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sexta-feira, novembro 22, 2019

Florada Premiada valoriza o trabalho das mulheres produtoras de cafés especiais


Florada Premiada valoriza trabalho das mulheres produtoras de cafés especiais

Concurso realizado por BSCA e 3Corações reconhece os melhores frutos geridos pelas cafeicultoras do Brasil

O reconhecimento e a devida ocupação de espaço por parte das mulheres é crescente ao longo dos anos, fazendo jus à dedicação, ao profissionalismo e à excelência que possuem em todas as áreas de atuação. No café, esses adjetivos se afloram ainda mais e, desde o ano passado, passaram a ter o devido reconhecimento através do Projeto Florada, realizado pelo Grupo 3Corações que, como primeira iniciativa, desenvolveu, em parceria com a Associação Brasileira de Cafés Especiais (BSCA), o Concurso Florada Premiada.

A competição é uma das ações do projeto que visam a apoiar e fomentar as conquistas das mulheres no campo, evidenciando as melhores práticas na produção de cafés especiais, agregando valor ao produto e incentivando novas mulheres a produzirem. Nesta sexta-feira, 22 de novembro, foi divulgado o resultado do 2º Concurso Florada Premiada, que consagrou os três melhores cafés das Categorias Natural e Via Úmida.

Na classe dedicada aos cafés colhidos e secos com casca, a campeã foi a produtora Maria Simone Broges, do Sítio Canarinho, em São Gonçalo do Sapucaí, na Indicação de Procedência da Mantiqueira de Minas, com a nota 92,04 (escala de zero a 100 do concurso). O segundo lugar ficou com Sandra Lelis da Silva, do Sítio Caminho da Serra, de Araponga, nas Matas de Minas, seguida por Luciene Santos Mota, da propriedade Alecrim Dourado, em Pedralva, também da IP da Mantiqueira de Minas.

Na categoria dos cafés cerejas descascados ou despolpados, o primeiro lugar ficou com a produtora Daiana Juliano da Silva, do Sítio Santa Clara, em Pedralva, na IP da Mantiqueira de Minas, com a nota 91,50 pontos. A segunda colocada foi Sônia Maria Sanglard, da Fazenda Serra do Boné, em Araponga, nas Matas de Minas, e o terceiro lugar ficou com Ana Claudia dos Reis, do Sítio Pasto das Cruzes, em Cabo Verde, no Sul de Minas.

A campeã de cada categoria receberá R$ 25 mil mais uma missão técnica de sete dias na Costa Rica. As segundas colocadas terão como prêmio o valor de R$ 15 mil, enquanto as terceiras colocadas receberão R$ 10 mil como premiação. Além da remuneração, os lotes vencedores de cada categoria serão adquiridos por um preço equivalente ao dobro da cotação da *B3 pelo Grupo 3Corações.

Segundo a diretora da BSCA, Vanusia Nogueira, o Concurso Florada Premiada tem viés inclusivo e reconhece o trabalho de excelência que as mulheres do café realizam no Brasil. "Esse resultado destaca as conquistas dessas incansáveis batalhadoras do café! Pensando no Projeto Florada como um todo, observamos um contexto que concede visibilidade a elas e permite a conexão e a troca de informação sobre as melhores práticas, o que alavanca a qualidade no cultivo e permite nos depararmos com verdadeiras joias, como esses cafés vencedores do concurso", enaltece.

Além da premiação por categoria, o Florada Premiada, através da 3Corações, garante a compra dos 100 melhores lotes do concurso que obtiveram nota mínima de 82 pontos. O valor pago será referente à cotação do café na *B3 mais um bônus de R$ 300 por saca. Também têm compra garantida as campeãs de cada origem produtora, que terão suas sacas de café adquiridas pelo dobro do valor referencial da *B3.

Mais informações: http://brazilcoffeenation.com.br/contest-edition/show/id/14

* Conforme estipulado pelo regulamento do Florada Premiada, o valor da saca a ser considerado para compra pela 3Corações será o valor da cotação da B3, mês de referência dezembro/19, cotação do dia 3 de outubro 2019.

