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segunda-feira, junho 07, 2004

Ongs propõem medidas para reduzir impactos negativos na produção de soja

Organizações ambientalistas brasileiras propõem medidas que podem reduzir os impactos negativos, em termos sociais e ambientais, no plantio da soja. A intenção é que elas sejam voluntariamente adotadas pelo agronegócio, como sua responsabilidade empresarial e social, e desta maneira influencie toda a cadeia de fornecedores. Para isso, foi construída uma pauta de critérios a ser negociada com as grandes empresas compradoras desta commodity, nacionais e internacionais.
Esta lista contendo 20 critérios foi divulgada durante o Seminário Caminhos para a Sustentabilidade, que está ocorrendo em Brasília (DF) em comemoração à Semana do Meio Ambiente, promovido pelo PNUD - Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento e pelo MMA - Ministério do Meio Ambiente.
O primeiro critério da lista a ser obtido em curto prazo, a partir da próxima safra (2004/5), propõe que os grandes compradores e consumidores de soja só adquiram o grão originado de áreas legalmente desmatadas antes de 31 de dezembro de 2003. Já em longo prazo, a partir da safra 2005/6, as medidas são em relação à adoção de boas práticas agrícolas.
Os critérios foram criados pelas ONGs - Organizações Não-Governamentais brasileiras que atuam nas questões de meio ambiente e desenvolvimento social. Resultaram de um debate feito pela Articulação Soja -Brasil entre fevereiro e maio deste ano. A discussão foi possível com a realização de reuniões e de um fórum virtual especialmente construído na Internet, com a inscrição de 121 pessoas e participação ativa de 82 membros de 61 ONGs do país.
A iniciativa da criação da Articulação Soja -Brasil é da Coalizão Rios Vivos em conjunto com o FBOMS - Fórum Brasileiro de ONGs e Movimentos Sociais para o Meio Ambiente e Desenvolvimento, do GTA - Grupo de Trabalho Amazônico e FETRAF-SUL - Federação dos Trabalhadores na Agricultura Familiar do Sul. O projeto está sob a responsabilidade da Fundação Centro Brasileiro de Referência e Apoio Cultural (Cebrac) e tem apoio financeiro da Fundação DOEN, da Cordaid e de Solidaridad (organizações da Holanda), entre outras.

Responsabilidade Social
Conforme o moderador do debate, Maurício Galinkin, da Coalizão Rios Vivos/Cebrac, a proposta de criar critérios a serem negociados com as empresas compradoras, para que elas os adotem como sua responsabilidade social, surgiu de estudos realizados na Coalizão Rios Vivos que indicaram que o mercado pode ser mais eficaz que a legislação para a redução dos impactos negativos na agricultura. Na avaliação de Galinkin, os governos pouco conseguiram interferir ou controlar um processo relativo a commodities.
"Não dá para pensar em parar o desmatamento via legislação, via comando e controle. Esse e qualquer outro governo, todos os outros anteriores e os próximos dificilmente vão conseguir controlar de uma forma efetiva uma área tão grande quanto a brasileira", avalia.
Para Galinkin, a rápida destruição da biodiversidade - do Cerrado e já começando a penetrar na Amazônia - e de comunidades tradicionais, os prejuízos causados a pequenos produtores e a populações residentes em suas imediações com a aspersão de agrotóxicos no ar e poluição das águas, entre outros, são desconsiderados pelo agronegócio, governos e a maior parte da mídia, ou no máximo debitados à conta dos custos naturais que a população tem que pagar para o país progredir.
Foi a partir desta preocupação que as organizações chegaram aos parâmetros de responsabilidade social, ou seja, ao caminho onde o consumidor dita o que as empresas devem fazer. "Nós estamos chamando essas empresas a cumprirem suas responsabilidades com a sociedade humana e com o planeta. Nós estamos propondo que elas adotem critérios de compra social e ambientalmente responsáveis", informa Galinkin.
"Sabemos que conseguir a adoção destes critérios pelas empresas é muito difícil, mas já é um primeiro passo", reconhece o secretário executivo da Coalizão Rios Vivos, Alcides Farias. Para ele, foi um passo importante que abre uma nova etapa e permite chegar com uma proposta concreta à mesa de discussões entre Ongs, governos, consumidores, produtores e empresas.

