltou a dizer que "a medida provisória é a única solução para liberar a soja porque não há tempo hábil para tramitação de uma lei".
O dirigente ruralista ironizou as lágrimas da ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, que teria chorado durinha encontro com Lula no início da semana, dizendo não acreditar que elas "valham mais do que a ansiedade e as lágrimas dos produtores, que são responsáveis por US$ 25 bilhões do superávit na balança comercial". Segundo Sperotto, "os produtores estão reféns, subjugados a determinações pontuais".
Mesmo sem a adoção de uma solução legal para o problema, os produtores gaúchos estão dispostos a iniciar o plantio da próxima safra de soja, a partir da segunda semana de outubro. Alegando não possuir sementes de outro tipo, eles pretendem cumprir a promessa feita semanas atrás de iniciar o plantio "com ou sem lei".

Nova MP não está descartada, diz Aldo Rebelo
Em entrevista concedida à rádio Gaúcha, na manhã desta quarta, o ministro da Coordenação Política, Aldo Rebelo, informou que a questão do plantio e comercialização da próxima safra de soja transgênica será resolvida na primeira semana após as eleições. Segundo o ministro, o projeto da Lei da Biossegurança é o primeiro item da pauta do Senado e deverá ser apreciado no dia 4 de outubro. Rebelo disse ainda que o governo não pretende editar uma nova MP liberando a safra, ressaltando porém que, se a Lei da Biossegurança não for aprovada em tempo hábil para viabilizar a safra esta será a única alternativa.
Os produtores de soja do RS alegam que, mesmo que o projeto seja aprovado no Senado no dia 4, ele ainda terá que voltar para a Câmara dos Deputados, para ter as modificações feitas pelos senadores votadas. Eles temem que, como a pauta da Câmara está obstruída por 18 medidas provisórias, que precisam ser apreciadas antes que qualquer lei possa ser votada, a regulamentação para o plantio demore além dos prazos exigidos para o plantio.
Rebelo descartou esse risco, dizendo que o presidente Lula não descartou definitivamente a possibilidade de editar uma nova MP, mas que acredita em uma votação rápida no Senado e em um acordo de líderes na Câmara que viabilize a votação da lei no tempo necessário.