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Paulo André C. Kawasaki
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BSCA revela os melhores cafés especiais de seus associados na safra atual


BSCA revela os melhores cafés especiais de seus associados

Fazenda Sertãozinho é campeã do concurso Aroma BSCA 2019. Todos os cinco vencedores têm a compra de seus cafés garantida


A Associação Brasileira de Cafés Especiais (BSCA) apresentou ao mundo, nesta quarta-feira (20), os melhores cafés especiais produzidos por seus associados, que possuem certificação de sustentabilidade, com a divulgação dos vencedores do Concurso Aroma BSCA 2019.

Em anúncio realizado às 16h, no estande da entidade dentro da Semana Internacional do Café - SIC 2019, em Belo Horizonte (MG), o café da cultivar arara, produzido por via úmida (cereja descascado e/ou despolpado) na Fazenda Sertãozinho, em Botelhos, no Sul de Minas Gerais, sagrou-se o campeão da competição, com 92,50 pontos na escala de zero a 100 do concurso.

Na sequência, vieram os cafés produzidos por Mariana Junqueira (bourbon amarelo/via úmida) no Rancho São Benedito, em Dom Viçoso, na Indicação de Procedência (IP) da Mantiqueira de Minas; Ismael de Andrade (catuaí amarelo/natural), na Fazenda São Silvestre, na Serra do Salitre, Denominação de Origem do Cerrado Mineiro; Samir Matuck (catuaí amarelo/natural), na Santa Rosa Estate Coffee, em Soledade de Minas, IP da Mantiqueira de Minas; e por Homero de Macedo Júnior (maragogipe-bourbon vermelho/natural), na Fazenda Recreio, em São Sebastião da Grama, na Média Mogiana (SP).

Os melhores cafés produzidos por membros da Associação têm compradores garantidos. As empresas Café Salomão, DOP Cafés Especiais, Lucca Cafés Especiais, Senhor Espresso e Três Corações assumiram o compromisso e farão a aquisição dos lotes vencedores do Aroma BSCA 2019 por valores superiores ao mercado convencional.

O campeão receberá R$ 2.250 por saca; o segundo colocado terá R$ 2.000/saca; para o terceiro lugar, o valor será de R$ 1.750/saca; o quarto colocado receberá R$ 1.500/saca; e o quinto lugar terá cada uma de suas sacas adquirida por R$ 1.250.

Além da compra garantida, os vencedores também receberão premiação da empresa Penagos – campeão –, da cooperativa Minasul e da Três Corações – ambas aos cinco vencedores –, patrocinadoras do concurso. O resultado final do Concurso Aroma BSCA 2019 está disponível no site da Associação: http://bsca.com.br/assets/A4--finalistas.jpg.
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Exportação de café solúvel totaliza 3,3 milhões de sacas no acumulado de 2019


Exportação de café solúvel soma 3,3 mi de sacas no acumulado de 2019

Com o desempenho, segmento deverá bater recorde e embarcar 4 milhões de sacas no ano

Os embarques de café solúvel do Brasil totalizaram 320.743 sacas de 60 kg em outubro, elevando as remessas, no acumulado dos 10 primeiros meses do ano, para 3,340 milhões de sacas, volume que representa um crescimento de 9,44% na comparação com as 3,052 milhões de sacas registradas de janeiro ao fim de outubro de 2018. Os dados são do Relatório de Desempenho das Exportações da Associação Brasileira da Indústria de Café Solúvel (Abics).

"Com a performance alcançada até o mês passado, estimamos que os embarques de solúvel do Brasil, em 2019, atinjam 4 milhões de sacas, superando a marca até então histórica de 2017, de 3,87 milhões de sacas exportadas", projeta Aguinaldo Lima, diretor de Relações Institucionais da Abics.



No acumulado dos 10 primeiros meses de 2019, o café solúvel respondeu por 9,4% das exportações de todos os tipos de café do Brasil, ficando em segundo lugar no ranking, atrás apenas da variedade arábica, mas situando-se à frente de robusta e torrado e moído.



RECEITA
Em relação à receita cambial, o país obteve US$ 50,312 milhões no mês passado, ampliando os ingressos com as exportações de café solúvel, no acumulado de 2019, para US$ 494,2 milhões.

"Nos comparativos mensal e anual, a receita está 1% inferior em relação a 2018, mesmo com a ampliação do volume. Esse cenário, explica-se, contudo, pelos baixos preços do café no mercado internacional, os quais a indústria absorve na comercialização do produto", justifica Lima.