Desmatamento
Na avaliação de Farias um dos aspectos mais importantes dentro da pauta de critérios é a aquisição do grão originada somente de áreas legalmente desmatadas antes de 31 de dezembro. Pois esta proposta reduz o processo de avanço desenfreado do desmatamento em áreas conservadas. "Para mim a questão de não avançar para outras áreas é a mais importante", enfatiza.
Conforme Maurício Galinkin, hoje existem mais de 10 milhões de hectares de áreas abandonadas ou pastos degradados no Cerrado, que podem ser transformados com relativa facilidade em área produtora de grãos. "Isso daria, no mínimo, 30 milhões de toneladas de produção de soja e espaço de tempo suficiente para promover estudos que possam melhor balizar uma revisão de critérios dentro de cinco anos", revela.

Fonte: ICV- Instituto Centro de Vida

Rede vai pesquisar fungo causador da ferrugem da soja em MT

Discutir a formação de uma rede mato-grossense de estudos sobre o genoma. Esse é o objetivo da reunião que acontece entre o presidente da Fundação de Amparo à Pesquisa de Mato Grosso (Fapemat), Antônio Carlos Camacho, Maria Ignez Tanus, diretora científica da entidade, a especialista em ferrugem asiática Maria Fátima Grossi de Sá e a coordenadora da rede Centro-Oeste de Genoma, Maria Suely Felipe, ambas da Universidade de Brasília (UnB).
O interesse em se formar uma rede mato-grossense de pesquisa sobre o tema partiu dos pesquisadores locais envolvidos na rede Centro-Oeste e da coordenadoria da rede.
A reunião acontece às 14 h. na Fapemat e nela serão discutidas as ações necessárias para instituir a Rede Mato-grossense.
De acordo com Camacho, o objetivo da rede é conjugar diversos subprojetos de estudo de genoma em áreas variadas. "Queremos montar um programa de estudos que abranja áreas de interesse para o Estado, mas para a sociedade em geral", observa ele.
"É uma prioridade política de Governo que a Fapemat endossa", confirma Maria Ignez.
O Grupo articulador do programa dentro das instituições é formado pelos professores Cor Jesus Fernandes Fontes, da UFMT; Rosane Christine Hanni, da Universidade de Cuiabá (Unic); Vilma Beatriz Vila e Márcia Matos de Abreu, da Unemat e Fernando César da Silva, da Univag.

Prioridade
O primeiro projeto a ser trabalhado - que já está em andamento - é o estudo do genoma do fungo phakopsora pachyrhizi, causador da ferrugem asiática da soja. A doença foi responsável pela perda de US$ 24.070 milhões na safra 2001/2002 e causa preocupação em todo o Estado, tendo provocado em cidades como alto Taquari, Alto Araguaia, Barra do Garças e Rosário Oeste perdas de 30 a 70% da safra no período.
"O estudo do genoma leva muito tempo para apresentar resultados efetivos. Por isso, queremos investir também no controle bio-tecnológico da doença enquanto o estudo é feito", explica Maria Ignez.
O programa de estudos em genética é um programa multidisciplinar, que conta também com a participação Universidade Federal de Goiás (UFG), da Empresa Mato-grossense de Pesquisa e Extensão Rural (Empaer) e da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária em Algodão (Embrapa Algodão). A primeira fase do programa, ocorrida em 2003, foi a qualificação dos pesquisadores em Biologia Molecular e Genômica, feita na UFG.
A Rede Genoma de Mato Grosso fará parte da Rede Centro Oeste de Genoma, ligada à Rede Nacional.

Fonte: 24 horas news

Feromônio sintético pode acabar com o bicudo na lavoura de cana

A solução para o controle de animais que comem centenas de hectares de plantações de cana-de-açúcar pode estar próxima. Grupo de estudo coordenado pelo químico da Universidade Federal do Paraná (UFPR), Paulo Zarbin, sintetizou pela primeira vez um feromônio - substância responsável pela comunicação química dos animais -da broca da cana (Sphenophorus levis, conhecido como bicudo), com a intenção de usá-lo contra os bichos, de forma a desconstruir seu ciclo biológico.
O bicudo se alimenta da planta e reduz drasticamente a produtividade de plantações em áreas infestadas. Usando o feromônio conhecido como (S)-2-metil-4-octanol, o inseto macho que encontrar uma fonte de alimento (como a plantação de cana) pode deixar uma espécie de sinal químico para que seus amigos também encontrem a comida, o que garante a sobrevivência da espécie - um fenômeno que é conhecido na comunidade científica como "agregação".
Por meio da forma sintética da substância, produzida na UFPR, um agricultor pode empregar o feromônio como "isca", fica fácil fazer armadilhas para as quais os insetos indesejados sejam convocados bioquimicamente. O uso dos feromônios é considerado uma opção mais limpa de controle da praga, já que não envolve inseticidas ou outras substâncias que possam causar dano ao homem ou ao meio ambiente.