Fonte: Agência Carta Maior

quinta-feira, setembro 30, 2004

Embrapa engorda ovinos com resíduo de uva processada para vinho

O resíduo da uva processada na produção do vinho poderá se tornar em um bom ingrediente para a engorda de ovinos. O seu uso na alimentação animal combinado com forrageiras tradicionais, a exemplo de raspa de mandioca, farelo de milho e farelo de palma, promoveu ganhos de peso nos animais de 71, 117 e 132 g/dia, respectivamente. É um grande resultado, revela o pesquisador Gherman Garcia Leal de Araújo, da Embrapa Semi-Árido, e responsável pelos experimentos que avaliaram o potencial forrageiro do resíduo.
A pesquisa realizada no Laboratório de Nutrição Animal da Embrapa Semi-Árido é parte de uma tese de mestrado de Daerson Dantas Barroso no Programa de Pós-Graduação em Zootecnia da Universidade Federal da Paraíba (UFPB), orientada pelo pesquisador da Embrapa. Em seus objetivos, ela atende a uma demanda do programa “Apoio à Cadeia Produtiva da Ovinocaprinocultura Brasileira” do Ministério da Ciência e Tecnologia (MCT): aproveitar as opções de alimentos forrageiros disponíveis regionalmente.
O subproduto da agroindústria do vinho se enquadra nessa demanda. No Vale do São Francisco, em especial no Pólo de Irrigação de Juazeiro/Petrolina, o resíduo é um material já abundante nas vinícolas. Parte dele é usado como adubo nos parreirais e o restante é queimado. O uso desse resíduo é uma maneira de reciclar seus nutrientes e pode ser um importante fator de redução de custos de produção, afirma o pesquisador. Até agora não tinha qualquer avaliação como uso forrageiro na região.
Aproveitamento – Na região do Submédio São Francisco está se consolidando um Pólo Vitivinícola que já está com 500 hectares plantados com variedades de uva para vinho, processa cerca de 7 milhões de litros, detém 15% do mercado nacional de vinho e gera uma grande quantidade de resíduos. O seu aproveitamento como forrageira é uma opção interessante na suplementação alimentar de ruminantes, explica Gherman Araújo.
Segundo Daerson Barroso, os ganhos de peso obtidos pelos animais sem raça definida e oriundos de sistemas de produção da caatinga, associando forrageiras tradicionais e o resíduo das vinícolas, são muitos bons. Aliás, ele se diz surpreso com o resultado dos testes. Quando começamos a avaliar as dietas, a expectativa era de apenas conseguir que os ovinos mantivessem o peso durante os noventa dias de duração da avaliação. Mas, o que conseguiram foi além disso: os animais engordaram em quantidades satisfatórias, explica o estudante de mestrado.
Outro aspecto relevante dos experimentos destacado por Daerson está no rendimento da carcaça dos animais abatidos em relação ao seu peso vivo. No momento logo após o abate, retirada as vísceras e a pele, a relação anotada variou de 45 a 53%. Num instante posterior, com a carcaça “fria”, os percentuais ficaram entre 43 e 52%. São resultados bons que se assemelham aos registrados em animais de condição corporal melhor, como os da raça Santa Inês, ressalta ele.
Fonte protéica - Esta alternativa de alimento animal pode estar disponível para os rebanhos do Sertão do Vale do São Francisco. A quantidade de animais nessa região é uma das maiores de todo o país. O desempenho produtivo, no entanto, é baixo, em conseqüência dos parcos recursos tecnológicos a forte dependência que os sistemas de criação pecuária tem da vegetação da caatinga como fonte quase que exclusiva de forragem para os animais.
O crescimento da agroindústria do vinho aumentará o volume de resíduo. O acúmulo desse subproduto pode vir a tornar-se um sério problema ambiental, argumenta o pesquisador da Embrapa. Pare ele, a busca de alternativas para o uso do resíduo na forma desidratada (feno) e fermentada (silagem) garante um bom aporte de nutrientes para os animais, especialmente nos períodos de maior escassez de forragem na região. O resíduo é uma excelente fonte protéica a ser convertida em leite, carne e pele, assegura Gherman.
Na opinião do pesquisador da Embrapa a integração das vinícolas e os milhares de pequenos caprino-ovinocultores descapitalizados em torno do resíduo formam um arranjo produtivo interessante e original no semi-árido. A disponibilidade de resíduo a um baixo custo beneficia os sistemas agrícolas familiares com o aumento da produtividade. Por outro lado, permite às vinícolas se livrarem, pela doação ou mesmo venda, de um material poluente. Ganham sustentabilidade os negócios agrícolas do semi-árido, enfatiza Gherman Araújo.

Contatos:

Gherman Garcia Leal de Araújo – Pesquisador, Embrapa Semi-Árido.
Marcelino Ribeiro – Jornalista, Embrapa Semi-Árido

Os Caminhos da Assistência Técnica à Agricultura

A Associação dos Assistentes Agropecuários do Estado de São Paulo estará promovendo o Congresso Brasileiro de Assistência Técnica à Agricultura, programado para 9 a 11de novembro de 2004, em Campinas (SP).
A Fundação de Estudos Agrários Luiz de Queiroz responsabiliza-se pela coordenação administrativa do conclave, que conta com o apoio científico da Escola Superior de Agricultura “Luiz de Queiroz” –USP, Faculdade de Engenharia Agrícola – UNICAMP, Faculdade de Ciências Agrárias e Veterinárias - UNESP e Faculdade de Medicina Veterinária e Zootecnia – UNESP.
O evento terá como objetivo a apresentação e discussão de trabalhos originais nas áreas de extensão rural, assistência técnica especializada, assistência técnica regulamentada e fomento do uso de tecnologia moderna. Roberto Rodrigues (Ministro da Agricultura, Pecuária e Abastecimento), José Amauri Dimarzio (Secretário Executivo do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento), Duarte Nogueira (Secretário de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo), Ernesto Paterniani (Professor Titular de Genética da Escola Superior de Agricultura “Luiz de Queiroz”) e Antonio Jorge Camardelli (Diretor Executivo da Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes Industrializadas) proferirão conferências abrangendo temas como transferência da tecnologia dos produtos transgênicos aos agricultores, relevância do rastreamento para certificação de produtos agroindustriais, defesa sanitária e conquista de mercados exigentes. Além das conferências serão apresentados trabalhos originais de 148 autores, de 19 instituições, de 7 Estados, Distrito Federal, Argentina, Espanha e Estados Unidos da América.
O congresso destina-se a profissionais de nível superior vinculados às diversas áreas de assistência técnica à agricultura, pesquisadores, professores e estudantes.
A taxa de inscrição é de R$ 70,00.


Mais informações podem ser obtidas na Fundação de Estudos Agrários Luiz de Queiroz pelo telefone (19) 3417-6604, pelo e-mail: cdt@fealq.org.br ou no site www.fealq.org.br

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