PRINCIPAIS DESTINOS
O principal cliente do café solúvel brasileiro, no acumulado de janeiro ao fim de outubro, são os Estados Unidos, que adquiriram 562.910 sacas, volume 1% superior às 554.904 sacas importadas no mesmo período do ano passado. Na sequência, vêm Rússia, com a compra de 325.143 sacas (-13%); Indonésia, com crescimento de 16% ante 2018 e a aquisição de 255.457 sacas; Japão, com a importação de 239.476 sacas (-6%); e Argentina, que comprou 194.925 sacas (-11%).

No ranking dos principais compradores do produto nacional, é válido destacar o crescimento registrado para alguns nações, como Espanha (+691%), México (+396%), Suécia (+288%), Croácia (+276%), Hong Kong (+157%) e Colômbia (+152%).

Confira o desempenho das exportações de café solúvel e dos demais segmentos da cadeia no site da Abics: https://www.abics.com.br/noticia.php?noticia=187&desempenho_das_exportacoes_de_cafe_do_brasil_out_2019.

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quinta-feira, novembro 07, 2019

☕ Newsletter CNC - 07/11/2019


☕📰 Newsletter CNC - 07/11/2019

Café/Farnese: retomaremos cerca de R$ 500 mi não aplicados do Funcafé para fazer nova oferta
Agência Estado - Neste mês, será feita uma segunda chamada para cerca de R$ 500 milhões que estão com agentes financeiros e ainda não foram aplicados. O montante, então, será ofertado novamente para outras instituições. Saiba mais

Encafé: Mendonça de Barros crê que indústria de café deve ter um respiro a partir de 2021
Agência Estado - "A indústria tem uma vantagem: a lavoura ainda tem excesso de produção, então os preços da matéria-prima não devem subir", destacou. Saiba mais

Euromonitor: consumo total de café no Brasil deve crescer cerca de 2,5% em 2019
Agência Estado - A projeção da Euromonitor é que o consumo total de café no Brasil em 2019 seja de 20 milhões de sacas. Saiba mais

Cepea divulga análise conjuntural do mercado cafeeiro em outubro
Cepea/Esalq USP -  Após chuvas no fim de setembro e início de outubro, boas floradas ocorreram em todas as regiões cafeeiras, mas, apesar da dimensão e uniformidade, grande parte dos agentes ficou preocupada com as chuvas limitadas e dispersas de outubro. Saiba mais

Café: 'pode ser um ótimo momento para apostar em hedge e barter'
Canal Rural - As cotações do arábica subiram 8% em outubro e a tendência, segundo a CNA, é de que esse movimento continue em novembro. Saiba mais

Vantagem econômica no uso de variedades de café resistentes e produtivas 
Fundação Procafé - A maior vantagem está no aspecto econômico, pois uma variedade resistente e produtiva diminui o custo de produção e melhora a rentabilidade. Um exemplo disso pode ser observado no caso da cultivar Arara. Saiba mais

Café arábica é a nova cultura contemplada pelo SiBCTI
Embrapa - O Sistema Brasileiro de Classificação de Terras para Irrigação define o potencial do ambiente para desenvolver culturas sob determinado tipo de irrigação. Saiba mais

Bahia: lavouras de café tem mapeamento validado no estado
Conab - Serão visitadas aproximadamente 70 propriedades na região do Planalto, que engloba as microrregiões da Chapada Diamantina, de Vitória da Conquista e de Brejões. Saiba mais

Deputados e produtores rurais condenam possível fim da Lei Kandir
Agência Câmara - Participantes de audiência na Comissão de Agricultura defenderam a imunidade das exportações agrícolas brasileiras. PEC em análise no Senado revoga isenção trazida por lei de 1996. Saiba mais

Estação MasterChef: Cozinheiros homenageiam imigrantes
BAND - No interior de São Paulo, os participantes foram desafiados a homenagear os imigrantes que vieram para o Brasil no século passado. Para isso, os times terão que usar o café nas receitas. Saiba mais

O café emagrece e pode ser bebido sem limites?
ACTIVA Portugal - É o que sugerem dois novos estudos. Saiba mais

Produção de café na Colômbia cresce 5% no ano
CaféPoint - De janeiro a outubro, a produção colombiana somou 11,6 milhões de sacas. No mesmo período de 2018, o país havia registrado 10,9 milhões de sacas produzidas. Saiba mais
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Embrapa - Adoção e inovação, não versus



Adoção e inovação, não versus
Conceitos convergentes determinados pelo usuário, o produtor rural

Dados recentes do Global Innovation Index (GII) 2019, ranking anual baseado em crescimento impulsionado pela inovação, mostram que entre as maiores empresas inovadoras do mundo, a maioria não utiliza tecnologia, de fato, nova em suas inovações. Constatação que causa inquietação entre os atores de diversas cadeias produtivas, entre eles, os pesquisadores, e reforça a busca por respostas.