Fonte: Radiobras

quinta-feira, junho 03, 2004

Parceria Transgênica

Um dos acordos fechados na Câmara, ontem, para garantir a aprovação do mínimo de R$ 260, uniu ao Planalto, pela primeira vez, a bancada ruralista. Em troca, o governo aceitou discutir mudanças na Lei de Biossegurança, para dar à CTNBio poder de licenciar a comercialização de produtos transgênicos.

Fonte: Coluna Boenchat - JB 03-06-2004

Devolução de soja pela China preocupa o presidente, diz Roberto Rodrigues

O ministro da Agricultura, Roberto Rodrigues, disse que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva está preocupado com o fato de a China ter recusado quatro carregamentos de soja brasileira em pouco mais de 30 dias.
O ministro levou ao Palácio do Planalto um relatório sobre a situação e comunicou ao presidente que existe um grupo de trabalho tratando do assunto e que uma instrução normativa está sendo elaborada.
Os chineses rechaçaram as quatro cargas brasileiras, alegando que nos carregamentos havia contaminação de grãos limpos com sementes tratadas com os agrotóxicos carboxin e captan. A última devolução foi comunicada ao ministério da Agricutlura, na segunda-feira pela embaixada do Brasil em Pequim.
O ministro informou também que o governo não vai interferir em questões comerciais. De acordo com agências internacionais, os chineses só reabririam negociações com o Brasil depois que o governo se manifestasse sobre quem arcaria com os prejuízos. "Isto é uma questão das empresas" completou. Rodrigues disse que não acredita que os problemas criados com a soja, possam se estender a outros produtos, como carnes de frangos e bovinos, exportados pelo Brasil para a China.

Fonte: Radiobras

Agricultura apreende lotes com soja transgênica em Goiás

Nesta quarta-feira (2) foram apreendidos dois lotes de soja transgênica que estavam armazenados em propriedades rurais nos municípios goianos de Mineiros e Portelância, distantes cerca de 400 quilômetros de Goiânia (GO).
A ação foi empreendida por fiscais federais agropecuários do Ministério da Agricultura, apoiados por agentes da Polícia Federal. Os proprietários não haviam assinado o termo de compromisso e ajustamento de conduta (TCAC) declarando o plantio de soja geneticamente modificada. Somente os produtores que assinaram o TCAC têm autorização para cultivar o produto da safra 2003/2004, conforme a Lei 10.814 de dezembro de 2003.

Fonte: Agência Brasil

Produtores de soja transgênica podem ser isentos por danos

Foi aprovado nesta quarta-feira (2) pela Comissão de Agricultura, Pecuária, Abastecimento e Desenvolvimento Rural da Câmara dos Deputados projeto de lei (PL 2817/03) que desobriga os produtores de soja transgênica de responderem solidariamente pelo pagamento de indenização por dano ao meio ambiente ou a terceiros. O projeto é de autoria do deputado Nelson Marquezelli (PTB-RS).
Ele lembra que um veto presidencial isentou de responsabilidades os detentores dos direitos de patente sobre a tecnologia aplicada à soja geneticamente modificada. "Se não cabe a punição ao detentor da patente, muito menos caberia ao agricultor brasileiro, que não pode ser tratado como potencial criminoso", argumenta.
Em defesa da tecnologia transgênica, Marquezelli afirma que esse sistema também é utilizado na produção de insulina para o tratamento de diversas doenças. "Além disso, com a utilização da soja geneticamente modificada na safra de 2004, teremos redução no uso de defensivos, resultando em plantas mais resistentes à seca e com menor taxa de proteínas alergênicas", explica o deputado.
Em seu parecer favorável ao projeto, o relator Francisco Turra (PP-RS) lembra que a soja transgênica plantada no Brasil é a do tipo Roundup Ready (RR), cujo plantio comercial foi autorizado pela CTNBio - Comissão Técnica Nacional de Biossegurança, que concluiu não haver evidências de risco ambiental ou à saúde humana.
O projeto pode ser aprovado caráter conclusivo pelas comissões, sem passar pelo Plenário. Ele só precisa agora passar pela Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania.

Fonte: Agência Câmara

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