No setor agropecuário não é diferente e o certo é que há fatores que determinam se uma tecnologia é inovadora ou não. A maior parte dessas condicionantes não está nas mãos de pesquisadores (ou equipes), responsáveis por desenvolver as soluções tecnológicas. "Há um gap entre a tecnologia e a inovação, que se materializa quando há determinadas condições", afirma o professor Antônio Marcio Buainain, do Instituto de Economia da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp-SP). 

A primeira delas são as características socioeconômicas e pessoais do produtor rural. Isso vai do capital humano, nível de educação (formal e informal), cultural, ao capital social. A seguir estão as peculiaridades da unidade produtiva, como distância, acesso, condições de escoamento, topografia, tamanho, microclima e tantos outros elementos. 

A própria tecnologia tem seu peso. "Boas ou não, as tecnologias não são neutras e interagem com outras características e nem sempre é possível adaptar um ativo a um conjunto de condicionantes", enfatiza o economista. Por fim, há fatores sistêmicos, como indústria, mercado e investimento e a pesquisa pouco consegue alterar essas condições, mesmo intencionada. 

"A tecnologia pode atender uma necessidade, se justificar, ser prática, ser vantajosa e, ainda assim, não se difundir e nem transformada em inovação pela ausência dessas particularidades", ratifica o professor da Unicamp. Seus estudos, desde a década de 90, mostram que tais forças são capazes de transformar uma tecnologia em inovação e passível de adoção.

Atuação da Embrapa
Diante desse cenário, a Embrapa construiu um novo modelo de gestão de PD&I, baseado na inovação aberta, o qual encurta o caminho para a adoção de tecnologias porque as pesquisas são definidas em conjunto com o setor produtivo, a partir de suas demandas e necessidades. 

Segundo o secretário de Pesquisa e Desenvolvimento da estatal, Bruno Brasil, a mudança na lógica de atuação da Embrapa, antes mais focada num modelo de produção e oferta, teve como um de seus principais desafios equilibrar a disparidade entre o avanço do conhecimento científico (quantidade de artigos publicados aumentou 300% nos últimos 13 anos) e dos indicadores de inovação, especialmente as parcerias diretas com o setor produtivo, que figuravam em apenas 5,9% dos projetos até 2018. "Era preciso mudar esse cenário. Ajustá-lo às imposições de um mundo moderno e globalizado, no qual as respostas precisam ser rápidas e objetivas", frisa.

São três as principais premissas do modelo de inovação aberta da Embrapa: orientar o programa de PD&I por missões; aumentar a interação com o setor produtivo e investir prioritariamente no desenvolvimento de ativos. Para estimular a formação de parcerias público-privadas, os projetos são cofinanciados, a propriedade intelectual pode ser compartilhada e as contratações são em fluxo contínuo.

Bruno ressalta a importância da ciência para a agricultura brasileira, fazendo com que o País passasse de importador de alimentos, na década de 1970, para um dos mais importantes players do agro mundial hoje. "Essa transformação, sem precedente no cinturão tropical, se deve em grande parte aos investimentos em CT&I", destaca. Em quatro décadas, a produção de grãos aumentou cinco vezes; a produtividade de trigo e milho cresceu 240%; a do arroz 315%; o setor florestal elevou a produtividade em 140%; o rebanho bovino dobrou e a produção de carne de frango foi ampliada 59 vezes.

Os pesquisadores Antônio Marcio Buainain e Bruno Brasil falaram sobre esses assuntos durante a abertura do Simpósio Internacional sobre Adoção de Tecnologias Agropecuárias, que acontece em Campo Grande (MS), sob responsabilidade da Embrapa e das Universidades Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS) e da Grande Dourados (UFGD).

Sobre o Simpósio 
Durante a abertura (6), o chefe-geral interino da Embrapa Gado de Corte, Ronney Mamede, especialista em inovação e empreendedorismo, jogou ao público reflexões que antecederam as duas palestras, como "o que nos limita de alcançar nosso pleno potencial? Por que, em alguns setores do agro, em algumas cadeias específicas e em algumas regiões do país, ainda 'cavalgamos' enquanto poderíamos 'voar'?". 

Além de Mamede estiveram presentes o chefe-geral e adjuntos da Embrapa Agropecuária Oeste (Dourados-MS), Guilherme Asmus, Harley Nonato de Oliveira e Auro Otsubo; o presidente do Sistema Famasul, Maurício Saito; o diretor-presidente da Fundação de Apoio ao Desenvolvimento do Ensino, Ciência e Tecnologia do Estado de MS (Fundect) Márcio Araújo; e o superintendente da Secretaria de Estado de Meio Ambiente, Desenvolvimento Econômico, Produção e Agricultura Familiar (Semagro), Rogério Beretta. 

O evento, inédito no Brasil, acontece entre os dias 6 e 8 de novembro no Sindicato Rural de Campo Grande (MS), com o objetivo de promover um debate ao redor do tema, a fim de identificar prioridades para o ensino, a pesquisa e a extensão rural. O Simpósio tem  o apoio do Sindicato Rural, CNPq, Fundect, Fundapam e Agência Municipal de Meio Ambiente e Planejamento Urbano (Planurb) e patrocínio de ServSal e Caixa de Assistência dos Profissionais do Crea-MS (Mutua). 

A proposta ao final dos três dias é construir uma rede de cooperação em adoção de tecnologias e inovação, buscando colocar as necessidades do produtor rural brasileiro em primeiro plano.

Redação: Dalízia Aguiar e Fernanda Diniz, jornalistas Embrapa
Foto (Lilian Alves): tecnologias usadas na pecuária

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quarta-feira, novembro 06, 2019

Embrapa - Quanto custa errar no manejo do pasto?


Haroldo Pires de Queiroz
zootecnista, analista e difusor de tecnologia, Embrapa (Campo Grande-MS)
- Depende ...
- Não me enrola!
- Vai aí de uns R$ 500,00 a mais de R$ 3.000,00 por hectare, por ano.
- Tá bom. Depende do quê?
- Do peso de abate dos seus animais, do sistema de pastejo, se usa adubação ou não. Quanto mais intensivo o seu sistema de produção, mais caro sai errar no manejo. Quanto melhor a estrada e o carro e mais veloz o motorista, mais feio é o desastre!
- De onde você tirou os quinhentos e os três mil reais?
- Posso te explicar, mas você vai precisar de uma calculadora pra me acompanhar...
- Tá na mão, que eu não corro da raia.
- ...e preciso explicar primeiro o que a gente chama de manejo correto das pastagens.
- Anda logo.
- Digamos que manejo correto é aquele que leva a uma maior produção de carne por área, com maio lucro e menor impacto ambiental – sem degradar a pastagem nem o solo e com a menor emissão dos gases que esquentam o planeta.
- Continua, porque isso tá meio vago, meio filosófico demais.
- Você tem que manejar o capim dentro de alturas máximas e mínimas para cada cultivar e adubar as pastagens para repor o que foi extraído do solo pelo capim, comido pelo boi e levado embora para o frigorífico.
- Mas até há pouco eu achava que o certo era cumprir um tempo fixo de descanso depois do pastejo. Tipo Voisin.
- É que com o tempo fixo de descanso, com mais ou menos calor, chuva, adubo e luminosidade a planta pode não ter crescido o suficiente ou já passou do ponto. Tem que variar o período de descanso pra sempre chegar na proporção correta de folhas e talos, que vai resultar no maior ganho de peso individual, na maior lotação e no maior número de ciclos de pastejo por ano. Ou seja, tem que entrar com o boi na altura certa do capim.
- E o que eu faço com a calculadora?
- Vamos lá. Li num artigo da Embrapa que o capim-marandu superpastejado até chegar a 15 cm suportou uma lotação de 3,2 UA/ha e os novilhos ganharam 560 g/cabeça/dia. No final de um ano, multiplicando a lotação pelo ganho individual, deu uma produção de 428 kg de peso vivo por hectare. No manejo correto do pastejo contínuo, mantendo o capim o ano inteiro próximo de 30 cm deu uma lotação menor, 2,8 UA/ha. Mas os novilhos ganharam mais: 760 g/cab./dia, levando a produção anual para 485 kg/ha.
- Quer dizer que o pastejo correto deu 57 kg de peso vivo a mais, por hectare e por ano? Isso são 2 arrobas a mais por hectare, todo ano!
- Isso mesmo! E o subpastejo também dá prejuízo. Pra manter o marandu mais alto, a 45 cm, a lotação anual cai para 2,0 UA/ha e, o que é pior, o ganho de peso diminui pra 730g/cab./dia. Se você acha que com pasto alto, sobrando, o boi ganha mais, está enganado. O pasto alto fica passado, digere menos, o boi se alimenta mal e acaba ganhando menos peso. No final, com melhor lotação e menor ganho por animal a produção de carne cai para 344 kg/ha. São 141 kg/ha a menos, quase 5 arrobas a menos, por hectare, por ano.
- E quanto custa essa produção a menos?
- Considerando um custo de produção diário de R$ 1,80/cab./dia e o preço de R$ 4,90 por quilo de peso vivo (R$ 145,00 / @), a receita líquida para o pastejo correto é de R$ 4.425,00/ha/ano contra R$ 3.280,00 no superpastejo e R$ 3.014,00 no subpastejo.
Nesse custo já está embutidos: adubação de manutenção, depreciação das instalações e máquinas, mão de obra, taxas e os outros insumos, como medicamentos e suplementos minerais.
- Caramba, então o pasto rapado me dá um prejuízo de mais de R$ 1.000 por hectare por ano! Dá mais de R$ 570.000,00 por ano nos meus 500 ha de braquiarão.
- Pois é, e se deixar o pasto passado o ano inteiro, o prejuízo é de quase R$ 1.500,00/ha, mais de R$ 700.000,00 nos seus 500 ha.
- E sem adubação anual de manutenção?
- Os custos caem pra R$ 1,50/cab./ano, a lotação cai pela metade e o prejuízo só do manejo é de R$ 580,00 no superpastejo e R$ 840,00 no subpastejo. Comparado com o manejo correto e adubado, não adubar e subpastejar leva a uma perda de R$ 2.820,00 /ha/ano. Sem adubo e rapado o prejuízo é de R$ 2.560,00/ha. Uma traulitada de quase R$ 1.300.000,00, todo ano, nos seus 500 ha! Tá bom pra você?
- Viiiiche!!!!!

Exemplos nas tabelas abaixo:

Capim-marandu com adubação

Altura da pastagem
Lotação
Ganho de peso
* Duração do ciclo de acabamento
Lotação
Custo total
Receita
** Resultado/ciclo
 Resultado anual
*** Prejuízo
(cm)
(UA/ha)
g/cab/dia
(dias)
(cab./ha)
(R$ 1,80/ cab/dia)
(R$ 4,90/
kg de PV)
(R$)
(365 dias)
(R$/ha/ano)
15
3,2
560
500
2,9
2.610,00
7.105,00
4.495,00
3.281,35
1.144,28
30
2,8
760
368
2,5
1.657,89
6.125,00
4.467,11
4.425,63
....
45
2
730
384
1,8
1.242,74
4.410,00
3.167,26
3.013,99
1.411,64
* Tempo para um bezerro de 220 kg ganhar 280 kg e atingir o peso de abate, 17@ (500 kg): 280 kg dividido pelo ganho diário de peso.
** A receita menos o custo total
*** Diferença entre os resultados do manejo a 30 cm e dos manejos a 15 ou 45cm.


Capim-marandu sem adubação

Altura da pastagem
Lotação
Ganho de peso
* Duração do ciclo de acabamento
Lotação
Custo total
Receita
** Resultado/ciclo
 Resultado anual
*** Prejuízo
(cm)
(UA/ha)
g/cab/dia
(dias)
(cab./ha)
(R$ 1,50/ cab/dia)
(R$ 4,90/
kg de PV)
(R$)
(365 dias)
(R$/ha/ano)
15
1,6
560
500
1,5
1.125,00
3.675,00
2.550,00
1.861,50
582,18
30
1,4
760
368
1,3
718,42
3.185,00
2.466,58
2.443,68
....
45
1
730
384
0,9
517,81
2.205,00
1.687,19
1.605,54
838,13

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